CÂMARA MUNICIPAL: Com 23 a 1 votos, Curitiba se torna Capital do Sul do Forró

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Por 23 votos favoráveis a 1 contrário, sem abstenções, a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) aprovou, em primeiro turno, nesta quarta-feira (16), o projeto de lei que reconhece oficialmente a cidade como Capital do Sul do Forró. Durante o debate da proposta, de iniciativa de Vanda de Assis (PT), os vereadores destacaram a consolidação do forró na vida cultural de Curitiba, a contribuição da cultura nordestina para a diversidade da cidade e a capacidade de eventos, casas de shows, músicos, professores e escolas de dança de movimentarem uma cadeia ligada à cultura, ao turismo e à geração de renda.

Os vereadores aprovaram um substitutivo geral (031.00006.2026), com uma subemenda da Comissão de Constituição e Justiça (036.00028.2026), em vez do texto original (005.00685.2025). Conforme o texto consolidado, o título de Capital do Sul do Forró engloba festivais, eventos, apresentações musicais, aulas de dança, feiras temáticas e outras manifestações populares relacionadas ao gênero que promovam a cultura nordestina e suas raízes. O reconhecimento tem como objetivos promover o desenvolvimento cultural, social e turístico da cidade, valorizar a diversidade cultural brasileira e incentivar a integração entre diferentes comunidades.

Votaram a favor da valorização da cultura nordestina em Curitiba, além da autora, Vanda de Assis, os vereadores Beto Moraes (PSD), Bruno Rossi (Agir), Camilla Gonda (PSB), Carlise Kwiatkowski (PL), Dalton Borba (Solidariedade), Fernando Klinger (PL), Giorgia Prates – Mandata Preta (PT), Hernani (Republicanos), Leonidas Dias (Pode), Luciano Carvalho (PP), Marcos Vieira (PDT), Matteus Henrique (PT), Mauro Bobato (PP), Meri Martins (Republicanos), Nori Seto (PP), Professora Angela (PSOL), Rafaela Lupion (PSD), Renan Ceschin (Pode), Sargento Tânia Guerreiro (Pode), Serginho do Posto (PSD) e Tiago Zeglin (MDB). Tico Kuzma (PSD), por presidir a sessão, não votou, mas foi elogiado por Gonda por pautar a votação do projeto de lei. O voto contrário foi dado pelo vereador João Bettega (PL).

Forró ganhou espaço em Curitiba desde os anos 1980

Ao apresentar o projeto em plenário, a autora da iniciativa argumentou que a lei pretende reconhecer uma realidade que já existe na cidade. Segundo ela, a cena local se desenvolveu a partir dos anos 1980, inicialmente em pequenos espaços, casas e garagens, até alcançar a estrutura atual, com grupos musicais, escolas de dança, casas com programação regular e eventos de maior porte.

Entre os exemplos citados está o Calamengão, espaço ligado aos primeiros anos do forró na cidade e à trajetória de Maerlio Barbosa. A vereadora também mencionou iniciativas atuais, como o Forró da Lua, com programação desde 2014; o Bora Dançar, que promove encontros inclusive em parques; e a Festa Nordestina, que chegou à 12ª edição. “Esse reconhecimento é somente o reconhecimento de uma prática já consolidada, de uma realidade já consolidada em nossa cidade”, resumiu a vereadora.

A dimensão da cena musical também apareceu no debate. Vanda de Assis relacionou mais de 30 grupos, bandas e trios que estavam em atividade quando a proposta foi elaborada, entre eles Areia Branca, Bandoleiro, Forró Manacá, Fuá de Latada, Trio Quartinha e outros. Ela lembrou ainda que o grupo curitibano Fuá de Latada venceu, em 2016, o Festival Nacional de Forró de Itaúnas, no Espírito Santo, resultado apresentado no plenário como exemplo da projeção alcançada pelos artistas locais.

Diversidade cultural e espaços de convivência

Outro ponto recorrente nas manifestações dos vereadores foi a relação do forró com a diversidade cultural de Curitiba. Matteus Henrique (PT) afirmou que a cultura nordestina também participa da formação da identidade da cidade. Professora Angela (Psol), relatora da matéria na Comissão de Educação, destacou que o gênero construiu uma cena cultural própria depois de enfrentar preconceito e ganhar novos espaços.

No encaminhamento da votação, Camilla Gonda (PSB) também apresentou dados do Censo de 2022 segundo os quais havia 42.636 moradores de Curitiba nascidos no Nordeste, número que, de acordo com a vereadora, representava crescimento de 47,4% em relação a 2010. Giorgia Prates (PT) acrescentou ao debate a dimensão dos trabalhadores envolvidos na atividade cultural, argumentando que a presença do forró não se restringe à música e à dança. Para ela, a expansão dos espaços destinados a diferentes manifestações culturais fortalece a própria cidade.

Zezinho Sabará (PSD) e Serginho do Posto (PSD) enfatizaram a capacidade da dança de reunir as pessoas e fortalecer a vida cultural da cidade. Nori Seto (PP) recordou espaços de forró que frequentava nas décadas de 1990 e 2000 e relacionou o gênero à presença da população nordestina em Curitiba. Mauro Bobato (PP), manifestou apoio à criação de um Centro de Tradições Nordestinas na cidade, citando espaços semelhantes de São Paulo e do Rio de Janeiro como possíveis referências para a iniciativa curitibana.

Na linha dos colegas, Luciano Carvalho recordou que frequentava o Vasquinho, um dos espaços ligados à história do forró em Curitiba, e defendeu a valorização da cultura nordestina ao lado das demais tradições presentes no município. Ele, Meri Martins (Republicanos) e Marcos Vieira (PDT) destacaram que a diversidade cultural está relacionada à própria formação de Curitiba, marcada pela chegada de pessoas de diferentes lugares.

Subemenda muda como a Prefeitura participa do incentivo ao forró

Ao aprovar a subemenda da CCJ, o plenário alterou o artigo 4º da proposta. Na redação original, o artigo dizia que o Poder Público Municipal seria responsável por desenvolver e implementar políticas públicas para incentivar e promover a cultura do forró, em parceria com órgãos governamentais, entidades culturais, empresas privadas, organizações da sociedade civil e coletivos artísticos.

Com a subemenda, a previsão passa a ser de que “o incentivo à cultura do forró em Curitiba integrará as ações do Poder Público Municipal”, em articulação com esses mesmos setores. Assim, sai a determinação específica para que o Município desenvolva e implemente políticas públicas e permanece a previsão de participação municipal no incentivo à manifestação cultural.

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