O QUE É QUE HÁ, TOLEDO? QUE É QUE HÁ?

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É de Zezé Di Camargo & Luciano a canção Meu País, de cuja letra se extrai:
Aqui não falta sol, aqui não falta chuva A terra faz brotar qualquer semente Se a mão de Deus protege e molha o nosso chão Por que será que tá faltando o pão? Se a natureza nunca reclamou da gente Do corte do machado, a foice, o fogo ardente Se nessa terra tudo o que se planta dá Que é que há, meu país? Que é que há? Se nessa terra tudo que se planta dá Que é que há, meu país? Que é que há?
Nesse país, está Toledo e apenas um reparo: aqui não falta pão!
Com uma população que beira os 163 mil habitantes, batizada de A Capital da Cultura, reconhecida como a Capital do Agronegócio do Paraná que vem mantendo a liderança do Estado no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) em 2025 pelo 13º ano consecutivo, alcançando a marca de R$ 5.160.299.184,09.
De povo ordeiro, trabalhador, pacífico e extremamente solidário, não consegue já a 12 anos eleger um Deputado Estadual e agora, para piorar, ficamos sem ninguém na Assembleia Estadual e na Câmara Federal.
Com 107 mil eleitores não conseguimos ser diretamente representados nos legislativos estadual e federal, frustrando projetos, reduzindo melhorias, afetando até mesmo o crescimento que pode derivar de recursos advindos da gestão de nossos representantes. Foi o saudoso José Carlos Schiavinato, duas vezes prefeito, que quanto eleito deputado estadual e depois federal, não cansava de repetir: “dinheiro tem, faltam projetos!” E agora, sem ninguém com raízes neste Município, quem vai colocar os nossos projetos, as nossas necessidades em baixo do braço e buscar a devolução de um pouco de tudo o que enviamos aos cofres estaduais e federais? Quando um Município com a pujança de Toledo, não consegue eleger nenhum representante junto aos governos estadual e federal, é mesmo de se perguntar: o que é que há Toledo? Que é que há? Por que isso acontece?
No resultado da eleição deste de 4 de outubro, os 9 candidatos à Assembleia Legislativa, somaram do eleitorado de Toledo, 59.551 votos, correspondentes a 72,62% dos 82.002 votos válidos. Para a Câmara Federal, os 8 candidatos somaram 50.767, correspondendo a 61,76% dos votos válidos. A abstenção, votos nulos e brancos beiraram os 25 mil.
Então, de novo, o que é que há? O que é que houve?

Por primeiro a contínua catequese para reduzir ao máximo os votos em branco e as abstenções. É preciso um trabalho contínuo para conscientizar o eleitor do poder do voto. Os nulos, podem até decorrer de erro na hora de votar, mas também é necessário orientação para evitar.
Mas, então, se dos votos válidos em Toledo, os nossos candidatos somaram 72,62%, para a Assembleia Legislativa e 61,76% para a Câmara dos Deputados por que estamos sem representantes? Resta evidente que os candidatos às duas casas legislativas precisam buscar muitos votos em outros municípios. Mas, o agravante em Toledo, dentre outros motivos, foi o número de candidatos: 9 para as vagas estaduais e 8 para as federais. Ficam dispensados cálculos mais complexos para evidenciar que a comida era muito pouca para tantos convidados.
E por que tantos candidatos? É óbvio que deve ser respeitada a decisão de todos que colocaram seus nomes à disposição da comunidade. Todos, indistintamente, cumpridas as exigências legais, podem ser candidatos. Contudo, penso que deveriam haver limitadores justamente para que o Município e a comunidade eleitoral atinjam o objetivo de ter representantes afinal, é ela quem vota.
E como fazer isto?

O preparo na criação de ambiente que proporcione a eleição dos nossos representantes vai muito além da colocação de faixas pregando a necessidade de representantes políticos no escasso período que antecede às eleições. É um trabalho de catequese. Não confundir com lavagem cerebral.


É comum quando ocorre algum ato especial, ouvir-se que “as entidades representativas da sociedade estiveram presentes”. De se perguntar: Onde estavam essas entidades representativas da sociedade no lançamento dessa avalanche de candidaturas? Cada uma olhando apenas para o seu universo de atuação? No seu candidato? Por que essas entidades de classe não tiveram a inciativa de se unir por Toledo? Ao menos pelo que se viu e ouviu na imprensa nenhuma iniciativa com esse intuito foi divulgada.
Pode ser utopia, mas será que poderemos, um dia, viver o momento em que essas entidades assumam o comando do trabalho de conscientizar partidos políticos e os candidatos, de que a representação política do município deve estar acima dos seus objetivos individuais? Se as entidades que congregam a população de Toledo com seus diferentes segmentos, poderiam incluir na sua missão o trabalho de preparar, a longo prazo, aqueles que as integram e pretendam disputar cargos eletivos e, no momento de lançar as candidaturas seriam elas montadas no senso comum, onde não prevaleceria unicamente a vontade do candidato ou do partido. E esse senso comum tomaria em conta o potencial de cada candidato, e a sua capacidade técnica, sem deixar de lado a renovação da representatividade. Tudo embasado no princípio de que o interesse coletivo deve estar acima do particular.


Temos as Associações de Bairros que congregam parcela significativa da população, entidades de classe como a ACIT, a maior delas, que reúne o comércio, as indústrias, os prestadores de serviços, existem outras várias e fortes associações de produtores,sidicatos e de profissionais liberais que podem se engajar nessa missão de resgatar a representatividade política de nosso município.
Em tempo: os vereadores também seriam incluídos nessa congregação de esforços e, para começar, abandonarão o hábito de apoiar candidatos de fora, como vem se sucedendo a cada eleição, sob o argumento de que trarão recursos para cá. Precisamos de verbas federais e estaduais, sim. Mas isto nossos representantes farão com projetos e não podemos nos contentar com migalhas distribuídas de tempos em tempos por um apoio prestado. Por alguns trocados o Salvador Palestino foi entregue às autoridades, mas o povo ficou ao seu lado. Os vereadores que tem essa conduta, querem o povo ao seu lado? Aquele que preferir apoiar candidatos à Assembleia e à Câmara Federal, nas eleições municipais que busquem votos impossíveis de fora para sua eleição a vereador…
Essa forma de união de esforços, pode ser classificada como impossível para uns. Inviável, diriam outros. Inconciliáveis os interesses dos partidos políticos, argumentariam outros, numa enorme ladainha de empecilhos. Utopia para os mais céticos.
Pode ser mesmo um sonho irrealizável, mas algum movimento no sentido de haver menos candidatos e com potencial de eleger-se é inadiável, sob pena de, a seguir nos moldes atuais, Toledo continuar sem representação política própria além de ficar ouvindo que viramos quintal eleitoral de Cascavel. Ufa! Ainda bem que eles podem nos socorrer. Mesmo que voltemos a recordar o tempo em que foi construída a torre da Telepar, no centro da cidade, e os vizinhos de lá diziam que o objetivo da torre é para subirmos ao alto e apreciar o crescimento deles. Malvados e enganados. Hoje Toledo é independente…pois é, menos na representação política.
Como comecei com música, também encerro com Leonardo: ”Desculpe, mas eu vou chorar!”
Ivanir Locatelli
Eleitor em Toledo desde 1970, 76 anos de idade, economista, advogado, mas votando até quando for possível.

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