As palavras têm poder! Quem nunca ouviu nessa frase? Além de popular, ela faz sentido quando o assunto é fragilidade emocional. Levando isso em consideração, a Prefeitura de Maringá, por meio do Comitê Municipal de Prevenção e Posvenção do Suicídio, vinculado à Secretaria de Saúde, realizou o treinamento ‘Boas Práticas de Saúde Mental’ nesta segunda-feira, 1º, voltado a servidores municipais. O principal objetivo foi orientar os participantes na realização de campanhas seguras, responsáveis e alinhadas às recomendações técnicas de prevenção do suicídio, fortalecendo estratégias de efeito protetivo.
Há quem possa imaginar que basta usar a língua portuguesa da maneira correta para que a comunicação entre profissionais e pacientes seja adequada, mas isso não é suficiente, explicou a palestrante Raquel Antoniassi, presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio (Abeps). “Comunicação também pode ser uma ferramenta de prevenção e precisa promover identificação com a possibilidade de busca de ajuda, de construção de esperança e de ressignificação em torno do sofrimento que a pessoa está vivendo.”
De acordo com as diretrizes de linguagem da Abeps, é preciso entender que o tema é complexo e exige o uso de termos adequados para eliminar estigmas e ampliar a probabilidade de que as pessoas procurem ajuda. Por exemplo: deve-se eliminar a expressão ‘pessoa com tendência suicida’. No lugar, o adequado pela Abeps é usar ‘pessoa com comportamento suicida’.
A diretora de Serviços de Saúde Mental Especializados da Secretaria de Saúde, Flávia Fornaciari Schiarolli, reforçou a necessidade de sempre valorizar a vida durante um atendimento. “A intenção é fazer com que os profissionais informem de maneira clara sobre onde e como acessar apoio, contribuindo para prevenir e evitar abordagens que possam gerar efeitos indesejados.”
Participaram do treinamento representantes das secretarias de Saúde, Educação, Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa, da Criança e do Adolescente, além de equipes da Saúde Ocupacional, do Núcleo Regional de Educação, Centro de Valorização da Vida (CVV) e da ONG Decida Viver, fortalecendo o trabalho intersetorial na promoção da saúde mental e na prevenção do suicídio no município.
Rosângela Zanin é assistente social do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) III e atende diretamente pacientes em situação de vulnerabilidade emocional. Para ela, o treinamento serviu para ajudar no padrão de atendimento. “É importante para que nós profissionais possamos alinhar nossa fala, possamos falar a ‘mesma língua’ na ‘porta de entrada’ de crise. Esse curso é fundamental.”
Onde buscar ajuda – A Prefeitura de Maringá oferece auxílio em saúde mental. Pessoas em vulnerabilidade emocional devem ir até uma das 36 Unidades Básicas de Saúde (UBSs). No local, há avaliação e, caso necessário, direcionamento para os serviços disponíveis como atendimento psicológico na própria UBS, encaminhamento para uma unidade do Caps ou para urgência e emergência. Além disso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional por meio do telefone 188. O CVV é uma associação civil sem fins lucrativos e presta atendimento de graça 24h durante todos os dias da semana.+.