Galhardo é acusado de manter assessora fantasma após vender cargo por R$ 30 mil

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“Nunca vi essa mulher por aqui”, garante, sob a condição de anonimato, uma servidora de carreira da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu (CMFI) após o jornal Primeira Linha apresentar fotografia de Fabiana Santos da Silva Oliveira. Lotada no gabinete do vereador Galhardo desde novembro de 2021, a assessora contratada para cumprir expediente na Casa de Leis também é considerada desconhecida por assessores de gabinetes próximos ao do parlamentar responsável por sua nomeação.

A denúncia de que Fabiana atuaria como “funcionária fantasma” no gabinete do vereador Galhardo chegou ao jornal Primeira Linha em 24 de março passado, um dia após publicação de reportagem sobre possível esquema de “rachadinha” praticado por Galhardo com Felipe Menger.

“Querem saber de outro esquema de corrupção do vereador Galhardo? Investiguem a relação dele com a família da Fabiana. O marido dela passou R$ 30 mil para o Galhardo ainda durante as eleições de 2020, com o acordo de que se fosse eleito, uma das quatro vagas do gabinete seria dele até o final do mandato. E é isto que está acontecendo. A Fabiana não precisa nem cumprir expediente, o marido dela é dono da vaga”, denunciou anonimamente um leitor deste jornal.

Diante da denúncia, a reportagem apurou que o marido de Fabiana seria Aloir Oliveira. A informação foi endossada por Felipe Menger. “Ainda no período em que eu mantinha uma relação próxima com o Galhardo, eu soube do vereador que o Aloir teria comprado uma vaga da assessoria por R$ 30 mil. Só que o Aloir não pôde assumir o cargo por não ser alfabetizado, por isso entrou o Bruno, filho dele”, detalha Menger.

Procurado na tarde deste domingo (07), o vereador Galhardo confirmou que o marido de Fabiana chegou a ser indicado para ocupar uma vaga em seu gabinete, porém, conforme confirmado pelo próprio vereador, terminou não sendo efetivado por não possuir escolaridade exigida pela CMFI.

Diante da impossibilidade de contratação de Aloir a reportagem apurou que a vaga passou a ser ocupada então por seu filho, Bruno da Silva Oliveira. De acordo com informações do Portal da Transparência da CMFI, a nomeação de Bruno se deu já no início do mandato de Galhardo, em 11 de janeiro de 2021. Por razões que a reportagem não conseguiu apurar, o filho de Aloir foi exonerado, para, em seguida, sua esposa Fabiana ser alçada ao cargo “familiar”.

“O Aloir tem uma empresa de transporte na Vila Portes e a Fabiana trabalha com ele. Quer comprovar que ela não cumpre expediente na Câmara Municipal, basta pedir imagens das câmeras de monitoramento da Câmara Municipal. Façam isso e vocês terão a prova de que a Fabiana é funcionária fantasma”, encerra o denunciante anônimo. Para apurar a suspeita levantada, o jornal Primeira Linha esteve na casa de Fabiana, situada no bairro Morumbi. Sem se identificar como jornalista, a reportagem conversou com a esposa de Eloir e confirmou que a assessora do vereador Galhardo estava em sua residência em pleno horário de trabalho como assessora parlamentar.

Em outra frente de apuração, a reportagem também compareceu na sede da empresa de Aloir, uma transportadora com atuação na região da Vila Portes. Em conversas com vizinhos do local, foi confirmada que Fabiana acompanharia o marido em sua rotina de trabalho, sobretudo no período da manhã. De acordo com o expediente da CMFI, os assessores devem cumprir jornada das 8h às 14h, de segunda a sexta-feira, com salário mensal de R$ 9.646,14.

“NORMAL”

Questionado sobre a rotina de Fabiana em seu gabinete, o vereador Galhardo se limitou a afirmar que é “normal”. “E também trabalho de campo, somos os recordistas de indicações e requerimentos. E ela faz parte deste trabalho”, pontuou.

Sobre a motivação que o levou a indicar três pessoas de uma mesma família para ocupar uma vaga de assessor em seu gabinete, Galhardo titubeou e não respondeu. “É de livre escolha. Não tenho nada com Aloir, não prometi cargo para ninguém”, afirmou sem explicar sua ligação com Aloir e seus familiares.

Da mesma forma que fez diante das acusações de “rachadinha” sustentadas por Felipe Menger, Galhardo rebate as suspeitas sobre a possível funcionária fantasma sob o argumento de perseguição política. “Novamente tentam me arrastar para situações que não existem. Não há nenhuma irregularidade em absolutamente nada. O jogo dos bastidores é forte. Principalmente quando se declara independente. Sigo trabalhando com muita tranquilidade”, finalizou.

A reportagem tentou contato com Aloir e Fabiana, via Facebook, porém, não teve respostas até a publicação desta matéria.

Fonte: Primeira Linha

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