RATINHO JR. VAI ANTECIPAR “CHÁ REVELAÇÃO” PARA EVITAR O RACHA DO PSD

chae

O governador Ratinho Jr., que passou férias com a família nos Estados Unidos e retornou na última quinta-feira (26), deve antecipar a definição do nome que pretende apoiar como sucessor ao Palácio Iguaçu.

Nos bastidores, três secretários de peso e caciques do grupo governista mantiveram contato direto com o governador para conter o racha que começa a se desenhar dentro do PSD após o Carnaval. O clima azedou e já há sinais claros de tensão entre alas do partido.

O estopim do burburinho foi aceso pelo secretário de Agricultura, Márcio Nunes, durante o Show Rural, em Cascavel. Ao fazer um comentário infeliz da possibilidade de Alexandre Curi romper com o governo para disputar o cargo, Nunes afirmou que isso contrariaria tudo o que vinha sendo dito até agora. E disparou: “Seria igual um piá pançudo que não foi escolhido, pegou a bola e saiu de campo”.

A declaração foi considerada por parte da classe política como desnecessária e totalmente desrespeitosa, pois Alexandre está melhor cotado que Guto Silva, que tem o apoio declarado de Nunes.Com este atropelo, deputados e até secretários procuraram interlocutores próximos ao governador para reclamar do tom adotado.

Nos corredores do Palácio, a avaliação é que esse tipo de movimento fortalece a ala alinhada à Guto Silva e amplia o desgaste interno justamente em um momento em que o grupo deveria trabalhar pela unidade. A preocupação vai além da sucessão estadual: envolve a estratégia construída com deputados e partidos aliados, que pode ser comprometida por uma eventual cisão.

Prefeitos do interior também relatam uma ofensiva pró-Guto Silva conduzida por Márcio Nunes e outro secretário de forte influência no governo. Esses relatos já teriam chegado ao conhecimento do governador.

Diante do cenário, cresce dentro do Palácio Iguaçu a defesa de uma desincompatibilização antecipada de secretários que desejam disputar as eleições, numa tentativa de reduzir a temperatura política e preservar a governabilidade.

O chamado “chá revelação” do sucessor, inicialmente cogitado para a inauguração da Ponte de Guaratuba, pode ser antecipado. Ratinho Jr. terá que agir como articulador político e aplicar uma regra básica — não apenas da física, mas da política: dois projetos não ocupam o mesmo espaço por muito tempo.

Se o impasse persistir, a dor de cabeça pode atingir não só os aspirantes ao governo, mas também o primeiro e o segundo escalão da administração.

A prioridade de agora em diante é evitar o racha e abafar o caso, porque a turma do gargarejo de outras siglas está se deliciando com estes atritos.

A DIREÇÃO.

Compartilhe