Há muito tempo vem se falando dessa desproporcionalidade política e financeira que envolve os estados do sul em relação aos estados do nordeste. Uma situação que se repete por vários governos sem que haja algum envolvimento de autoridades com a vontade colocar realmente o dedo nessa ferida por acomodação ou com medo de ter a imagem política abalada. O receio de modificar este sistema faz parte de um jogo político de interesses dos estados do Norte e Nordeste que se beneficiam vergonhosamente sem dar devida compensação a quem merece e produz no país.
No mês passado foi dado um pontapé inicial com a criação do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) e do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) com os governadores Ratinho Junior (PR), Eduardo Leite (RS), Jorginho Mello (SC), Tarcísio Freitas (SP), Cláudio Castro (RJ), Romeu Zema (MG), Renato Casagrande (ES) e Eduardo Riedel (MS) que defendem o avanço da reforma para a modernização do sistema tributário, mas sem prejudicar os estados.
Um dos temas discutidos pelos governadores é a proposta de criação de um Conselho Federativo para iniciar este primeiro debate. Os governadores do Sul e Sudeste, em especial Paraná, São Paulo e Santa Catarina, defendem que o órgão reflita o real peso dos estados, levando em conta a proporcionalidade de suas populações. Este conselho será muito importante, porque terá um peso em cima de toda essa discussão tributária, e necessariamente precisará ter uma igualdade entre os estados e as regiões em suas votações, inclusive na quantidade de políticos que devem representar cada estado que hoje estão totalmente fora desta proporcionalidade.
RATINHO JR. E OS PREJUÍZOS DA DESIGUALDADE
O Consórcio Sul-Sudeste (Cosud) é atualmente presidido pelo governador Ratinho Jr. e ele ao assumir o cargo disse que : “Todos nós somos favoráveis e achamos que a reforma tributária deve avançar. Poder melhorar o sistema tributário é um compromisso do parlamento, dos governadores e prefeitos com o Brasil. O avanço é necessário, mas precisamos ter uma posição muito firme para que os estados do Sul e do Sudeste tenham um grau de igualdade com as outras regiões. Da forma como está, nossos estados estão sendo prejudicados”.
ZEMA DESEJA O ‘PROTAGONISMO’ DO SUL-SUDESTE
Nesta semana o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, defendeu em entrevista ao Estadão ações de uma frente para o “protagonismo” político das regiões Sul e Sudeste e evitar perdas econômicas, que causou repercussão em todo o país por apresentar dados verídicos desta desproporcionalidade.
“Temos 256 deputados – metade da Câmara – 70% da economia e 56% da população do país. Não é pouco, né? Já decidimos que, além do protagonismo econômico que temos nós queremos – que é o que nunca tivemos – que é protagonismo político”, afirmou.
“Ficou claro nessa reforma tributária que já começamos a mostrar nosso peso. Eles queriam colocar um conselho federativo com um voto por Estado. Nós falamos, não senhor. Nós queremos proporcional à população. Por que sete Estados em 27, iríamos aprovar o quê? Nada. O Norte e Nordeste é que mandariam. Aí, nós falamos que não. Pode ter o Conselho, mas proporcional. Se temos 56% da população, nós queremos ter peso equivalente.”
REPERCUSSÃO DA FALA DE ZEMA
Muitos petistas após a declaração de Zema tentaram distorcer a fala relacionando a uma idéia separatista e discriminatória. A própria presidente do PT, Gleisi Hoffmann não perdeu a chance de atacar um possível adversário de Lula em 2026 dizendo: “Só mesmo o bolsonarista Zema para propor união Sul-Sudeste contra o Nordeste. Preconceituoso e atrasado”.
Após as criticas, Zema voltou ao tema em suas redes sociais.
“A união do Sul e Sudeste jamais será pra diminuir outras regiões. Não é ser contra ninguém, e sim a favor de somar esforços. Diálogo e gestão são fundamentais pro país ter mais oportunidades. A distorção dos fatos provoca divisão, mas a força do Brasil tá no trabalho em união.”
APOIO DE EDUARDO LEITE
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Eduardo Leite, as falas de Zema foram descontextualizadas
No site UOL, a única autoridade de peso a apoiar publicamente as falas de Zema foi o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB-RS).
“Seremos todos mais fortes quanto mais formos um só Brasil. Não acredito que o governador Zema tenha dito nada diferente disso. Se disse, não me representa”, escreveu em suas redes sociais.
A DISCREPÂNCIA DE VALORES RECEBIDO EM RELAÇÃO AO QUE RETORNA: