PONTA GROSSA : Polícia Federal investiga possível compra de votos na campanha de Ricardo Zampieri

FEEEE

A investigação teve início em maio de 2025 sob a acusação de que houve compra de votos para que o vereador fosse eleito nas Eleições de 2024.
Um inquérito da Polícia Federal investiga a suspeita de prática de corrupção eleitoral na campanha do vereador de Ponta Grossa, Ricardo Zampieri. A investigação teve início em maio de 2025 sob a acusação de que houve compra de votos para que o vereador fosse eleito nas Eleições de 2024. O Ministério Público Eleitoral pediu novos depoimentos no caso.
De acordo com os autos, a denúncia foi apresentada por Ariane Flores Aires, que se identifica como líder comunitária no bairro Jardim Maracanã. Ela diz ter sido procurada por Jesus Clayton de Oliveira, apontado como assessor da campanha de Zampieri, que teria oferecido R$1 mil em espécie para captar votos entre os moradores.
Segundo a denunciante, a proposta foi aceita e, a partir disso, ela teria passado a intermediar o contato com eleitores ao oferecer R$50 por voto. Ainda conforme o relato, aproximadamente 138 votos teriam sido negociados. Parte dos eleitores teria recebido o valor em dinheiro e outros, compensados com cestas básicas. Ariane também diz que alguns eleitores não receberam o que foi prometido.


Depoimentos
Eleitores que depuseram à Polícia Federal confirmaram ter recebido propostas de pagamento em troca de votos. Um dos depoentes disse que Jesus Clayton fez a proposta durante uma reunião com mais de 50 moradores do bairro, com a promessa de pagar R$50 a cada voto se Zampieri fosse eleito. O eleitor disse que chegou a votar no candidato, mas não recebeu o valor prometido, o que também teria ocorrido com seu pai.
O pai do depoente também depôs à PF e declarou que na reunião estavam presentes tanto o apoiador quanto Zampieri, então candidato. Além do pagamento pelo voto, teriam sido feitas promessas de melhorias em uma rua do bairro em caso de eleição. Ele também disse não ter recebido o valor combinado, mesmo após votar no candidato.
Já uma moradora da região relatou que foi procurada pela denunciante e que teria oferecido uma cesta básica em troca de voto. Ela declarou ter negado a proposta, assim como seu filho. A moradora ainda alega não ter participado de reuniões políticas nem conhecer o suposto intermediador.
Defesa nega
O vereador Ricardo Zampieri afirmou em depoimento não conhecer a denunciante e admitiu que Jesus Clayton atuou como apoiador em sua campanha. Ele declarou que participou de diversas reuniões no período eleitoral, algumas com a presença do apoiador, mas negou qualquer oferta de pagamento a eleitores.
Zampieri sustentou que a denúncia pode ter motivação política. Segundo ele, Ariane teria ligação com Izaias Salustiano, primeiro suplente ao cargo de vereador, que teria interesse em sua cassação. O vereador ainda mencionou vínculos empregatícios de outra denunciante à segunda suplente ao cargo, Missionária Adriana.
Por sua vez, Jesus Clayton confirmou que apoiou a candidatura de Zampieri e participou de eventos e reuniões, mas negou ter oferecido qualquer vantagem financeira a eleitores. Ele admitiu ter realizado a transferência de R$400 para Ariane, mas alegou que o valor foi solicitado por ela e pago por receio de possíveis retaliações. Também diz que não pediu à denunciante que atuasse na campanha e que a atuação política ocorreu de forma legal.
Novas diligências
O Ministério Público Eleitoral solicitou a realização de novas investigações e avaliação sobre a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Penal, medida cabível para crimes sem violência ou grave ameaça, cuja pena pode chegar a até quatro anos.
A decisão foi assinada pela promotora eleitoral Eliane Miyamoto Fortes, que determinou o cumprimento dos depoimentos e das investigações em 90 dias.

Compartilhe