A crise que envolve o caso Master ganhou novas proporções em Brasília.
E, a cada documento, mensagem, contrato ou fotografia que vem à tona, aumenta a pressão por explicações — e agora também por medidas concretas dentro das próprias instituições. O relatório da Polícia Federal colocou no centro do furacão as relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. As mensagens recuperadas do celular de Vorcaro registram pedidos de ajuda, preocupação com as investigações e questionamentos sobre deixar o país antes de sua prisão. O material também revela contatos frequentes e uma proximidade que passou a ser alvo de forte escrutínio. Outro ponto que alimenta a crise é o contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes. A investigação também identificou uma proposta de R$ 50 milhões relacionada a aeronaves, embora essa segunda operação, segundo o escritório, não tenha sido formalizada. O que está sob investigação é justamente saber o que foi efetivamente contratado, pago ou utilizado e se houve irregularidades ou conflito de interesses. Mas o incêndio institucional ganhou uma nova frente: Paulo Gonet, procurador-geral da República, também aparece no material produzido pela Polícia Federal.
Segundo o relatório, o advogado Ciro Soares teria funcionado como uma espécie de intermediário entre Gonet e Vorcaro. Em março de 2025, Soares enviou à Vorcaro uma fotografia ao lado do procurador-geral e, logo depois, teria intermediado ligações entre os dois.
As revelações incluem ainda mensagens relacionadas a um evento em Londres. Segundo o material divulgado, Gonet teria aceitado convite para uma degustação de uísque e charutos organizada por Vorcaro e teria trocado mensagens sobre a participação no encontro, incluindo referência ao Macallan. O relatório também menciona pedidos relacionados às despesas de viagem de um filho.
OAB PARANÁ QUER AFASTAMENTO DE XANDÃO E GONET
A entidade pediu o afastamento cautelar de Alexandre de Moraes e o reconhecimento da suspeição de Paulo Gonet nos casos relacionados ao Banco Master, além de solicitar a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho Federal da OAB para discutir o assunto, determinou Luiz Fernando Pereira. E o episódio ganhou ainda mais combustível porque, após a divulgação do relatório, Gonet pediu a nulidade da investigação que revelou as mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro, argumentando que André Mendonça teria extrapolado sua competência ao determinar o aprofundamento das apurações.