No domingo (05), depois de algum tempo, voltei ao Estádio Olímpico de cascavel, com meu tradicional pé-quente, para ajudar o Cascavel a dar uma nova surra no Coritiba. Foi uma tarde alegre, e a vitória fácil foi apenas um dos fatores. Agora, no sábado, dia 11, enfrentaremos o Coxa em sua casa, com sua torcida, seus árbitros, seus bandeiras, etc. Mas dá pra ganhar, e se não der, veremos um time lutador que honra a camisa e a cidade. (Parabéns ao Valdinei e à sua diretoria).
Entre os outros fatores estão os abraços em amigos antigos, e a presença dos meus diversos heróis, gente que admiro sem conhecer. Apesar da bravura, não me refiro aos jogadores.
São aqueles brasileiros anônimos, que vendem amendoim, pé-de-moleque, paçoquinha, maçã do amor (só aqui tem), pipoca, pastel e tudo o mais que possa ser mastigado. Eu não sei se é a lembrança de quando meu pai quebrou (uma das muitas vezes, corrijo) e eu o acompanhava vendendo laranjas num caminhãozinho nas esquinas, e como eu vibrava quando vendia alguma, mas o fato é que me emociono com o trabalho honesto desses pais de família que vendem essas coisas sem muito lucro, para levar comida pra casa.
Convidei meu neto Artur pra ir junto, ele preferiu ficar com os amigos, não é muito chegado em futebol. Na volta, contei a ele que tinha tudo aquilo, era uma festa, ele se interessou um pouco com os detalhes da maçã do amor. Aí eu disse que quando juiz apitava contra o nosso time, a torcida podia, livremente, sem Alexandre de Moraes aporrinhando, gritar bem alto: Ei, juiz, vá tomar no…”. E que nos momentos mais tensos, todos gritavam: “filho da p…!! Filho da P…!!!”.
Confirmei que ele podia entrar no coro, mas apenas no estádio, e jamais fora dali, e ele me garantiu: “não pense em me deixar de fora no próximo…”.
LUIZ FERNANDO PEREIRA NO STJ
Luiz Fernando Pereira
Com o prestígio nas alturas nos meios jurídicos do país, o cascavelense Luiz Fernando Pereira defendeu esta semana no plenário do STJ uma tese relativa aos índices de correção das execuções judiciais. Segundo o Luiz Fernando, correções reduzidas são um incentivo, um prêmio aos grandes devedores do país, entre os quais se destacam bancos, seguradoras e grandes grupos econômicos, que usam as protelações como instrumento de pressão nos credores, visando a lucrar de forma ilegal com essas idas e vindas processuais.
Advogados amigos que assistiram comigo a defesa oral foram unânimes em relação ao brilho da argumentação. Quando o resultado for divulgado, conto aos senhores.
A VERGONHA DA BR-277
Quando o FHC, numa ação malandra como era sua marca registrada, lá em 1997, propôs que os estados licitassem a entrega das rodovias federais do Paraná a empresas particulares, com a conseqüente cobrança de tarifas por serviços que já pagávamos embutidas na pesada carga tributária, a nata da pilantragem vibrou e aplaudiu. Estava aberto o caminho para uma roubalheira de tal dimensão que acabou sendo explícita. Impossível esconder tanta propina. Veio o pedágio, ficou décadas superfaturando as tarifas, a Lava Jato achou uma brecha e prendeu algumas pessoas, o STF e o MPF soltaram logo, algumas delações premiadas, (muito bem premiadas) e ficou claro para todo o estado que tanto o DER quanto a Agência Reguladora que deveria fiscalizar as planilhas estavam corrompidos pelas empresas, cúmplices num roubo bilionário ao longo dos anos.
Advogados tiraram rapidamente todos os corruptos e corruptores da cadeia e a vida continuou.
Todos sabiam e acompanhavam isso durante todo o tempo.
Agora um trecho que esteve durante décadas pedagiado, na 277, entre Curitiba e Paranaguá, está desabando. Não dá mais pra passar em muitos dias do ano, e quando dá pra transitar é com um risco enorme de novas mortes.
E aí nós somos obrigados a assistir a meia dúzia de malandros dando entrevistas, contando que tudo é culpa dos últimos dezessete meses, quando o pedágio deixou de ser cobrado, pela finalização do prazo.
Não fizeram nada em 25 anos, e dizem que a rodovia está podre porque está há 17 meses sem pedágio.
É muita canalhice.
