O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), negou nesta quarta-feira (25) qualquer racha no campo da direita e afirmou que o grupo está alinhado em torno de um “projeto de país”. A declaração foi feita durante reunião da bancada do PL, em meio a um novo episódio de tensão envolvendo aliados da família Bolsonaro.
“Não tem puxão de orelha, não tem cobrança de nada. Tá todo mundo aqui muito consciente de qual é o objetivo, que é resgatar o nosso Brasil”, disse o senador.
Nos últimos dias, o ambiente entre lideranças conservadoras foi tensionado após críticas públicas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro a Nikolas Ferreira e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Eduardo afirmou que ambos não estariam demonstrando apoio suficiente à pré-candidatura de Flávio e sugeriu que teriam “amnésia” ao esquecer o papel do ex-presidente Jair Bolsonaro em suas trajetórias políticas.
Nikolas rebateu no sábado (21), negou qualquer distanciamento e afirmou que Eduardo “não está bem”. Apesar do ruído, Flávio buscou demonstrar unidade ao sentar-se ao lado de Nikolas durante a reunião do partido, assumindo o papel de articulador para conter o desgaste público.
PEC do mandato único
No mesmo movimento de sinalização política, Flávio protocolou uma proposta de emenda à Constituição que prevê mandato único para presidente da República, sem possibilidade de reeleição. Segundo ele, a iniciativa demonstra desapego pessoal.
“Acho que é um gesto que eu dou para mostrar que esse aqui não tem projeto pessoal, é um projeto de país”, declarou.
Após retornar dos Estados Unidos, o senador visitou o pai, que está na Papudinha, e afirmou que pretende reunir a família para “aparar arestas”. “Não tenho problema em dizer que vou procurar um por um”, disse.
Pressão por engajamento digital
Durante o encontro do PL, o deputado federal Marco Feliciano também defendeu maior mobilização nas redes sociais em torno do nome de Flávio. Ele citou como exemplo o alcance digital de Nikolas Ferreira, que soma mais de 20 milhões de seguidores, e cobrou engajamento unificado de pré-candidatos ao Senado, aos governos estaduais e à Câmara.
A estratégia digital é vista como peça-chave para consolidar a candidatura antes da definição oficial do cenário eleitoral.
Mercado reage com cautela
Paralelamente à movimentação política, números recentes da pesquisa Atlas/Bloomberg indicaram empate técnico em eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O levantamento aponta 46,3% para o senador e 46,2% para Lula, com 7,5% de votos brancos, nulos ou indecisos.
O resultado foi recebido com ceticismo por representantes do mercado financeiro e por interlocutores que acompanham o cenário no Congresso. A avaliação predominante é de que o processo eleitoral ainda está em fase inicial e que Flávio, apesar do crescimento nas simulações, enfrenta resistências e possui “teto de vidro” que pode limitar sua expansão.
Nos bastidores, a leitura é de que a consolidação precoce do nome do senador era previsível dentro do campo bolsonarista, mas o desafio será ampliar apoios para além da base fiel e administrar tensões internas antes que elas se transformem em desgaste estrutural.
Entre gestos de pacificação, propostas simbólicas e disputas narrativas nas redes, a direita tenta demonstrar unidade. Resta saber se o esforço será suficiente para atravessar o calendário eleitoral sem novas fissuras públicas.