Na edição que está nas bancas, VEJA revela áudios e documentos em que Daniel Vorcaro relata ter dado 30 milhões de reais em dinheiro vivo para um filme sobre Lula e também repassado quantias para o Instituto Lula.
A gravação do banqueiro e o relato levado por defensores dele até a PGR provocaram forte comoção no meio político e diferentes reações dos interlocutores envolvidos na investigação. VEJA revela agora um outro trecho da gravação em que Vorcaro relata ao interlocutor a reação de “Ubiratan”,
o auxiliar de Paulo Gonet na PGR, quando as acusações contra Lula foram apresentadas pelo advogado do banqueiro numa reunião na Procuradoria.
TRECHO DO AUDIO:
“Quando coloquei o Okamotto pra cá (na proposta de delação), na primeira vez que levei (por meio dos advogados) na PGR, ele (Ubiratan, braço-direitode Paulo Gonet) falou: ‘pelo amor de Deus, cê não tem nada disso aqui não’. Isso aqui é só… E aí eles usavam o argumento que é o seguinte: ‘isso aqui
foi em dinheiro, não consegue provar você tira tudo.’ Eles já saíram na largada assim”, diz Vorcaro.
O nome de Ubiratan é citado ao final dessa gravação, mas o trecho foi cortado por VEJA para preservar a identidade do interlocutor do banqueiro que cita o investigador.
A PGR, por meio de nota, disse que “as tratativas de colaboração premiada envolvendo Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado” e que “todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem
juízo nem recusas prévias”.
A Polícia Federal também divulgou nota dizendo que Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações” sobre o tema da reportagem. A reportagem de VEJA nunca mencionou que os áudios e documentos foram
apresentados à Polícia Federal.
A defesa de Daniel Vorcaro, por sua vez, confirmou que o dono do Banco Master “possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades”. Em outras palavras, pode relatar tudo que foi publicado por VEJA.
A desinformação é uma forma de tirar o foco de fatos importantes quando o contexto da mensagem é de difícil explicação ou comprovação por pessoas citadas. É o caso em questão.
O suposto depoimento de Vorcaro para a PF foi uma invenção da campanha do presidente Lula, uma informação que não consta na reportagem de VEJA, e que foi desmentida pela defesa do banqueiro porque não ocorreu, de fato.
VEJA, da mesma forma, não afirmou que Vorcaro foi pessoalmente falar “em primeira pessoa” com a PGR nem entrou em detalhes sobre a forma como
a história envolvendo Lula foi contada aos investigadores pela defesa do banqueiro.
Os relatos sobre tudo isso estão em áudios obtidos por VEJA com fontes próximas ao banqueiro que acompanharam todos os passos desde o início da
saga de Vorcaro para conseguir delatar na PGR ou na Polícia Federal – as identidades são preservadas para evitar que essas fontes, já sob forte ameaça,
sofram retaliaçõeS.