No momento, a situação é a seguinte:
1-Rodovia interditada neste dia 08, impedindo a super safra de chegar a Paranaguá;
2-Os deputados que votaram sob ordem do Ratinho Jr. para a entrega (já concretizada) de trechos novos, de rodovias do estado, feitas e pagas pelos paranaenses, ao governo federal, para que o amigo das concessionárias, o Tarcísio então ministro, fizesse a licitação nos seus moldes, dando às empresas todos os privilégios possíveis, estão discursando que vão resolver a situação, DEPOIS DE ENTREGAR OFICIALMENTE AS RODOVIAS;
3-O governador Ratinho quer pedágio caro, para fazer obras e não apenas roçadas e tapa-buracos;
4-A imprensa falando bobagens o tempo todo. Ontem, dia 07, eu ouvia o competente radialista da CBN Cascavel, o Roberto Benjamin, conversando com um jovem “analista político” da rádio, que falava: “pois é, enquanto não começarem a cobrar o novo pedágio, os prejudicados são os paranaenses que ficam com rodovias esburacadas…”. Sinceramente, fiquei com pena do rapaz. Esqueceu dos roubos, da comparação com outros estados, e nem deve saber que as rodovias já construídas, federais e estaduais, foram pagas pelos brasileiros. E muito bem pagas: pagamos uma das maiores cargas tributárias do mundo pra quê?
5-Os malandros, de forma inteligente, desviaram o rumo da discussão. Enquanto discute-se o valor da tarifa, fica esquecido o ponto principal: a União, com um simples corte de despesas e mordomias, poderia muito bem voltar a cuidar das rodovias, como sempre fez. No Paraná, então, é até covardia: um dos estados mais ricos do país, ouve de repente o Governador alegar que não tem dinheiro para rodovias e todos calam a boca. Tem sim: onde foi o dinheiro da venda da Copel? Os lucros extorsivos da Sanepar? As receitas recordes vindas do agronegócio que só faz crescer? O ICMS que dobra sua arrecadação a cada dois anos?
6-Além de referendar as planilhas das concessionárias que exploravam as rodovias, para aprovação dos vigaristas da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná, o que faz o DER? Os diretores presos, das concessionárias que superfaturavam a tarifa, confessaram que há mais de 20 anos pagavam propina para alguns diretores do DER. Não é um roubo esporádico, um funcionáriozinho qualquer que se deixou levar pela chance do ganho fácil. É um sistema contínuo de corrupção, ano após ano, que fazia com que os diretores associados (do DER) já incluíssem a propina no seu orçamento mensal. (Salário, 13º, adicional de férias, hora extra, propina. Feitas as contas, dava pra ter apartamento em Camboriú, carro importando, viajar pra Cancun, sonho de ladrão barato).
7- Tem solução, no caso do Paraná? Tem sim. Extingue o DER, cria um novo órgão para cuidar das rodovias. Função única, sem desvios de finalidade. Acha uma pessoa séria para administrar a recuperação das rodovias do estado, e para negociar com o governo federal os termos do novo pedágio, jogando no lixo esse modelo do Tarcísio que o Governador Ratinho, mal informado por sua assessoria, defende. Tenho até o nome de uma pessoa que já deixou as rodovias do Paraná, em poucos meses, sem um único buraco. O Mário Pereira, que em nove meses como governador fez mais que o Requião em onze anos. Ele não vai aceitar, mas o governo, procurando bem e sem palpite dos seus fracos assessores, pode encontrar um de perfil parecido. Alguém sabe onde está a antiga lanterna do Diógenes?
A FRENTE PARLAMENTAR DA AGRICULTURA
Existe luz no fim do túnel. Foi instalada esta semana na Câmara Federal uma poderosa arma contra os inimigos do agronegócio, aqueles que querem taxar as exportações de soja, incentivar as invasões de terras, cobrarem tarifas abusivas de pedágio nas rodovias que escoam a produção do interior. Trata-se da Frente Parlamentar da Agricultura, cada vez mais necessária e felizmente mais fortalecida.
São 320 deputados federais fechados com o compromisso de ajudar, e não de atrapalhar, todas as iniciativas do setor que sustenta, há décadas, os diversos modelos econômicos que os brasileiros receberam de Brasília.
Esta frente foi formada, há 20 anos, entre outros, pelo deputado Dilceu Sperafico, o braço mais antigo e confiável dos agricultores do Paraná em Brasília. No início, eram poucos deputados, alguns deles, para ser bem claro, defendendo mais seus interesses que os do Brasil. Hoje, a visão é diferente. Todos entendem a importância do agronegócio, e sua influência benéfica em todas as atividades econômicas do país. A Frente tem o apoio de entidades do setor, das cooperativas, como a Coopavel, que estão mostrando ao mundo como produzir mais no mesmo espaço, e das indústrias.
O Brasil sempre está de uma forma ou de outra, contornando crises. Em todos esses momentos, o agronegócio cumpriu sua missão de produzir alimentos, aumentar o saldo da balança comercial e gerar empregos e renda para milhões de brasileiros.
A grandeza dessa Frente Parlamentar da Agricultura, sua força política, é um alento contra as preocupações e inseguranças que existem nos produtores, após a vitória do Lula, com apoio fechado e fiel do MST.