O PSB do Paraná chega à eleição de 2026 mergulhado em desgaste interno, questionamentos e incertezas sobre sua própria capacidade de conquistar representação. No centro da crise está a condução do partido pelo deputado federal Luciano Ducci, criticado por filiados que acusam a direção de centralizar decisões e atropelar o debate interno.
O que deveria ser a organização de uma chapa competitiva acabou se transformando em uma verdadeira guerra dentro de casa.
Uma das principais reclamações envolve a condução das convenções partidárias. Integrantes do PSB alegam que houve tentativa de impedir ou dificultar o acesso de filiados interessados em disputar as eleições, episódio que aprofundou o racha e levou a disputa para a Justiça Eleitoral. A convenção partidária passou a ser questionada judicialmente por membros que afirmam terem sido excluídos do processo decisório.
Para os críticos de Ducci, a condução demonstra uma postura de quem administra o PSB como se fosse “dono da sigla”, colocando decisões pessoais ou de um grupo acima da construção coletiva do partido. O resultado político dessa estratégia, segundo os insatisfeitos, seria o progressivo desmoronamento do PSB no Paraná.
E o problema pode não ficar restrito às brigas internas.
Segundo as projeções eleitorais mencionadas por especialistas em cálculo de quociente eleitoral, a chapa montada pelo PSB teria dificuldade para alcançar 150 mil votos, cenário que colocaria em risco a eleição de representantes até mesmo nas rodadas de distribuição das sobras, dependendo da votação final e das regras aplicáveis.
Se essa projeção se confirmar nas urnas, o partido poderá pagar um preço alto pela divisão interna: muita briga pela chave da casa e poucos votos para manter a porta aberta.
O desgaste provocado pelas disputas entre filiados, somado ao questionamento judicial da convenção, coloca Luciano Ducci diante de uma situação politicamente incômoda: além de explicar a rebelião dentro do próprio partido, terá de provar nas urnas que a estratégia adotada pela direção não reduziu a competitividade eleitoral do PSB.
Ducci quis controlar o PSB. Agora, o desafio será evitar que sobre muito controle e faltem votos.