A Justiça Eleitoral do Paraná determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa de intenção de voto registrada pelo instituto Paraná Pesquisas e contratada pelo Partido Liberal (PL). O levantamento, registrado sob o número PR-06254/2026, tratava de cenários para a eleição ao governo do Paraná e ao Senado.
A decisão liminar foi proferida pela desembargadora eleitoral Sandra Bauermann, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, após representação apresentada pelo Diretório Estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB), de Luciano Ducci. Com a medida, fica proibida a divulgação dos resultados da pesquisa até nova análise da Justiça Eleitoral.
Questionamentos sobre o questionário
Na ação judicial, o PSB argumentou que o levantamento apresentaria falhas formais e metodológicas capazes de comprometer a neutralidade das perguntas feitas aos eleitores e, consequentemente, a confiabilidade dos resultados.
Um dos pontos destacados pelo partido foi o formato do questionário aplicado aos entrevistados. Segundo a representação, alguns pré-candidatos apareciam associados a lideranças políticas de grande projeção nacional ou estadual, enquanto outros nomes eram apresentados sem qualquer referência semelhante.
Entre os exemplos citados estavam menções como “Requião Filho com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, “Giacobo com apoio de Jair Bolsonaro” e “Guto Silva com apoio do governador Ratinho Júnior”. Para o PSB, esse tipo de associação poderia induzir o entrevistado e gerar vantagem indevida a determinados pré-candidatos.
Cenários de segundo turno também foram questionados
Outro ponto levantado na representação diz respeito à construção dos cenários de segundo turno apresentados na pesquisa. De acordo com o PSB, o nome do senador Sergio Moro aparecia em todos os cenários simulados de disputa direta, enquanto outros pré-candidatos não foram incluídos nessas projeções.
Na avaliação do partido, essa estrutura poderia reforçar a presença de um único candidato e influenciar a percepção dos eleitores entrevistados.
Além disso, também foram levantadas dúvidas sobre aspectos metodológicos do levantamento, como a previsão de auditoria de apenas 30% dos questionários aplicados — o equivalente a 450 entrevistas em um universo de 1.500 — e a forma de estratificação das faixas etárias da amostra, que segundo o PSB divergiría da base oficial de dados do eleitorado disponível no Tribunal Superior Eleitoral.
Avaliação da Justiça Eleitoral
Ao analisar o pedido de liminar, a desembargadora Sandra Bauermann considerou que parte das alegações apresentadas não demonstrava irregularidades suficientes para justificar a suspensão do levantamento. Entre esses pontos, a magistrada citou o sistema de auditoria das entrevistas e pequenas variações nos percentuais das faixas etárias, que foram consideradas sem impacto relevante na metodologia.
Por outro lado, a relatora entendeu que outros aspectos levantados pelo PSB apresentam indícios de irregularidade. Segundo a decisão, a associação de determinados pré-candidatos a padrinhos políticos no questionário pode gerar quebra de isonomia entre os concorrentes e influenciar o eleitor entrevistado.
A magistrada também apontou que a repetição de um mesmo nome em todos os cenários de segundo turno, sem a inclusão de outros possíveis concorrentes, pode provocar desequilíbrio na disputa e destacar artificialmente determinadas alternativas.
Suspensão até julgamento do mérito
Com base nesses elementos, a desembargadora concluiu estarem presentes os requisitos legais para concessão da tutela de urgência, especialmente a probabilidade do direito e o risco de dano ao processo eleitoral.
Na avaliação da magistrada, a divulgação da pesquisa antes da análise completa do caso poderia influenciar de forma irreversível a opinião pública e comprometer a igualdade de condições entre os pré-candidatos.
Diante disso, foi determinada a suspensão imediata da divulgação da pesquisa até o julgamento do mérito da ação. A decisão também estabelece multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da ordem judicial.