PANDEMIA TROUXE A MORTE E A FOME PARA BRASILEIROS

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Nossa realidade é dura. A pandemia trouxe o luto e a fome para milhões de brasileiros. Há uma desigualdade desoladora e incontrolável e tudo indica que a saída não está próxima. É só olhar para os cantos para ver várias situações de desgosto e nenhuma solução palpável. O povo está cansado, desgostoso e exaustivamente triste.

A pandemia trouxe a morte e o medo o dia todo, todos os dias. É verdade que conhecemos muito pouco dos mais de 600 mil mortos já atingidos. Mas é provável a possibilidade de haver alguém na família, entre amigos, parentes e pessoas próximas. E se não bastasse, precisamos conviver e andar de mãos dadas com a morte, para muitos de nós a vida dos bons tempos não existe mais.

Muitos optaram pelo isolamento e as telas de computadores, celulares e outras formas de comunicação reinventando conexões. São sorrisos que agora vislumbramos pelo canto ou pelo brilho dos olhos, quando muito. São os abraços engasgados, com nós na garganta, que transformaram os cotovelos ou punhos em objetos de afeto e afeição.

Entrar num transporte público com inúmeros receios. Perder o emprego, o chão. É olhar para uma aglomeração e achar estranho, saber ser errado, mesmo com tanta saudade. É não saber direito onde estamos, nem para onde vamos. E mesmo assim, continuar caminhando.

E com todos esses desgostos temos também a volta da fome. Muitos vivendo uma enorme fome de diversão e arte – aspectos que sempre fizeram parte das “coisas boas da vida”. Mas essa é uma fome que tem endereço certo, e que, infelizmente, não é a pior de todas.

O Brasil vive o agravamento da fome de alimentos, pela sobrevivência. Nos últimos meses o noticiário mostra pessoas formando fila para pegar ossos de boi, tendo em vista os preços exorbitantes da carne. O nosso arroz com feijão (combinação que garante a base alimentar de milhões de brasileiros) está tão caro, que agora temos uma versão “mais pobrinha”, composta por fragmentos de arroz e bandinhas de feijão. Grãos fracionados que, embora liberados para o consumo humano, demonstram bem a situação que estamos vivendo: a falta de inteireza. E também falta leite, pão, dinheiro para o gás de cozinha.

Dentre os 210 milhões de brasileiros, aproximadamente 19 milhões passam fome. Um dos países que mais produz carne e grãos em todo o mundo permite que quase 10% de sua população fique faminta. Uma constatação que, de tão perversa, chega a ser irônica.

Vivemos um quadro desolador, onde a desigualdade é nosso denominador comum, e nem medimos o quanto isso nos indigna. Parece não haver saída. Mas, a sobrevivência de uma grande parcela da população brasileira é a constatação da perversidade do sistema em que vivemos, mas também a possibilidade de pensarmos a vida e construirmos um mundo a partir de outras possibilidades.

Ainda há esperança. Que nossos direitos possam inundar o Brasil inteiro e que dias melhores cheguem em nossos horizontes.

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