A sabatina da RPC com o deputado estadual Alexandre Curi, candidato ao Senado, na segunda -feira (31) a meio dia, deixou uma pergunta no ar: era uma entrevista eleitoral ou um interrogatório?
Das cerca de 40 perguntas feitas durante a sabatina, mais da metade teria sido concentrada em torno de um único assunto: os chamados “Diários Secretos”. A insistência chama atenção justamente porque Curi já foi inocentado das acusações relacionadas ao episódio. Ainda assim, o tema voltou repetidamente à mesa, ocupando um espaço desproporcional em relação às propostas e ao que o candidato pretende fazer caso chegue ao Senado.
A insistência pode alimentar a percepção de um direcionamento editorial das perguntas, transformando uma sabatina eleitoral em algo muito próximo de uma inquisição. Em alguns momentos, a dinâmica lembrava mais um depoimento diante de um órgão de investigação do que uma conversa com um candidato que disputa uma vaga no Senado.
Mesmo submetido à bateria de questionamentos, Alexandre Curi conseguiu apresentar sua versão, explicar sua atuação e defender o modelo de gestão implantado na Assembleia Legislativa do Paraná, destacando medidas de transparência, investimentos e obras realizadas nos municípios por meio do orçamento da Casa.
Curi também procurou levar a discussão para aquilo que realmente estará em jogo em uma eleição para o Senado: o futuro do Paraná e a atuação que pretende exercer em Brasília.
O candidato afirmou ser o único entre os concorrentes que conhece os 399 municípios do Paraná, experiência que, segundo ele, pretende utilizar para ampliar a representação do Estado no Senado.
Também fez críticas ao desempenho dos atuais senadores paranaenses, questionando o que classificou como baixo rendimento e pouca atuação em defesa dos interesses do Estado.
No fim, a sabatina acabou produzindo um efeito curioso. Ao tentar manter o candidato preso ao passado, a entrevista deixou pouco espaço para discutir o futuro.