A ambição pela gastança do fundo eleitoral pode fazer o PT retirar candidatura de Roberto Requião, no estado do Paraná. A conversa começou a tomar corpo nesta semana, porque a disputa interna por recursos do partido oriundos do fundo eleitoral fará o PT retirar, pelo menos, quatro candidaturas que hoje estão colocadas para o cargo de governador, segundo as informações da Folha de S.Paulo, nesta semana.
De acordo com o jornal, “o PT tem 13 pré-candidaturas colocadas — número que deverá ser reduzido para cerca de nove segundo estimativas de lideranças petistas”.
A direção nacional do partido afirma que o foco do PT será a eleição presidencial e a disputa para Câmara dos Deputados. Por essa razão, as candidaturas ao executivo estadual estão sofrendo um corte de 50% em relação à verba repassada nas eleições de 2018.
Portanto, o PT não quer perder tempo nem dinheiro com candidaturas que serão consideradas uma canoa furada para o partido e não competitivas mesmo com alto investimento. É o caso do Paraná. Diante de um cenário iminente de derrota para o atual governador Ratinho Junior, que lidera disparado em todas as pesquisas, Requião poderia ser rifado e o partido não irá gastar vela com defunto ruim.
50% DE CORTE NA CAMPANHA PARA GOVERNOS ESTADUAIS
A fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o fundo eleitoral, que o PT irá reservar para campanhas aos governos estaduais deste ano é quase metade da que foi destinada a elas em 2018. Naquele ano, o PT repassou cerca de R$ 32 milhões para as campanhas a governador, o que representou 15% do total do fundo eleitoral da legenda (R$ 212,2 milhões),segundo os dados da Folha.
Em 2022, com aumento significativo dos recursos do fundo, o partido terá R$ 499,6 milhões para dividir em suas campanhas. Segundo determinação do diretório nacional do PT, a fatia reservada aos candidatos a governador será de R$ 41,7 milhões, ou seja, 8,34% do total.
Ainda não foram estabelecidos critérios para a divisão desses recursos-mas a questão já causa apreensão entre as pré-candidaturas.
Um membro do PT ouvido sob reserva afirma que essa redução cria um desafio maior para candidatos que buscam sua eleição em estados onde o PT não governa atualmente. Além disso, diz que obriga que os candidatos busquem formas alternativas de financiamento, como a promoção de eventos, jantares e campanhas de arrecadação.
O PT já sinalizou que a prioridade número 1 da sigla neste ano é a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência.O comitê de campanha de Lula terá direito a 26,03% do fundo, o que representa pouco mais de R$ 130 milhões.