Corrupção sem fim Escândalo da Petrobras ganhará proporções ainda maiores, diz líder do PSDB do Câmara

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Imbassahy denunciou suspeitas de irregularidades na maior estatal do país antes mesmo de explodir o escândalo do petrolão.
Em entrevista à Rádio Metrópole, o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (BA), disse que o petrolão causa tristeza e constrangimento a todos os brasileiros. Na conversa com o âncora Mário Kertész ocorrida na manhã desta segunda-feira (22), o tucano relatou detalhes dos trabalhos da CPMI da Petrobras recém-encerrada e lamentou que o relatório final aprovado tenha sido chapa-branca. No entanto, o líder avalia que o escândalo que atinge a principal empresa estatal do país está longe do fim e “abalará as estruturas da República”.

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Denunciante dos desmandos na Petrobras muito antes das falcatruas virem à tona, o deputado disse que, a princípio, não imaginava o quão grande era o esquema de corrupção instalado no coração da estatal. “Eu sabia que havia problemas, mas não imaginava que eram tantos.” De acordo com o parlamentar, durante os trabalhos da CPMI denúncias surgiam a cada dia. “É algo que ainda vai balançar as estruturas da República, pois as dimensões são enormes”, acrescentou.

Para o deputado, nenhuma tentativa de abafar as investigações e suas consequências será capaz de parar as apurações que envolvem Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal. “É um escândalo de proporções extraordinárias, mas temos a segurança de que vai prosseguir independente de qualquer tentativa de operação-abafa”, disse. Segundo ele, a organização criminosa havia identificado a Petrobras como uma fonte inesgotável de recursos e inexpugnável a qualquer tipo de investigação. Acreditavam, de acordo com ele, que poderiam agir e estariam protegidos de serem descobertos.

Imbassahy afirma que a essa altura é possível afirmar que a Petrobras foi capturada pelo PT, que junto com outros partidos prestaram todo esse desserviço à estatal e ao país. As investigações mostraram, de acordo com o deputado, que o dinheiro desviado seguia por três caminhos diferentes: parte ia para contas no exterior, outra era entregue em espécie e uma terceira parte seguia para alimentar o caixa de partidos.

Segundo ele, “ainda tem muita coisa para aparecer”. Em sua avaliação, outros nomes, além dos 28 delatados por Paulo Roberto Costa e divulgados pelo “Estadão” na última semana, ainda podem surgir devido às outras delações premiadas. No próximo ano, o Congresso Nacional pode inclusive abrir vários processos de cassação do mandato dos envolvidos no petrolão.

Além dos prejuízos bilionários por causa dos desvios e propinas, o tucano ressaltou ainda que a Petrobras vinha sendo usada para administrar preços e controlar a inflação no país, já que o governo não conseguia encontrar outra saída para isso. O líder já cobrou por diversas vezes a demissão da presidente da estatal, Graça Foster, mas a presidente Dilma insiste em mantê-la no posto, impedindo o início da retomada da credibilidade da empresa. “Minha opinião é a de que a presidente Dilma está sem condições políticas para substituí-la. Uma nova direção, com total isenção e autonomia, para assumir a empresa, terá que aprofundar as investigações sobre essa roubalheira toda, e alcançar alguém que, provavelmente não queira ser alcançado. Deve residir aí a justificativa para a inação do governo”, opinou.

Desfecho vergonhoso na CPMI – Imbassahy relatou a forma vergonhosa como a base do governo tentou impedir que a CPMI votasse o relatório final de seus trabalhos. Além de não pedir indiciamento de ninguém e só incluir a compra da refinaria de Pasadena como irregular após duras críticas da imprensa, o texto apresentado pelo deputado Marco Maia (PT-RS) sequer seria votado. Deputados e senadores que apoiam o governo se reuniram no gabinete do senador Gim Argelo (PTB-DF) no horário marcado para a votação no intuito de a sessão não ter quórum e, assim, a CPMI terminar sem votar o relatório. Só depois que a oposição e a imprensa constrangeram os aliados a Dilma a desistirem daquela postura é que foi possível aprovar o texto.

Já o texto paralelo, apresentado pela oposição e elaborado pelo deputado Carlos Sampaio (SP), pediu o indiciamento de 59 pessoas e a abertura de inquérito policial contra outras 36. Imbassahy afirmou que a lisura e imparcialidade do relatório da oposição foi total, pedindo inclusive abertura de inquérito para investigar a denúncia que envolve o nome do ex-presidente do PSDB Sergio Guerra. “Se damos crédito para as outras denúncias temos que dar a essa também”, disse. “Acredito que estamos prestando um serviço à nação. Faremos uma nova CPI e continuaremos acompanhando tudo”, avisou.

(Reportagem: Djan Moreno/ Foto: Alexssandro Loyola/ Áudio: Hélio Ricardo)

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