Prefeito Eduardo Pimentel amplia a estratégia de sucesso com a soltura dos mosquitos que combatem a doença

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Após derrubar casos de dengue, resultado de um amplo trabalho de mobilização da comunidade e intensificação das ações de controle liderado pelo prefeito Eduardo Pimentel desde 2025, Curitiba dá mais um passo para ampliar a proteção da população contra o vírus causador da doença. Nesta quarta-feira (29/7), o prefeito iniciou a liberação, no bairro Sítio Cercado, dos primeiros mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, tecnologia inovadora que reduz a capacidade de transmissão das arboviroses, que também incluem zika e chikungunya. A iniciativa passa a integrar o conjunto de estratégias permanentes e de sucesso da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para prevenção e controle dessas doenças.

“Curitiba mostrou que é possível reduzir a dengue com planejamento, trabalho integrado e a participação da população. Agora damos mais um passo, incorporando uma das tecnologias mais inovadoras do mundo para proteger nossos moradores. O Método Wolbachia não substitui o cuidado de cada cidadão, mas fortalece nossa estratégia para que tenhamos uma cidade cada vez mais preparada para enfrentar a dengue e outras doenças”, destacou Eduardo Pimentel. 

A implantação do método na capital é resultado de uma cooperação técnica entre a Prefeitura de Curitiba, por meio da SMS, e a empresa curitibana Wolbito do Brasil – IBMP/Fiocruz Paraná.

A soltura dos chamados Wolbitos – mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia – vai ocorrer ao longo de 26 semanas. Inofensivos às pessoas e ao meio ambiente, os wolbitos liberados acasalam com os Aedes aegypti locais, repassando a bactéria para os descendentes e estabelecendo, aos poucos, uma nova população sem os vírus.

El Niño

A secretária municipal de saúde, Tatiane Filipak, explicou que a implantação do Método Wolbachia representa um avanço na estratégia da Prefeitura para proteger a população contra a dengue. Ela salientou que é uma tecnologia segura, baseada em evidências científicas e que fortalece as ações de enfrentamento ao mosquito adotadas pelo município desde o ano passado.

“Conseguimos reduzir em 92% os casos de dengue em 2025 e, neste ano, já registramos uma redução de 94% em relação ao período anterior. Mas, diante da previsão de influência do fenômeno El Niño, que pode provocar muitas chuvas e favorecer o aumento da circulação da doença, estamos preparando Curitiba para enfrentar o cenário com mais inovação, tecnologia e prevenção”, reforçou Tatiane.

Aplicado em cidades brasileiras e em outros 14 países, o Método Wolbachia já apresentou resultados expressivos. Em Niterói (RJ), contribuiu para a redução de até 89% dos casos de dengue, consolidando-se como uma importante ferramenta complementar às ações tradicionais de combate ao mosquito.

Observadores internacionais

Durante a soltura dos Wolbitos no Sítio Cercado, observadores internacionais de países como Arábia Saudita, Sri Lanka, Bangladesh, Laos, Peru, Senegal, Omã, Filipinas e Tailândia acompanharam a ação em Curitiba. Eles estavam acompanhados de Scott O’Neill, CEO da World Mosquito Program (WMP), organização australiana responsável pelo desenvolvimento da Metodologia Wolbachia, aplicada hoje na fábrica da Wolbito do Brasil na CIC.

“São representantes de órgãos públicos, universidades e instituições de cooperação de nove países que estão interessados em adotar a metodologia inovadora que começa a ser usada em Curitiba e que já se mostrou um sucesso em várias partes do mundo”, observou O’Neill.

Estratégias de liberação 

O diretor da Wolbito do Brasil, Sandro Luz, conta que a liberação dos mosquitos com Wolbachia no Sítio Cercado utiliza duas estratégias: uma por meio de ovos, acondicionados em DLOs (dispositivos de liberação de ovos) e, outra, com a soltura de mosquitos adultos mantidos em garrafinhas. “Essa metodologia permite comparar, em condições reais e dentro de um mesmo território, no caso o bairro Sítio Cercado, o desempenho das duas formas de implantação, produzindo evidências que poderão orientar futuras expansões do programa”, complementa ele.

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A implantação do Método Wolbachia no Sítio Cercado é possível graças ao termo de cooperação técnica firmado entre a Prefeitura de Curitiba e a Wolbito do Brasil , assinado em março durante a Smart City Expo Curitiba. Normalmente, a empresa curitibana atua, via Ministério da Saúde, em cidades que atendam ao critério do governo federal, que priorizou os municípios com maior índice de infestação no país. Embora Curitiba não atenda a esse critério, o termo de cooperação para o programa técnico-científico permitirá que o município também receba a tecnologia.

Preparação

Mesmo antes do início da soltura dos wolbitos, a Prefeitura de Curitiba deu início, este mês, a um movimento conjunto com a comunidade do Sítio Cercado para implantar a inovadora tecnologia.  Equipes da SMS começaram um amplo trabalho de orientação e diálogo com moradores, comerciantes e escolas do bairro, convidando a população a participar da chegada do Método Wolbachia.

A mobilização comunitária foi uma etapa essencial para o sucesso da estratégia, com agentes comunitários de saúde e de combate às endemias vinculados ao Distrito Sanitário Bairro Novo realizando um trabalho de orientação casa a casa, que também envolveu nas últimas semanas escolas, unidades de saúde, equipamentos públicos e o comércio local.

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