ESQUELETOS DA LAVA JATO : DENÚNCIAS DE TONY GARCIA REVELAM NOMES DE ALVOS E INÉRCIA DA JUÍZA

ESQUELETOS

Na segunda-feira (17) mais uma entrevista de Tony Garcia ao portal 247 de uma hora e dez minutos, que é uma verdadeira bomba se realmente ele comprovar todos os fatos que cita e explica minuciosamente da relação entre ele e o ex-juiz Sergio Moro. São denúncias cabulosas com áudios que macularam imagens de diversas pessoas do judiciário e  empresarial do estado do Paraná.

Os caminhos subterrâneos desta ardilosa armação que delata Tony Garcia consistiam em apresentar provas e os caminhos de uma suspeita organização criminosa instalada no seio do sistema de justiça federal com falsos testemunhos do próprio Tony, segundo as três lives que somadas, ultrapassam mais de oito horas feias ao portal 247.

Coincidentemente na segunda feira (17), o corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, determinou que a juíza Gabriela Hardt preste informações até o dia 03 de agosto, sobre as ALEGAÇÕES DE INÉRCIA quanto a possíveis CRIMES PRATICADOS pelo ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (UB) e pelos procuradores da “lava jato”, além de supostas retaliações contra o empresário Tony Garcia.

Disse Salomão: “Considerando o contexto apresentado e tendo em vista a linha tênue que separa os atos simplesmente jurisdicionais dos que detêm relevância correcional, bem como a cautela peculiar afeta à atuação da Corregedoria Nacional de Justiça, salutar a apuração dos fatos”.

A decisão foi tomada em uma reclamação disciplinar protocolada pelo próprio Tony Garcia, que já foi deputado estadual do Paraná e delator da “lava jato”. O empresário alega que Hardt, quando atuava na 13ª Vara Federal de Curitiba, nada fez ao ser informada de que Moro o coagia a atuar como um “agente infiltrado”.                                                         

DIVERSOS ÁUDIOS E PEDIDOS DE MORO                                                                   

Tony Garcia já havia sido entrevistado pela primeira vez em junho, quando afirmou que foi usado durante dez anos para perseguir desafetos de Moro e dos procuradores.

Nesta segunda entrevista que fez ao Portal 247, revelou mais dados de como fez para gravar Beto Richa (PSDB), ex-governador do Paraná, e como foi cobrado para perseguir outros alvos da vingança a pedido do juiz Sergio Moro na época. Nomes do advogado Roberto Bertholdo, os juízes da festa da cueca, o desembargador Edgar Lippmann, o empresário Ênio Fornea, Sergio Maluceli, Dirceu do TRF4, Sergio Costa e Nego Scarpin, e outras autoridades foram relacionados por Moro a Tony Garcia, para que ele conseguisse detalhes de crimes a fim de poder realizar a prisão destes elementos.

Tony Garcia ainda revelou outros áudios de conversas entre ele e o ex-juiz Sergio Moro e Januário Paludo, o Procurador Regional da República, que teve suspeitas ligações com o ex-doleiro Dario Messer.

DENÚNCIAS REPASSADAS A GABRIELA HARDT

O empresário ainda disse que relatou os fatos a Hardt em 2021. Mesmo assim, o caso ficou parado até este ano, quando foi remetido ao Supremo Tribunal Federal pelo juiz Eduardo Appio, que assumiu a respectiva vara federal de Curitiba e hoje está afastado do cargo.

Segundo Garcia, as acusações contra Moro, “notório amigo” da juíza, renderam a ele retaliações por meio do cerceamento de sua defesa em alguns processos. Hardt teria, por exemplo, retardado injustificadamente a tramitação de uma ação e conduzido outra com velocidade fora do comum. Recentemente após a primeira entrevista, o ministro Dias Toffoli, do STF, determinou a suspensão dos processos que envolvem o empresário na Justiça Federal de Curitiba e no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

 AS SENTENÇAS DE GABRIELA HARDT
A magistrada substituiu o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União Brasil) na 13ª Vara de Curitiba ao final de 2018, quando ele pediu exoneração do cargo para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela permaneceu como titular até abril do ano seguinte.

Foi a juíza quem condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à prisão em fevereiro de 2019, no caso do sítio de Atibaia (SP). À época, ela copiou trechos da sentença do caso do tríplex do Guarujá (SP), na qual Moro também havia condenado Lula. As duas condenações foram, mais tarde, anuladas pelo STF.

No último mês de março, Hardt foi responsável por assinar os mandados de prisão e de busca e apreensão que foram cumpridos pela Polícia Federal contra nove suspeitos de planejar ataques a autoridades, entre as quais estaria Moro.

Ela fundamentou suas conclusões no relato de um delator e em mensagens codificadas de celular. O suposto plano, que envolvia o sequestro de autoridades penitenciárias, já foi mencionado em diversas outras ocasiões, nas quais Moro não era citado.

Em maio, a juíza voltou a assumir os casos da 13ª Vara após o afastamento de Appio. No mês seguinte, ela deixou o Juízo para atuar na 3ª Turma Recursal do Paraná.

Hardt também é alvo de uma representação no Conselho Nacional de Justiça por possível infração disciplinar e atuação fora de sua competência no acordo que criou um fundo com dinheiro da Petrobras para ser administrado pelos procuradores da “lava jato”. O termo, que previa o depósito de R$ 2,5 bilhões, foi assinado em 2019 e homologado pela juíza, segundo os dados do site CONJUR.COM

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