Um concerto na noite dessa quinta-feira (15/1), na Capela Santa Maria, marcou a entrega do Prêmio de Música Margarita Pericás Sansone a estudantes da 43ª edição da Oficina de Música de Curitiba e a musicistas de carreiras consolidadas. A cerimônia contou com a presença do prefeito Eduardo Pimentel e do ex-prefeito Rafael Greca, patrono da premiação.
Pela primeira vez na história da Oficina de Música de Curitiba, o festival concedeu uma premiação.
“Tive o privilégio de conviver com Dona Margarita por quase oito anos, praticamente todos os dias. Pude conhecer de perto o carinho profundo que ela dedicava a Curitiba, às pessoas, à gestão pública e, sobretudo, à cultura. Hoje, vivemos um momento histórico. Pela primeira vez, realizamos a entrega da medalha que leva o seu nome, um prêmio sonhado, construído com afeto e significado, que passa a integrar oficialmente a programação da Oficina. Mais do que uma homenagem, esta medalha é um incentivo, um gesto concreto de valorização, para que artistas sigam acreditando e construindo essa trajetória tão bonita que é a música”, disse o prefeito Eduardo Pimentel.
O Prêmio de Música Margarita Pericás Sansone premiou seis estudantes da atual edição da Oficina e duas sopranos de trajetória reconhecida: Ornella de Lucca, vencedora do Prêmio Especial Destaque em Performance Vocal, e Gabriella Di Laccio, contemplada na categoria Trajetória. Veja abaixo mais informações sobre as sopranos.
Estudantes premiados
Na categoria Prêmio Estímulo a Jovens Musicistas, os premiados foram Júlia Vasconcelos Abdalla, na música antiga (flauta doce); Sophia Barros Moreira, na categoria MPB – Música Popular Brasileira, com o trabalho “Pagode de viola: técnica e interpretação”; e, na música erudita, Douglas da Silva Pontes (violão), Matheus Ferreira Tonin (saxofone), Inácio Wildt (piano) e Pedro Globekner Ohoe (canto).
Os estudantes foram indicados pelos professores e avaliados por uma banca técnica composta por profissionais da área.
A premiação integra a programação oficial da Oficina e nasceu a partir de uma ação de mecenato privado da família da ex-primeira-dama Margarita Pericás Sansone, em homenagem à sua trajetória e ao seu compromisso com a valorização da música.
“A música é, por excelência, a afirmação da beleza da vida. Ela transforma os espaços do infinito em tempo, preenche os vazios da alma e multiplica a grandeza do espírito humano”, afirmou Rafael Greca. “Margarita compreendia isso profundamente. Acreditava na cultura como gesto de cuidado, como construção de sentido, como herança para as próximas gerações. Por isso, este prêmio não é apenas uma homenagem, mas um compromisso público com aquilo que nos torna mais humanos.”
De caráter não governamental, o prêmio concede aos vencedores bolsas-auxílio em dinheiro, além de certificado e medalha em bronze criada pelo artista Rafael Sartori, que retrata o sorriso de Margarita. No total, foram distribuídos R$ 100 mil, divididos entre as três categorias da premiação.
Os seis vencedores do Prêmio Estímulo a Jovens Musicistas receberam R$ 10 mil cada e, após o anúncio, subiram ao palco para interpretar obras de livre escolha. Já o Prêmio Especial Destaque em Performance Vocal e o Prêmio Trajetória, concedidos em caráter hors concours, reconheceram a excelência artística e o impacto duradouro das homenageadas no cenário musical, sendo este último acompanhado de premiação no valor de R$ 30 mil.
“A Oficina de Música me permitiu aprender com professores extraordinários, trocar experiências e ampliar meu olhar sobre a música. Receber um prêmio que homenageia uma mulher que representa tanto orgulho, sensibilidade e dedicação à cultura torna esse momento ainda mais significativo”, destaca Júlia Abdalla, 18 anos, uma das ganhadoras.
“Foi no meio da Oficina de Música, ainda adolescente, que meus sonhos começaram. Foi em Curitiba que eu estudei, me formei e trabalhei. Quando saí do Brasil, levei cinco malas, não só com roupas, mas com dúvidas, perguntas e silêncios. A minha trajetória não foi feita apenas de aplausos: houve portas fechadas e muitos momentos de invisibilidade. E foi justamente daí que nasceu o meu desejo de criar além da performance, porque nunca foi falta de talento, e sim falta de espaço. A música pertence a todos, e o nosso trabalho como artistas é seguir abrindo portas para que mais pessoas existam e sejam incluídas nessa história”, afirmou Gabriella Di Laccio.
Também estiveram presentes o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Junior; a diretora-executiva do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac), Juliana Midori; e os diretores artísticos da Oficina de Música de Curitiba, Janete Andrade, Marília Vargas, João Egashira e Abel Rocha.
Ornella de Lucca
A soprano Ornella de Lucca é natural de Curitiba, iniciou seus estudos ainda jovem com professores renomados e construiu uma trajetória marcada pela versatilidade, excelência técnica e presença constante em palcos nacionais e internacionais.
Mestre em Artes pela Universität Mozarteum de Salzburg, na Áustria, onde também se graduou em canto, possui sólida formação em ópera e prática histórica. Estudou com professores e artistas de referência internacional, como Gernot Sahler, Alexander von Pfeil, Wolfgang Holzmair e Barbara Bonney.
Ornella destacou-se em diversas produções acadêmicas e profissionais na Europa, interpretando papéis de óperas de Mozart, Offenbach, Gluck, Pergolesi, Rossini e Boesmans, além de participar de importantes programas e masterclasses voltados à performance histórica e ao repertório barroco e clássico.
Desde 2020, mantém intensa atuação artística no Brasil e no exterior, com participações em festivais, concertos sinfônicos e recitais. Foi solista da Camerata Antiqua de Curitiba, integrou projetos como o Bravíssimo Concertos e apresentou-se em eventos da Oficina de Música de Curitiba, além de atuar em produções operísticas na Grécia, Itália e Áustria.
Gabriela de Laccio
Gabriella Job Di Laccio é soprano brasileira, natural de Canoas (RS), com destacada atuação nos repertórios barroco, clássico e romântico, abrangendo ópera, oratório e música de câmara. Com formação inicial no Brasil, orientada pela soprano Neyde Thomas, graduou-se com distinção pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e iniciou a carreira profissional no Teatro Guaíra, integrando a Companhia de Ópera e a Camerata Antiqua de Curitiba.
Em 2001, radicou-se na Inglaterra, onde concluiu pós-graduações no Royal College of Music de Londres, consolidando uma trajetória internacional marcada por papéis de destaque em óperas de Mozart, Rossini, Verdi, Handel e no repertório barroco europeu.
Além da carreira artística, Gabriella Di Laccio é amplamente reconhecida por sua atuação social e institucional em prol da igualdade de gênero na música. É fundadora e curadora da organização Donne – Women in Music e presidenta da Bravo Brazil, voltada à educação musical gratuita para crianças.
Premiada internacionalmente, foi eleita uma das 100 Mulheres mais influentes do mundo pela BBC, em 2018, e, em 2025, recebeu o título de Membro da Ordem do Império Britânico por sua contribuição à música e à luta por equidade. Sua trajetória une excelência artística, reconhecimento internacional e forte engajamento social.