PETRAGLIA : MOCINHO OU BANDIDO?

CAPA 4

– Augusto Mafuz deixou nas entrelinhas de recente publicação, a suspeita de que algo mais grave possa estar acontecendo por conta de um pedido de afastamento do comando administrativo do Atlético Paranaense, uma das grandes forças do futebol brasileiro. Polêmico, o cronista que permanece como um dos poucos sustentáculos que restaram daquele império jornalístico de Paulo Pimentel, mantendo-se fiel com seus escritos sobre o futebol paranaense e brasileiro, Mafuz é aquele cara amado por poucos e odiado por outros, graças a seus artigos na Tribuna do Paraná, se mantém mais vivo do que nunca. E causando estragos com revelações e comentários que muitas vezes fogem da esfera esportiva para colocá-lo em litígio com outras áreas onde não deixa de dar sua opinião ferina. Nestes últimos dias voltou a falar de um personagem que é, embora ele não goste, retrato de seu polêmico Atlético Paranaense, paixão que nunca escondeu desde os tempos em que atuava na crônica esportiva através do rádio. Excelente advogado, segundo aqueles que admiram seu trabalho como profissional jurídico, Augusto Mafuz está de novo se envolvendo com a imagem de seu principal adversário esportivo da atualidade. Mário Celso Petráglia.

-Impossível desassociar a imagem deste polêmico personagem esportivo da figura de um empresário bem-sucedido que, via Inepar, projetou-se no cenário paranaense e nacional, chegando ao ambiente político como integrante do time do Jaime Lerner quando este surgiu no cenário municipal curitibano e depois para o Paraná. Desde então, Mário Celso Petráglia veio para as manchetes. E agora, mais do que nunca, pois, além das suspeitas levantadas por Augusto Mafuz no cenário esportivo, estão algumas coisinhas mais que possam ter motivado sua licença do clube rubro-negro enquanto cuida de sua vida particular, com levantamentos que indicam uma volta ao passado e que estão sob especulações envolvendo a Policia Federal e o Ministério Público Federal. Coisas do passado que se misturam com o presente e que lembram, inclusive, pedido de prisão do polêmico empresário.
– Augusto Mafuz que sugeriu como um gesto covarde seu pedido de licença administrativa do Atlético, deixa no ar as suspeitas e preocupação com o time disputando o rebaixamento, com todo o patrimônio rubro-negro hipotecado, a Baixada penhorada e podendo ir a leilão, levaram o cronista a indagar porque Petráglia não renunciou ao contrário de apenas pedir licença do seu cargo no clube. E coloca lenha na fogueira ao contar que o CT do Caju está indisponível sob hipoteca, a Baixada penhorada em processos judiciais já a caminho de sentença, por dívidas líquidas e certas que com encargos batem em R$ 400 milhões de reais. Mas, pelo que tudo indica, no caso de Mário Celso Petráglia, o furo é mais embaixo.

-Lavagem de dinheiro. Este é um assunto que vem se arrastando há alguns anos, motivando a ação do Ministério Público Federal para apurar todos os fatos narrados em noticia-crime segundo a qual João Ricardo Cunha de Almeida, seria o mentor de um esquema engendrado para promover a lavagem de ativos ilícitos pertencentes a Mário Celso Petráglia e suas empresas. Tudo aconteceu por conta de procedimento em curso na 3ª Vara de Família da capital paranaense, e que trata da separação litigiosa de João Ricardo da Cunha Almeida e sua ex-esposa Andrea de Paula Xavier de Almeida. Com base em tais situações que levaram, a Polícia Federal a entrar mais profundamente neste caso de lavagem de dinheiro, foram citados, ainda, Ivan Xavier Vianna Filho, e Luciana Carneiro de Lara.
– Começando pela General Engenharia de Obras Ltda., o inquérito policial instaurado foi em busca dos detalhes advindos desta notícia-crime que revelou estarem João Ricardo Cunha de Almeida e Mário Celso Petráglia se utilizando de pessoas jurídicas nacionais e estrangeiras para realizar a blindagem do patrimônio de Petráglia, bem como para promover a transferência de seu patrimônio para paraísos fiscais. Nessas investigações foram promovidas as quebras de sigilo fiscal dos investigados e das empresas General Engenharia de Obras La, Rurastead Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda., Longsfield Gestão de Negócios Empresariais e Participações Ltda. e Vistura e Gestão de Negócios Empresariais Ltda., nas quais João Ricardo Cunha de Almeida figura como representante legal e as quais foram utilizadas para promover a transferência do patrimônio pertencente a Mario Celso Petráglia. Destaque-se que Mario Celso Petráglia, de acordo com os levantamentos da Fazenda Nacional, estaria como sócio ou sócio administrador de 35 empresas, sendo que destas, especialmente as relacionadas ao Grupo Inepar, somam dívidas milionárias para com a União. Foram ainda citadas as empresas estrangeiras Vistura RE Investimento LPP; Rurastead RE Investment LPP; Neo Vista Limited; Ruralti Agencies Corporatioin e Denystead Limited, também investigadas com a presente denúncia.

– Mario Celso Petráglia, milionário cujo nome foi sempre destaque, inclusive, nas transações internacionais do Atlético e de seus jogadores, está novamente na crista da onda por conta da presente situação de licença do rubro-negro e que despertou a curiosidade e especulações naturais em torno deste registro. Fala=se que quatro empresas no Reino Unido teriam recebido dinheiro oriundo destes negócios de Petráglia e suas empresas, sabendo-se que em 2003 nada menos que R$ 5 milhões teriam, sido enviados pelo mesmo a paraísos fiscais, mostrando assim que a coisa vem de longe. Pedido de prisão preventiva não chegou a se confirmar, sabendo-se que o juiz inicial nestes procedimentos era Sergio Moro, cujas ações envolvendo o dito empresário foram redistribuídas devido aos seus múltiplos compromissos com a Operação Lava Jato. Mocinho ou Bandido? O que existe de verdade em tudo isso? Mário Celso Petráglia que já promoveu processos contra muita gente, inclusive contra o Impacto, em outros tempos, certamente licenciou-se para enfrentar situações pessoais ou de suas empresas, mas deixou o Atlético Paranaense, onde é o bem e o mal-amado, com dificuldades para respirar em termos esportivos e de finanças. Voltaremos a tais assuntos, quem sabe com a própria manifestação de Petráglia se este entender ou tiver interesse em esclarecer tudo a respeito. O importante a esta altura é que muita coisa vai saindo das sombras onde estavam repousando nos últimos tempos em um cantinho sigiloso.

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