CASCAVEL: R$ 54 MILHÕES EM MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS LIGADAS A PARANHOS EM OITO ANOS

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A imprensa do Oeste do Paraná voltou a mostrar uma série de supostas irregularidades que teriam sido cometidas nas duas gestões do ex-prefeito de Cascavel Leonaldo Paranhos, atual Secretário Estadual de Turismo do governo Ratinho Júnior.

Um dos jornais mais tradicionais do interior do estado, O Paraná, está publicando uma série de denúncias que tiveram início no meio de 2024, formalizadas pelo ex-deputado federal Evandro Roman, respaldadas por farta documentação, mostrando números que comprovariam movimentações milionárias de empresas do grupo familiar do ex-prefeito. Os números, segundo as reportagens publicadas pelo O Paraná e pelo Jornal Hoje, superam R$ 54 milhões durante os oito anos de mandato, apenas em uma das empresas familiares. Até o último mês de seu governo, as movimentações financeiras milionárias, assim como o patrimônio formado por mais de uma centena de imóveis nos bairros mais valorizados de Cascavel, referiam-se às empresas da família, mas a situação mudou após 30 de dezembro de 2024, último dia de mandato de Leonaldo Paranhos, quando faltavam poucas horas para desocupar a cadeira de prefeito. Paranhos teria feito aportes de capital, segundo a imprensa do Oeste, e ingressado formalmente nas empresas MEU VIVER, VIPAR, FV INCORPORADORA E OESTE HOLDING LTDA, sendo esta última constituída em 2023, e administrada em desacordo com a lei por tratar-se de prefeito em exercício do cargo. Essas informações constam na denúncia apresentada ao DECCOR-Delegacia Estadual de Combate à Corrupção, pelo ex-deputado federal Evandro Roman. Parte dos aportes (R$ 1,29 milhão) teria sido efetivada por Franciele Abicosti, secretária da filha de Leonaldo Paranhos, cujo histórico financeiro, com várias restrições de crédito, é totalmente incompatível com esses valores. Integralizações de R$ 4,42 Milhões, de R$ 1,8 Milhão, entre outros, foram efetuados no espaço de 45 dias anteriores ao fim do mandato, em dezembro de 2024.

A reportagem de O Paraná é assinada pelos jornalistas Vanessa Nilson e Guilherme Mendes.

 O site Notícias Cascavel, além de vários outros, com milhares de acessos diários, sob responsabilidade do advogado Moacir Vosniak e do jornalista Evandro Nicolau, vem repercutindo e acrescentando novos fatos ao episódio que traz às autoridades documentação e registros públicos que comprovam o enriquecimento em tempo recorde das empresas do círculo familiar do ex-prefeito Paranhos.

DENÚNCIAS AO DECCOR:

  1. CRESCIMENTO EXTRAORDINÁRIO: Uma das empresas familiares, a Meu Viver, movimentou mais de R$ 54 Milhões de reais no mandato de Paranhos. Essa mesma empresa, segundo matrículas do Registro de Imóveis local anexadas ao dossiê entregue ao DECCOR, de capital social inicial de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), teria crescido 2.700% durante a gestão Paranhos.
  2. ALTERAÇÕES NA LEGISLAÇÃO: Novas leis regulatórias para a aprovação de loteamentos urbanos foram aprovadas em tempo recorde, trazendo lucros milionários para os empreendedores. A maior parte do patrimônio da empresa Meu Viver, constituído por 128 imóveis cujas matrículas do Registro de Imóveis são públicas e fazem parte do dossiê, está localizada nestes loteamentos beneficiados.
  3. HOLDING, INGRESSO EM EMPRESAS POUCAS HORAS ANTES DO FIM DO MANDATO: Desde 2023, Paranhos seria administrador da Oeste Holding Ltda., e desde dezembro de 2024 teria ingressado no contrato social das empresas que já eram suas, de acordo com a denúncia. Tendo assumido a prefeitura em situação financeira modesta, proprietário de uma empresa de aluguel de outdoors, fazia trabalhos informais em modestas televisões a cabo da cidade. Eleito deputado estadual e depois prefeito, em seis anos estava constituindo Holdings protetoras de patrimônio.
  4. ENDEREÇOS COMPARTILHADOS: As empresas ocupam o mesmo espaço físico, em um conjunto de salas contíguas, e compartilham endereço, contabilidade e gestão.
  5. DENÚNCIAS SÃO ROTINA: Praticamente todas as suspeições foram trazidas a público por veículos de comunicação insuspeitos, como O Paraná, Hoje, Preto no Branco, Site Notícias cascavel, e por jornalistas que não se vendem, como Paulo Martins, Luiz Nardelli, entre outros. Há muitos anos o assunto é conhecido, desde antes da formalização de algumas dessas suspeições pelo deputado Evandro Roman.

