Jus sperniandi de Valentina mostra “PT fugidio” em Foz do Iguaçu

RGFDGRE

A filiação da vereadora Yasmin Hachem ao PT de Foz do Iguaçu neste sábado (29) ainda não desceu ao grupo da vereadora Valentina Rocha, que controla o diretório municipal.

Em nota, classificada como “ridícula” por membros da direção nacional do partido, a executiva municipal aponta que o ato da filiação de Yasmin teve “caráter inicial e simbólico, não configurando, neste momento, a formalização da filiação”. “O partido informa ainda que será iniciado um processo de debate interno para deliberar sobre o tema”.

No entanto, a ficha foi abonada pela ministra Gleisi Hoffman (Relações Institucionais), pela deputada Ana Júlia e pelo deputado Zeca Dirceu. O próprio estatuto do PT, alegado pelo diretório municipal para debater a filiação de Yasmin, traz no parágrafo 1º do capítulo III (da filiação partidária) que a “filiação de líderes de reconhecida expressão, detentores de cargos eletivos ou dirigentes de outros partidos deverá ser confirmada pela Comissão Executiva Estadual e, no caso de mandatários ou mandatárias federais, pela Comissão Executiva Nacional”.

A bronca de Valentina já externada no próprio sábado, segundo um petista, é um jus sperniandi (direito de espernear após decisão contrária sem chances reverter uma situação). “Revela mais sobre a Valentina do que o PT. A reeleição do presidente Lula está acima de projetos políticos pessoais”, avalia um advogado filiado ao PT.

*Vácuo*
No sábado, Gleisi, Ana Júlia e Zeca Dirceu ainda chancelaram as filiações da estudante Assucena da Rocha Rodrigues, a professora Silvana Souza e o jornalista Ivan Seixas. Assucena é líder estudantil, faz o curso de história na Unila e milita no MST. Silvana é doutora em Educação e coordena o curso de mestrado na Unioeste. E Ivan Seixas é militante histórico da luta contra a ditadura militar, fundador do PT em 1980, e volta ao partido depois de 40 anos.

Desde 2005, o PT não elegia um representante no legislativo municipal. Em 2024, já pela Frente Brasil Esperança (PT, PV e PCdoB) foram eleitas Yasmin (2.309 votos) e Valentina (2.050 votos) e com boa votação dos suplentes: Luiz Henrique (1.790 votos), Professora Luciana Moreira (1.735 votos), Ian Vargas (1.422 votos) e Mazé Saad (1.162 votos).

Nas eleições para prefeito em 1985, 1988, 1992, 2012 e 2020 – quando teve candidato -, o resultado do PT foi pífio. Nas últimas cinco eleições presidenciais (quatro no comando da Itaipu Binacional), o partido oscilou na casa dos 30% dos votos. “A partir de 2024 era hora do partido se organizar organicamente com lideranças formuladoras. O que vemos hoje é um diretório familiar ligado a vereadora Valentina”, desabafou o advogado petista.

“Lideranças como a vereadora Yasmin que fez mais de 4,5 mil votos nas duas últimas eleições pode ampliar a base do PT em Foz do Iguaçu”, completou.

Compartilhe