Estamos vivendo mais uma movimentação política e os fatos são cada vez mais reveladores, como é natural, vão nos mostrando fatos, comportamentos, pessoas e situações que através de um palanque eleitoral muitas vezes mudam completamente aquela imagem que se tinha anteriormente dos mesmos.
Na campanha política tudo se revela, dizia meu pai “na santa sabedoria de uma pessoa simples, mas que já havia acompanhado várias disputas eleitorais ao longo de sua existência”.
Uma lição de vida que hoje, depois de dois anos que ele se foi, ainda cala profundamente quando passo a falar de política e lembrar situações semelhantes com as atuais que aconteceram num passado não muito distante.
Os políticos com toda sua imaginação, inicialmente porque no passado não existia esse negócio de marquetólogo, era tudo no peito, na raça, e no gogó, como diziam, criavam com habilidades fatos e situações capazes de levar o eleitorado a ficar inteiramente mergulhado em suas lições de vida, que acabam por nos levar a verdade da qual acordamos quando a eleição já se definiu e, eles todos abraçados sem nenhuma ideologia comemoram as articulações, que tiveram êxito em cima de um povo que serviu como massa de manobra.
Por exemplo, em nossa capital do estado, observando os resultados da última eleição e os namoros que começaram a surgir nesta semana, vemos que os fatos do passado afloraram de modo contundente mostrando algumas incoerências, que voltei a lembrar no ano de 2010 quando Osmar Dias, no PDT, se abraçou com o PT de Lula e Cia., para disputar com Beto Richa (PSDB) o governo do estado. Na época se achava impossível, pois Osmar era o candidato do agronegócio e tinha o irmão Álvaro Dias, como um dos maiores opositores ao governo de Lula, além da grande rivalidade política com Gleisi Hoffmann no estado. Beto Richa ganhou de Osmar Dias, com o PT e PDT levando uma derrota acachapante

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CAPUTO PODE CAPOTAR
Os indícios deste novo namoro e a formalização deste acordo acontecerão com a indicação de Michele Caputo (PSDB) para o conselho da Itaipu. No evento da coalização Caputo era só alegria e fez questão de ressaltar que falava em nome do PSDB do Paraná, pois teve autorização do presidente estadual, o deputado federal e ex-governador Beto Richa, que não foi ao evento porque já tinha agendado outros compromissos.
Sabe-se que neste palanque não faltaram às caneladas entre alguns membros do PSDB e PT, pois nele estarão lado a lado Gleisi Hoffmann, Beto Richa e Roberto Requião.
Este será o maior problema de Caputo para viabilizar esse namoro, o de apaziguar arestas entre estes rivais crônicos, pois o insucesso desta aliança fará o sonho de Caputo capotar do cargo da Itaipu.
O sonho de Caputo não para por aí, ainda é mais alto, pois no mesmo discurso “agradeceu ao convite e começou dizendo que o PSDB tem diferenças com os partidos de esquerda, “traduzidos, principalmente nos momentos eleitorais”, mas que hoje “temos algo que nos une que é o respeito ao estado democrático de direito, e recentemente, traduzidos pela eleição do presidente Lula”. Salientou que a unidade política e o compromisso com os partidos de esquerda para mudar os rumos da Prefeitura de Curitiba, nas eleições de 2024, e também no Estado, em 2026, afirmou o tucano.
COLIGAÇÃO ENGOV EM 2010
Para alguns pode não ter importância recordar, mas para outros sempre é bom lembrar que há alguns anos, houve este acordo e agora outro modelo de formatação também poderá levar alguns inimigos a subir no mesmo palanque, denominado na época pelo colunista Ogier Buchi como a COLIGAÇÃO ENGOV. O Encontro de Coalizão ressuscita a COLIGAÇÃO ENGOV II que poderá reunir PT/PCdoB/PV / PSB /PDT / Solidariedade, além de PSDB/Cidadania e Rede/PSOL, através da nova jogada que é as Federações.
Goura (PDT), Michelle Caputo (PSDB), Luciano Ducci (PSB) e Arilson Chiorato e Vanhoni (PT).
Lembrei destes fatos porque a nossa política vai e volta, como o mundo, deixando rastros de lembranças que devem servir de alerta, pois eleição só se decide mesmo na hora em que os nomes forem registrados no Tribunal Regional Eleitoral com os devidos candidatos de cada partido.
POLARIZAÇÃO EM 2024
O PT quer se tornar novamente protagonista nas futuras eleições no Paraná nem que seja necessário aliança com partidos rivais em uma disputa há mais de 16 anos.
Na disputa pela prefeitura de Curitiba teremos uma frente ampla da esquerda que terá possivelmente Luciano Ducci (PSB) liderando o bloco, tendo ao lado pelo PT a deputada federal Carol Dartora, com uma vontade enorme de marcar posição para futuros embates como em 2026, não se esquecendo a possibilidade de Goura (PDT) como vice, pois o pedetista foi o segundo colocado na eleição de 2020.
De outro lado mais do centro para direita teremos o hoje apagado Paulo Martins que tentará ser o candidato da PL, Deltan Dallagnol que teve excelente votação na capital, andando com o senador Sergio Moro para angariar mais votos. Estes dois grupos do PL e do PODEMOS deverão se alinhar com o time do governador Ratinho Jr., pois sabem que divididos darão de presente a prefeitura a esquerda no Paraná.
RAFAEL GRECA O CABO ELEITORAL EM CURITIBA
O candidato Eduardo Pimentel, já tem uma base sólida por estar no segundo mandato como vice prefeito e hoje está em uma das principais secretarias do estado que leva obras a todos os municípios, ao lado do reeleito governador Ratinho Jr, o que lhe dá uma visibilidade ainda maior. Sendo que o maior cabo eleitoral de Eduardo hoje é o prefeito Rafael Greca, que tem a aprovação dos munícipes curitibanos.
“PT/PSDB É CANALHICE EXPLÍCITA”
Ia ser novidade se ele ficasse quieto, mas o candidato do PT derrotado vergonhosamente ao governo Roberto Requião (PT), reagiu com a famosa arrogância com este namoro explícito entre PSDB e PT como uma frente ampla no mesmo palanque. A reação foi imediata: “Num mesmo grupo político, uma vergonha, uma canalhice explícita”, disse o petista. “Este pessoal do PSDB, o Beto Richa, Luciano Ducci, é exatamente o pessoal responsável pela privatização da informática da Prefeitura de Curitiba. Precisamos de uma aliança pragmática, disse o boquirroto!
BOLSONARISMO VERSUS LULISMO
A disputa em 2024 irá confrontar e a aglomerar adversários históricos no Paraná, prevalecendo interesses particulares e as ideologias estarão sendo deixadas de lado, e com certeza os grupos da última eleição a presidente em 2022 irão requentar o bloco do ex-presidente da república Jair Bolsonaro (PL), que foi apoiado por Ratinho Jr. no estado contra uma esquerda com várias federações a favor de Lula. Teremos três máquinas públicas se movimentando , governo e prefeitura de um lado contra a máquina federal e Lula a tiracolo na tentativa de afastar um grupo que está a 8 anos na prefeitura.