A Polícia Federal encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que incluem menções ao ministro Dias Toffoli, relator do processo envolvendo a instituição financeira na Corte.
De acordo com revelações publicadas pela imprensa, mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, tratam de pagamentos à empresa Maridt, ligada a familiares de Toffoli. A PF suspeita que as conversas estejam relacionadas a transações envolvendo o resort Tayayá, no Paraná, vendido a um fundo com participação do Banco Master.
O conteúdo detalhado do relatório está sob sigilo. A Polícia Federal apresentou pedido de declaração de suspeição para que Toffoli se afaste da relatoria do caso. O presidente do STF encaminhou o material ao ministro para que se manifeste sobre eventual conflito de interesses.
Em nota, o gabinete de Toffoli classificou o pedido como baseado em “ilações” e afirmou que a PF não tem legitimidade para solicitar a suspeição, por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil. O ministro nega irregularidades e informou que apresentará resposta formal ao presidente da Corte.
Toffoli declarou a Fachin que é sócio da empresa Maridt ao lado de familiares e que recebeu dividendos regularmente declarados à Receita Federal. Segundo informou, quando o inquérito chegou ao seu gabinete, a empresa já não mantinha participação no resort Tayayá. A alienação da participação ocorreu em duas etapas: uma em setembro de 2021 e outra em fevereiro de 2025.
A defesa de Daniel Vorcaro criticou o vazamento de informações, afirmando que ele gera “constrangimentos indevidos” e compromete o devido processo legal. Os advogados reiteraram confiança nas instituições e pediram apuração técnica e imparcial.
O caso chegou ao STF após a defesa do empresário sustentar que material apreendido mencionava um deputado federal, o que atrairia a competência da Corte. Toffoli foi escolhido relator por sorteio e determinou a reunião dos inquéritos relacionados ao banco.
Parlamentares da oposição já haviam questionado a atuação do ministro no caso. Pedido anterior de afastamento, contudo, foi rejeitado pela Procuradoria-Geral da República.
O pedido de suspeição apresentado pela PF ainda será analisado no âmbito do Supremo. Até o momento, não há decisão sobre eventual afastamento do ministro da relatoria do processo.