A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A comissão investiga suspeitas de desvios no repasse de benefícios pagos a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O nome de Lulinha apareceu em uma das fases da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal, que apura o esquema.
Apesar de ter sido citado, ele ainda não foi formalmente alvo da operação. A sessão da CPMI do INSS foi suspensa, após bate-boca e empurrões entre parlamentares depois da aprovação.
Suspeita de “mesada” e sócio oculto
Investigadores relataram menções diretas e indiretas que apontariam Lulinha como suposto “sócio oculto” de Antonio Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, apontado como intermediador do esquema.
Segundo a investigação, Antunes receberia valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas e redistribuiria parte dos recursos a servidores do instituto.
Em depoimento à PF, o ex-funcionário Edson Claro afirmou que Lulinha receberia uma “mesada” de R$ 300 mil paga por Antunes. O mesmo valor aparece em troca de mensagens entre o investigado e a empresária Roberta Luchsinger, na qual ele menciona a necessidade de repassar R$ 300 mil ao “filho do rapaz”.
Requerimento e acesso a dados
O pedido de quebra de sigilo foi apresentado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AP). Com a aprovação, a comissão poderá acessar extratos bancários, movimentações financeiras, declarações de Imposto de Renda e contratos, a fim de verificar se há registros compatíveis com os valores mencionados nos depoimentos.
A sessão foi marcada por forte tensão. Após a aprovação de uma série de requerimentos — incluindo o de Lulinha — houve bate-boca e empurrões entre parlamentares, o que levou à suspensão temporária dos trabalhos.
Blindagem política e desdobramentos
O presidente Lula declarou publicamente que, “se tiver alguma coisa”, o filho deverá “pagar o preço”. O caso, no entanto, amplia o desgaste político em torno do Palácio do Planalto.
Outro ponto sensível envolve Frei Chico, irmão do presidente e dirigente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), entidade que também entrou no radar da oposição dentro da comissão. Entre 2020 e 2024, os valores repassados pelo INSS ao sindicato cresceram 564%, segundo dados citados por parlamentares.