HISTÓRICO DE POSSÍVEIS IRREGULARIDADES: OITO ANOS

  1. AUMENTO DO PERÍMETRO URBANO EM 70%: Aprovada pela Câmara de Vereadores em tempo recorde, a proposta do prefeito Paranhos de aumento do perímetro urbano da cidade, em 2023, multiplicou o valor das propriedades rurais e viabilizou empreendimentos distantes e dissociados da área urbanizada da cidade, com futuros custos impagáveis para o município. O empresário Chico Simeão, em entrevista ao canal CaTv, confessou ter combinado ajuda financeira aos políticos que aprovaram o aumento. Foi feita investigação rápida pelo Gaeco, que disse que tudo estava correto e arquivou o processo.
  2. SUPERFATURAMENTO EM FLAGRANTE: O superfaturamento na construção de pontilhões no sistema chamado Ecopark Morumbi foi denunciado pelo próprio Secretário do Meio Ambiente da época, Juarez Berté, que se recusou a autorizar o pagamento por tentativa de entrega da obra em material diferente do licitado- concreto ao invés de aço Armco-Staco, muito mais caro. O secretário honesto foi demitido, e o Judiciário perdoou os denunciados Leonaldo Paranhos, o vice-prefeito Jorge Lange e o secretário Fernando Dillemburg após a devolução de R$ 100.000,00 (cem mil reais.) O caso foi denunciado ao Gaeco, que após engavetamento de três anos decidiu que tudo estava correto após a devolução, pela empresa, do valor irrisório, segundo técnicos consultados.
  3. COMPRA SUPERFATURADA: Paranhos aprovou em tempo recorde projeto de compra de um imóvel da empresa Atacadão, por R$ 29 milhões. No projeto, não citava a finalidade específica, nem porque os imóveis já pertencentes ao município não poderiam ser utilizados. Aprovou na Caixa Econômica empréstimo nesse mesmo valor. Com a reação de vários setores, a compra não foi finalizada. Dois anos e meio após a tentativa, o imóvel foi comprado pela empresa Ilumisol, tradicional no Oeste, por R$ 19 milhões, ou seja, R$ 10 milhões abaixo do que Paranhos tentou pagar.
  4. VENDAS ABAIXO DO VALOR: Para surpresa geral, ao mesmo tempo em que pretendia comprar um imóvel sem qualquer projeto, Paranhos aprovou na Câmara (em cinco dias) lei que o autorizava a VENDER todos os imóveis não edificados do município. Eram reservas adquiridas por prefeitos anteriores, quando da aprovação de loteamentos, para futuras escolas, hospitais, etc.…, alguns deles maiores e melhor localizados que o do Atacadão. Dezenas de imóveis, como o Estádio Ninho da Cobra, as áreas adjacentes ao Zoológico, áreas na Rua Jorge Lacerda, entre muitas outras. Tanto a compra do Atacadão quanto a venda de todos os imóveis do município foram barradas pela sociedade e pelo GAEMA.
  5. AMBULÂNCIAS SUCATEADAS PARADAS: A prefeitura pagou R$ 2,7 milhões para a empresa Instituto Áquila para receber o Prêmio Cidades Excelentes, como a Segunda Melhor Cidade do Brasil. A nota fiscal justificava: “assessoria técnica”, mesmo texto entregue a centenas de outros municípios onde prefeitos espertos precisavam de promoção pessoal. Enquanto isso, o próprio Paranhos dava entrevistas à imprensa que mostrava que, das 16 ambulâncias do município, 09 estavam paradas por falta de pneus e peças para reposição. Dizia Paranhos: “alguém tem que se responsabilizar por isso…”, numa inusitada e hilária auto cobrança.

   É impossível relacionar todas as suspeições levantadas durante os oito anos da gestão Paranhos. As citadas são apenas algumas delas.

OPINIÃO:

Os fatos descritos são amplamente conhecidos e comentados por todos em Cascavel. A inteligente estratégia de marketing, e os milhões investidos na divulgação das duas gestões, trouxeram o apoio maciço da mídia, que formou opiniões favoráveis a Leonaldo Paranhos. Na esteira dessa aceitação popular, veio o apoio de entidades classistas, a submissão absoluta de 90% dos vereadores que aprovavam tudo que vinha da prefeitura de forma instantânea, o silêncio e a omissão do Ministério Público e a concordância do Judiciário com malfeitos confessos. Flagrantes indefensáveis eram perdoados com a mera devolução de parte dos desvios- caso Ecopark é emblemático.

De forma paradoxal, a cidade continuou crescendo. Paranhos flexibilizou leis por conta própria. Nenhum loteamento foi indeferido por estar fora da lei. Nenhuma empresa deixou de abrir as portas por estar em desacordo com as regras. Nenhuma construtora deixou de edificar nada por afrontar a Lei de Zoneamento. Certos ou errados, dentro ou fora das leis, loteamentos, empresas, construções de edifícios movimentam a economia. Assim como o narcotráfico: é crime, mas milhões de pessoas crescem e passam a gerar impostos graças a ele.

Com a brutal carga tributária do país, dinheiro não falta para os municípios, estados e para a União. O mal maior, se é que é possível mensurar imoralidades, está nos municípios. Dos mais de 5.000 existentes, vemos uma maioria administrada por malandros populistas, sem noção administrativa qualquer. Cascavel, nos últimos anos, não foi exceção. Para terminar: essas denúncias não vão dar em nada. Paranhos tem proteção “de cima”, de quem manda nas autoridades que vão – em tese – investigar os fatos. O histórico em que formei essa opinião mostra isso de forma clara.

Mano Preisner  

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