O petit pavé da Praça Nossa Senhora da Salete já conhece bem os altos e baixos da relação entre o governador Ratinho Junior e o deputado federal Ricardo Barros (PP). Em sete anos e meio de governo, a parceria passou por momentos de aproximação e de forte distanciamento.
No início da gestão, o clima era de desconfiança. Afinal, em 2018, Cida Borghetti, esposa de Ricardo, foi adversária de Ratinho na disputa pelo Governo do Paraná. Com o passar do tempo, porém, as diferenças foram sendo superadas e, cerca de dois anos depois, Ricardo Barros já ocupava a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços do Estado e com cargos estratégicos, consolidando uma fase de aproximação política.
A lua de mel, no entanto, durou pouco. Após as eleições municipais de 2024, novas divergências vieram à tona e Ricardo deixou o governo, indicando Marco Brasil para permanecer no comando da secretaria. A permanência do sucessor, porém, também terminou em atritos. Marco Brasil acabou seguindo caminho próprio, contrariando as orientações de Ricardo Barros, o que aprofundou o desgaste entre os antigos aliados.
Agora, o foco da disputa é 2026.
Ratinho Junior trabalha para atrair a Federação União Progressista (União Brasil e PP) ao projeto de eleger Sandro Alex ao Governo do Estado. Ricardo Barros, entretanto, tem outro desenho político. Nos bastidores, articula uma composição que colocaria Rafael Greca (MDB) na cabeça da chapa, tendo Marcelo Belinati (PP) como candidato a vice-governador. A estratégia serviria para acomodar os interesses da federação, garantindo tempo de televisão e uma fatia expressiva do fundo eleitoral.
O governador, por sua vez, acreditava ter avançado nas negociações com Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil. O entendimento previa, inclusive, o fortalecimento do partido no Paraná quando liberou a ida dos deputados Paulo Litro e Luísa Canziani do PSD para o União Brasil, ampliando o palanque de Sandro Alex.
O problema é que o PP não demonstra o mesmo entusiasmo do aliado federado. Enquanto o União Brasil tende a caminhar com Sandro Alex, o grupo comandado por Ricardo Barros resiste à ideia e trabalha por uma alternativa própria.
As convenções prometem ser tudo, menos tranquilas. União Brasil e PP, por integrarem a mesma federação, precisarão encontrar um consenso para a disputa majoritária. Como as conversas com Ratinho Junior esfriaram — e tampouco houve avanço nas tratativas envolvendo Matheus Laiola (União Brasil) no Paraná —, Ricardo Barros intensificou as articulações no estado e em Brasília.
O objetivo é convencer Antônio Rueda e o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, de que seu projeto é o caminho mais viável para a federação nas eleições de 2026.
Os ataques antes das convenções e os blefes já começaram, vamos ver que tem mais bala na agulha para gastar!
A DIREÇÃO