De repente, nós com mais de 60 anos, quase 80 ou até um pouco mais se conseguimos chegar até lá, nos sentimos transformados na peste que exige do mundo que sejamos afastados, sob pena de contaminarmos o próximo com o Coronavírus.
Depois que descobriram que nós, os idosos, representamos o único grupo de risco, capaz de contaminar o resto do planeta, chegamos a conclusão de que é hora de buscarmos o isolamento por conta própria, antes que nos afastem de uma vez do convívio social por conveniência dos mais jovens.
Não sei a decisão é da ciência ou da política mundial, mas vejo na presente situação uma decisiva participação da imprensa que dá guarida a tese de que nós, os idosos, precisamos ficar cada vez mais distante das crianças e dos mais jovens, sob pena de contaminá-los.
Claro que nem todos se conformam com esta imagem que vai se espalhando à medida que o isolamento social é discutido, com o isolamento vertical sendo considerado pelo próprio governo como a solução mais prática para a atualidade.“Encostem eles em casa”, é o recado que vai se disseminando como se esta fosse a melhor solução para a atual crise do Coronavírus.
Sem chance de abraçar os netos porque podemos contaminá-los, vamos olhando de longe, dando tiauzinho e abençoando-os à distância, já que uma aproximação não é recomendável.Como quer que os idosos se sintam na atualidade?Rejeitados por uma sociedade que vai buscando respostas mais fáceis para a situação que atravessamos, contraríamos no Brasil o que vem acontecendo em outras partes do mundo onde os idosos, ainda, não foram colocados no paredão do afastamento.
E não adianta usar álcool em gel nem qualquer outro produto que nos imunize, porque fica a impressão de que para os idosos isso não adianta e apenas o remédio do isolamento deve ser adotado, enquanto ainda dá tempo de salvar o mundo ignorante que uns e outros estão colocando em prática.
Diante deste quadro, os idosos vão tomando atitudes que, embora os mais jovens não concordem certamente, porque são eles que devem decidir sobre um futuro que parece não devemos ter, os coloquem em posição de resguardo, cada vez mais distante, usando apenas os meios de comunicação, hoje tão amplamente usados e coma facilidade de som e imagem que permite este afastamento e isolamento cada vez mais acentuado.
Deus em sua infinita bondade certamente saberá cobrar, com juros e correção monetária, este tipo de comportamento discriminatório que cada vez mais nos magoa, embora muitos disfarcem para não chorar diante de um mundo que vai colocando os idosos cada vez mais no isolamento.Foi assim no tempo em que a lepra, então sem cura, afastava o mundo de seres humanos contaminados e para os quais não existiam recursos até que o próprio Cristo se aproximou dos mesmos, socorrendo-os em sua miséria.Sem brincar com as crianças, e com aproximação de resguardo em relação aos mais jovens, e até com respeito aos demais que ainda não chegaram à idade idosa, considerada depois dos 60 anos, embora a expectativa de vida tenha elevado este número, nos resta ver o mundo passar a distância.
Não sintam nesta mensagem qualquer desânimo que possa transmitir a mágoa de quem, pessoalmente, vem sentindo o distanciamento por estarmos enquadrados no grupo de risco capaz de contaminar os mais jovens.
Pelo que se vê e pelo que se ouve, apenas os idosos são os responsáveis pela desgraça que assola o mundo, como se Deus tivesse nos colocado não apenas como grupo de risco, mas necessário para que os mais jovens possam melhorar o mundo.
Pare o mundo que quero descer, letra de música de Silvio Brito , que ecoa nos meus ouvidos e deixa claro o desestímulo que venho sentindo, certamente com outros idosos, embora existam é claro algumas exceções, para buscar apenas na fé e oração uma resposta capaz de aliviar o peso desta responsabilidade em carregar o carimbo do mundo como responsável pelo contágio do Coronavírus que dominou o mundo.