Carne fraca: Operação da PF abala clã Requião

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A Operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira, 17, pela Policia Federal, abalou o discurso moralizante da família do senador Roberto Requião (PMDB-PR). Parte das prisões, conduções coercitivas e mandados de busca e apreensão, atinge pessoas próximas ou indicadas por membros da família Requião no Ministério da Agricultura.
É o caso do ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, Daniel Gonçalves Filho, preso durante a operação que investiga o pagamento de propinas a fiscais agropecuários. A indicação de Gonçalves Filho é creditada aos deputados do PMDB, entre eles João Arruda, sobrinho do senador e ao próprio Requião. Ele ficou no porto entre 2007 à 2014, boa parte do período o Estado estava sob comando de Requião.
Há várias fotos de Gonçalves Filho com o próprio Requião e com o irmão, Eduardo Requião, ex-superintendente do Porto de Paranaguá e também acusado por desvio de recursos no porto. Em 2013, a PF investigou o irmão de Requião na Operação Dalas por desvio de US$ 5 milhões de licitação para compra de uma draga no porto.
Segundo as investigações, o esquema no Paraná era comandado por Daniel Gonçalves Filho, e pela chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Maria do Rocio Nascimento, que trabalham em Curitiba.
Ainda nesta sexta-feira, Martins, assessor de João Arruda, foi conduzido coercitivamente a prestar esclarecimentos à Polícia Federal. No depoimento, o assessor do sobrinho de Requião, disse que só mantinha relações institucionais com o líder do esquema dos frigoríficos.
Ainda no depoimento, obtido com exclusividade pelo site ‘O Antagonista’, o assessor contou também que, na gestão de Katia Abreu, o deputado retirou seu apoio à nomeação de Daniel Gonçalves para a Superintendência de Fiscalização. Segundo ele, Daniel tinha, entretanto, o respaldo da bancada do PMDB do Paraná e até do senador Roberto Requião.
Em entrevista exclusiva ao ‘O Antagonista’, João Arruda disse, em defesa de seu assessor, que “”é comum e natural” a relação de seu funcionário com as empresas fiscalizadas”.
Completou ainda: “”Veja… Eu confio. É um bom assessor. Ele vai se defender, mas eu não posso falar por ele. Se houver “qualquer irregularidade”, o parlamentar diz que afastará Heuler de seu gabinete e “ele que responda na Justiça”.
As relações políticas do clã Requião com os envolvidos na Operação Carne Fraca parecem, no mínimo, suspeitas, para não dizer perigosas e incoerentes, deixando a bancada do PMDB no Paraná abalada, com sobra de rescaldo para o presidente Michel Temer.

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