Em meio à crise econômica, quase um a cada dois brasileiros comprou carros através de consórcios

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Nos últimos anos, o brasileiro precisou conviver com crises econômicas, políticas e a pandemia da Covid-19, que foi considerada a crise sanitária mais grave do século. Além de matar mais de 6 milhões de pessoas em todo o mundo, o vírus gerou uma crise econômica generalizada, também em decorrência de políticas de isolamento social, que impediu áreas de trabalho consideradas de “não-essenciais” na sociedade.

Neste cenário, o brasileiro viu o crescimento exponencial de taxas de juros, inflação e, com isso, uma redução drástica no poder de compra. Quanto se trata de aquisição de bens de alto valor, o problema é ainda maior, uma vez que os carros, por exemplo, tiveram elevação de preços que superou a inflação, por conta da queda na linha de produção e a crise de global de microchips, ou semicondutores.

Com isso, os cidadãos precisaram pensar em alternativas para que, mesmo diante de uma das maiores crises globais da história recente, fosse possível construir patrimônio através da compra de uma casa, ou também de um automóvel.

Um dos meios encontrados pelas pessoas para conseguir arcar com os altos valores de aquisição de bens foi o consórcio. O método teve crescimento como uma alternativa ao alto juros do financiamento, por exemplo, que tem os juros cobrados pelos grandes bancos baseados na Taxa Selic A taxa básica de juros, como é chamada, saiu de 2% ao ano no período pré-pandemia para 13,75% atualmente.

Um estudo realizado pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) indica que o setor atingiu cerca de 1,85 milhão de cotas vendidas nos primeiros seis meses de 2022, um recorde da modalidade nos últimos 10 anos. Esses dados apontam um crescimento de 12,1% quando comparados com o mesmo período do ano anterior.

Esse crescimento acelerado fez com que quase um a cada dois carros vendidos no Brasil fosse comprado por meio de consórcios. A carta de crédito também ajudou o brasileiro a comprar mais de uma a cada duas motos e um a cada três caminhões.

Apesar do sucesso recente do consórcio, é preciso entender que cada modalidade tem vantagens e desvantagens, que precisam ser levadas em consideração pelo cliente no momento da compra. Enquanto o empréstimo pessoal e o financiamento são penalizados pela alta taxa de juros registrada atualmente, essas modalidades oferecem ao cliente uma rapidez e facilidade na aquisição do crédito imediato. O consórcio, por outro lado, depende da sorte do contratante para ser contemplado e tem desvantagens como a taxa de administração que é somada ao valor final e diluída nas parcelas.

É possível chegar à conclusão, portanto, de que o recente aumento considerável no número de consórcios se dá, sobretudo, pela alta taxa de juros que torna o modelo mais competitivo em relação a outras opções. No entanto, os casos devem ser analisados individualmente, dependendo do perfil financeiro e da necessidade de cada comprador. 

Segundo os economistas, a tendência para a inflação e para a taxa Selic é de redução no próximo ano, fato que pode novamente dar uma reviravolta na escolha dos brasileiros em relação aos métodos de aquisição de bens de alto valor no país.

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