MORO PREGA “O PÉ NO CHÃO”, MAS HISTÓRICO DE GASTOS VIRA ALVO DE COMPARAÇÃO COM O COTÃO DO SENADO

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Em plena campanha ao Governo do Paraná, o senador Sergio Moro (PL) passou a adotar o discurso de que faz política “com o pé no chão e o pé na estrada”. A mensagem procura reforçar uma imagem de simplicidade e, ao mesmo tempo, responder às denúncias de que o governador Ratinho Junior e o candidato Sandro Alex estariam utilizando helicóptero do Governo do Estado em compromissos de campanha.

A estratégia, porém, acabou abrindo espaço para uma comparação inevitável. Ao tentar ironizar adversários e construir uma narrativa de austeridade, Moro esbarra no próprio histórico de despesas custeadas com recursos públicos durante o mandato no Senado.

O problema não está na frase de efeito, mas no contraste com os dados oficiais. Levantamento publicado pelo Bem Paraná, com base nas informações do Portal da Transparência do Senado Federal, mostra que, desde o início da atual legislatura, Sergio Moro lidera os gastos entre os três senadores paranaenses com a chamada Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), o conhecido “cotão”, além de despesas com viagens e deslocamentos.

Entre 2023 e 2026, Moro acumulou despesas de R$ 1.654.041,95, sendo R$ 711.357,11 somente em 2025. O montante supera em mais de R$ 315 mil os gastos de Flávio Arns e é mais de quatro vezes superior ao registrado por Oriovisto Guimarães no mesmo período.

Os números também mostram que Moro responde por aproximadamente 49% de todas as despesas realizadas pelos três senadores do Paraná entre 2023 e 2026, período em que o total consumido chegou a R$ 3,37 milhões.

Quando o assunto é deslocamento, os valores também chamam atenção. O senador utilizou R$ 350,1 mil em passagens aéreas, terrestres e aquáticas pagas pela cota parlamentar, o maior valor entre os representantes paranaenses no Senado. Flávio Arns aparece com R$ 321,3 mil, enquanto Oriovisto Guimarães registra R$ 85,3 mil.

Nas despesas com locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis, Moro também lidera. Foram R$ 273,4 mil no período analisado, contra R$ 153,3 mil de Flávio Arns e apenas R$ 1,8 mil de Oriovisto.

É importante destacar que o chamado “cotão” é uma verba prevista em lei para o exercício da atividade parlamentar, destinada ao custeio de despesas relacionadas ao mandato, como passagens, combustíveis, divulgação, manutenção de escritórios e outras despesas reembolsáveis, além de gastos com viagens oficiais custeadas diretamente pelo Senado.

Ainda assim, os números oficiais acabam alimentando o debate político justamente no momento em que Moro busca explorar o tema dos deslocamentos de seus adversários.

Na política, existe um velho ditado: a língua pode se transformar no chicote da BUNDA ! Frases de impacto rendem manchetes e repercussão nas redes sociais, mas os dados públicos permanecem disponíveis para consulta. Quando o discurso de austeridade encontra um histórico de despesas expressivas, a comparação passa a ser inevitável.

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DETALHES DOS GASTOS: https://www.bemparana.com.br/publicacao/blogs/martha-feldens/moro-gastou-quatro-vezes-mais-que-oriovisto-com-cotao-e-viagens-desde-que-ambos-assumiram/

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