Enquanto o governo Lula defende o papel do Estado na economia, os Correios fecham 2025 com rombo mais de três vezes superior ao do ano anterior. O contribuinte e os usuários cobram respostas, eficiência e responsabilidade.
O Dia Mundial dos Correios deveria ser uma data de reconhecimento a uma instituição que faz parte da vida dos brasileiros. Mas, diante dos números divulgados, a comemoração dá lugar a uma pergunta incômoda: como uma empresa pública de tamanha importância chegou a uma situação financeira tão preocupante?
Os Correios encerraram 2025 com prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões, contra R$ 2,6 bilhões negativos em 2024. A receita bruta também caiu, recuando cerca de 11% e ficando em R$ 17,3 bilhões. Os números foram divulgados pela própria estatal em abril de 2026. Na gestão de Jair Bolsonaro a estatal apresentou acima de R$ 2 bilhões.
A conta é pesada e não pode ser tratada como um detalhe contábil. Quando uma empresa pública acumula perdas dessa dimensão, a sociedade tem o direito de exigir explicações claras sobre as decisões administrativas, os custos operacionais, as obrigações judiciais e as medidas adotadas para impedir que a crise se aprofunde.
O governo federal aprovou e autorizou operações de crédito e pacotes de socorro aos Correios que somam dezenas de bilhões de reais para tentar conter a crise financeira da estatal em mais de R$ 26 bilhões
- Empréstimo de R$ 12 bilhões: Aprovado em dezembro de 2025 pelo Tesouro Nacional e contratado com um consórcio de cinco bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander), com garantia da União e prazo de 15 anos.
- Autorização de Novo Empréstimo (R$ 8 bilhões): Em fevereiro de 2026, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou um espaço adicional de R$ 8 bilhões para captação de recursos via empréstimo com garantia do Tesouro Nacional, completando o teto do plano de socorro de R$ 20 bilhões.
- Aporte Orçamentário Previsto (R$ 6 bilhões): O governo também incluiu no orçamento de 2027 a previsão de um aporte direto de R$ 6 bilhões do Tesouro para a estatal, diante dos prejuízos acumulados que superaram bilhões de reais nos últimos semestres
O prejuízo também ameaça a qualidade do serviço
A crise financeira não pode ser separada da experiência de quem utiliza os Correios. Atrasos, rastreamentos sem atualização e comerciantes que procuram alternativas privadas são problemas que precisam ser investigados e enfrentados, com indicadores públicos de desempenho e qualidade. Cada cliente perdido representa uma oportunidade de receita que pode não voltar.
No Dia Mundial dos Correios, a homenagem aos trabalhadores não deve servir para esconder a crise administrativa. Pelo contrário: quem mantém o serviço funcionando merece uma empresa financeiramente sustentável, capaz de competir, investir e atender bem a população.