Lula esteve com o dono do Banco Master no Palácio antes de escândalo financeiro cair na boca do povo

GGRTRTR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu no Palácio do Planalto, em 4 de dezembro de 2024, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, antes de o escândalo de fraude financeira envolvendo a instituição se tornar público. A reunião foi revelada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, em março do ano passado, e confirmada pela Folha de S.Paulo à época.

Vorcaro esteve no Planalto acompanhado do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Inicialmente, Mantega tinha uma reunião agendada com o chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Após o encontro, pediu para falar diretamente com Lula.

Segundo interlocutores do governo, o presidente chamou para a conversa os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além de Gabriel Galípolo, que à época era diretor do Banco Central e atualmente ocupa a presidência da autoridade monetária.

Durante a reunião, Daniel Vorcaro teria reclamado com Lula sobre a concentração do mercado bancário no Brasil. O presidente respondeu que o tema deveria ser tratado tecnicamente pelo Banco Central e solicitou que Galípolo analisasse o assunto.

Registros oficiais indicam que Vorcaro esteve no Planalto em outras ocasiões. Há ao menos três entradas do banqueiro registradas na portaria da Secretaria de Relações Institucionais, órgão responsável pela articulação política do governo federal.

O escândalo envolvendo o Banco Master tornou-se sensível em Brasília devido às relações de Vorcaro com figuras do meio político. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foi citado em depoimento pelo empresário. Segundo Vorcaro, ambos conversaram algumas vezes, inclusive sobre a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação que acabou sendo barrada pelo Banco Central.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), também é apontado por integrantes do meio político como próximo de Vorcaro e teria atuado nas negociações entre o Banco Master e o BRB.

O caso também gerou repercussões no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Dias Toffoli é o relator do processo relacionado ao escândalo financeiro. Parentes do magistrado foram associados a um fundo ligado ao Banco Master, e Toffoli determinou grau elevado de sigilo sobre o inquérito.

Outro foco de desgaste envolve o ministro Alexandre de Moraes, em razão de um contrato de R$ 3,6 milhões mensais firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci.

De acordo com reportagens da Folha, Lula tem demonstrado irritação com a condução do caso por Toffoli. O presidente teria afirmado a aliados, de forma reservada, que o ministro deveria deixar o STF por meio de renúncia ou aposentadoria. Nos últimos dias, Lula deu sinais de que não pretende defender Toffoli das críticas públicas relacionadas ao caso.

O presidente acompanha o andamento das investigações e as repercussões sobre a atuação do magistrado. Ele já teria discutido o tema com Toffoli no fim do ano passado e sinalizou a intenção de chamá-lo novamente para uma conversa sobre sua conduta no inquérito.

Apesar das declarações reservadas, auxiliares do governo avaliam que Lula dificilmente proporá formalmente o afastamento de Toffoli do Supremo ou a retirada do ministro da relatoria do caso.

Na sexta-feira (23), Lula comentou publicamente o escândalo. “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, afirmou o presidente.

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