O debate sobre a intervenção na Avenida Arthur Bernardes, em Curitiba, mostra exatamente isso: enquanto milhares de trabalhadores enfrentavam diariamente congestionamentos absurdos, atrasos de mais de 40 minutos e um sistema de mobilidade saturado, certos “ambientalistas de ocasião” decidiram aparecer apenas no momento mais midiático da obra, para transformar tudo em palco de militância política e espetáculo para redes sociais.
O curioso é que muitos desses ativistas já conheciam o projeto há muito tempo. Participaram de audiências públicas, acompanharam discussões técnicas e sabiam perfeitamente quais seriam as intervenções necessárias e relatadas pelo prefeito Eduardo Pimentel há mais de seis meses.
Não houve decisão escondida. O projeto foi debatido, revisado e até alterado para reduzir drasticamente o número de árvores removidas — de mais de 300 para 104. Mesmo assim, quando as máquinas começaram a trabalhar, surgiu o velho teatro militante: gente se amarrando em árvores, produzindo vídeos emocionais para internet e transformando uma discussão urbana séria em campanha de likes e engajamento político.
É sempre o mesmo roteiro. Quando a obra beneficia trabalhadores, transporte público e mobilidade urbana, aparecem grupos tentando criar uma narrativa apocalíptica, ignorando completamente os benefícios coletivos, típica de militantes com lavagem cerebral. Pouco importa que o projeto inclua ônibus elétricos, jardins filtrantes, ampliação de áreas verdes e o plantio de milhares de árvores. Pouco importa que a prefeitura já tenha plantado centenas de milhares de mudas na cidade. Para certos setores militantes, a prioridade nunca é o equilíbrio entre desenvolvimento e preservação — é criar conflito político.
Existe também uma enorme hipocrisia nesse tipo de ativismo seletivo. Muitos dos que hoje posam como “defensores da natureza” nunca aparecem para discutir ocupações irregulares em áreas ambientais, rios poluídos ou descarte ilegal de lixo. Mas basta surgir uma obra pública visível, com potencial de repercussão política, para imediatamente surgirem faixas, discursos ensaiados e vídeos dramáticos nas redes sociais.
Defender árvores é importante. Mas usar árvores como cenário para autopromoção ideológica não é consciência ambiental — é marketing político fantasiado de ativismo.