No centro do cenário está “Lulice das Maravilhas”, um personagem que vive em um mundo político paralelo, colorido e autocelebratório. No terceiro ato de sua longa jornada, Lulice acredita que tudo gira ao redor de sua vontade e que cada gesto seu é aplaudido por um povo eternamente grato. Nesse universo encantado, críticas não existem, erros são sempre culpa de terceiros e o poder se sustenta não por resultados, mas por alianças compradas, partidos cooptados e discursos reciclados. É um reino onde a realidade bate à porta, mas raramente é convidada a entrar. Um discurso abstrato em horário nobre que revela um país das ilusões e sem os famigerados rombos e descontroles governamentais de um ex-presidiário.
Guiando Lulice pelos caminhos tortuosos do País das Maravilhas surge Zé Dirceu, o Coelho Branco. Sempre apressado, cochicha planos de longo prazo e promete um projeto de poder eterno como o Foro de São Paulo, embrulhado em discursos ideológicos sobre justiça social. Embora pregue austeridade para o povo, o Coelho vive cercado de conforto, luxo e bastidores nebulosos.
Na mesa do chá econômico está Fernando Haddad, o Chapeleiro Maluco. Confuso, troca números por narrativas e improvisa soluções como quem costura um chapéu furado em pleno vendaval. Sem domínio do próprio ofício, vive de remendos fiscais, emendas salvadoras e discursos otimistas que insistem em afirmar que “está tudo sob controle”, enquanto a economia dança conforme a música do improviso. No seu País das Maravilhas, déficits são virtudes e promessas substituem planejamento.
Sorrindo de forma enigmática, aparece Janja, a Gata de Cheshire. Ela surge e desaparece conforme a conveniência, deixando rastros de viagens internacionais, cartões corporativos estourados e discursos vazios. No lugar da discrição esperada, opta pelo exibicionismo; no lugar da função social, prefere os holofotes. Sua presença é constante, mas seu papel é difuso — sobra imagem, falta substância. No reino, sua gargalhada ecoa mais alto que qualquer resultado concreto.
Por fim, dominando o tabuleiro com mão pesada, reina Gleisi Hoffmann, a Rainha de Copas. Autoritária e temperamental, exige lealdade absoluta e ameaça cortar cabeças políticas sempre que a base demonstra sinais de autonomia. Derrotas sucessivas são tratadas como vitórias morais, e a dependência do Estado é cultivada como instrumento de controle. Para a Rainha, o importante não é convencer, mas manter todos sob vigilância emocional e política.
Assim segue o Brasil de Lulice, “o País das Maravilhas”: um lugar onde o discurso vale mais que os fatos, onde o poder se sustenta por encantamento e onde o povo assiste, do lado de fora, tentando entender quando o espelho vai quebrar — e a fantasia, finalmente, dar lugar à realidade.