Durante anos, alguns deputados e prefeitos do Paraná pareciam ter alergia à areia das próprias praias do Estado. Raramente eram vistos no Litoral paranaense, não apareciam em Matinhos, Caiobá, Guaratuba ou Pontal do Paraná. O destino preferido era outro: as praias badaladas de Santa Catarina, especialmente a República de Porto Belo, Jurerê Internacional e Florianópolis, aonde o verão era mais glamoroso e o desfrute dos iates brancos davam mais destaques nas colunas sociais do Bessa por aqui.
Curiosamente, esse cenário mudou de repente. Bastou Ratinho Jr. promover o Verão Maior Paraná e, o litoral ganhar visibilidade, estrutura, shows e grande presença de público para que esses mesmos personagens descobrissem a Ponte de Guaratuba, o camarote dos eventos e até os calçadões das praias paranaenses. Agora, nas redes sociais, aparecem em fotos sorridentes, vídeos ensaiados e discursos empolgados, como se sempre tivessem sido frequentadores assíduos do nosso litoral, mas na realidade descem e sobem a serra no mesmo dia para fazer os seus stories.
A metamorfose é impressionante. Quem mal descia a Serra do Mar, hoje aparece religiosamente em eventos oficiais, grava stories em série e posa como defensor histórico do turismo local. Há até ex-prefeito e ex-deputados, que praticamente tinham endereço fixo em Jurerê, mas que, num passe de mágica política, virou secretário de Turistas por aqui. Desde então, o cargo parece ter sido reinterpretado: menos gestão e mais likes, menos planejamento e mais reels. Está parecendo mais influencer do que gestor público.
A nova realidade: o litoral paranaense não precisa de visitantes sazonais de conveniência política. Precisa de representantes que estejam presentes o ano inteiro, não só no verão, não apenas quando o evento rende engajamento, mas também quando é preciso enfrentar os desafios estruturais, ambientais e sociais da região.