O governo do presidente Lula da Silva mais uma vez resolveu entrar na disputa pelos louros de uma obra estratégica para o Paraná. Depois dos leilões do pedágio, a concessão do Canal da Galheta, acesso marítimo ao Porto de Paranaguá, virou motivo de uma queda de braço política com o governador Ratinho Junior.
O Palácio Iguaçu havia marcado para quarta-feira (11), uma cerimônia em Paranaguá para celebrar o contrato da concessão do canal — projeto defendido e estruturado pelo governo paranaense. Mas o evento acabou cancelado depois que Brasília entrou em campo. Nos bastidores, a ministra Gleisi Hoffmann teria articulado para levar a solenidade para o Palácio do Planalto. Resultado: a assinatura do contrato acontece agora em Brasília, com o governo federal tentando capitalizar politicamente uma iniciativa que nasceu no Paraná. A concessão do Canal da Galheta prevê investimentos de cerca de R$ 1,23 bilhão e permitirá ampliar o calado do acesso ao porto para 15,5 metros, possibilitando a entrada de navios maiores.
Enquanto o Planalto tenta posar de protagonista, nos bastidores a avaliação de aliados do governo estadual é direta: a ideia nasceu no Paraná, mas Brasília quer aparecer na foto. O Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD), liderado pela FTS Participações Societárias S.A., que venceu o leilão realizado em dezembro do ano passado.