O que hoje está sendo um alívio com a notícia do fim dos pedágios e a não renovação dos contratos com atuais concessionárias, com cancelas livres e atendimento feito de forma improvisada e gratuito, amanhã pode ser um baque no bolso dos motoristas em geral.
Fato é que das 27 praças de pedágio existentes hoje no Paraná, sobraram apenas aquelas que cobravam custos mais baratos para o usuário. No entanto se hoje são 27, quando as licitações forem fechadas e houver novos contratos com outras concessionárias ou talvez até as mesmas, se essas se enquadrarem no processo definido pelo Governo do Paraná, teremos 42 praças em todo o Estado.
De forma simples, se hoje o pedágio é caro em cada uma das praças, pode ser que os valores sejam pulverizados pelas outras 15 que passarão a existir futuramente.
E onde serão essas praças? Anote aí: Sengés (PR-151), Siqueira Campos (BR-272), Jacarezinho/Ourinhos (BR-153), Califórnia (BR-376), Norte de Tamarana (PR-445), Jussara (PR-323), Tapejara (PR-323), Perobal/Cafezal do Sul (PR-323), Guaíra/Terra Roxa (BR-272), Guaíra/Mercedes (BR 163), Toledo/Cascavel (BR-467), Capitão Leônidas Marques (BR-163), Ampére (PR-182), Renascença (BR 280) e Guairaçá (BR-376).
As novas praças serão ativadas no segundo ano do novo contrato das novas concessões, ou seja, entre 2022 e 2023. Quer dizer também que elas estarão funcionando com os contratos já em vigência, o que não pode retroagir.
Os contratos devem ser muito bem amarrados com cláusulas que favoreçam não apenas o rompimento e multas às empresas concessionárias em caso de descumprimento, como quanto a elevação dos custos, senão voltamos à estaca zero ou teremos valores ainda piores do que já vinham sendo praticados.
O governador Ratinho Junior anunciou já no ano passado, que a redução de pelo menos 50% da tarifa seria a exigência da administração estadual. Mas o percentual de redução não foi confirmado. E só será quando os projetos forem finalizados e tivermos as novas licitações.
O valor médio da tarifa de pedágio a cada 100 quilômetros por veículos leves era de R$ 14,48, de acordo com a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar). O valor mais alto era cobrado no Norte Pioneiro, na PR-323, BR-369 e BR-153, com uma média de R$ 22,80 a cada 100 quilômetros.
As carretas com vários eixos, chegam a ultrapassar os R$ 80 em algumas praças de pedágio. Na BR-277, rumo ao Porto de Paranaguá, vai até a R$ 90,60. Sempre houve muita insatisfação dos motoristas com os valores de pedágio e a falta de pistas duplicadas.
Por anos o contribuinte paranaense arcou com os altos custos do pedágio e a falta de boa manutenção das estradas e de obras que sequer foram honradas pelas concessionárias. Mas para os consumidores, mesmo que o governo anuncie melhorias e custos mais baixos, ainda há ceticismo.
Para quem aguarda os resultados é comum a ideia de que estão facilitando com a atual abertura de praças num ano político e a partir das eleições tudo vem com juros e correção monetária. Infelizmente é a dedução de quem sempre pagou caro para circular no Paraná. Muitos falam também da bitributação, pois o IPVA combinado com o pedágio é, de fato, uma cobrança duplicada. Ambos os custos cumprem a mesma finalidade e está na hora dos nossos legisladores se mexerem contra esse peso injusto.