Cada vez mais pessoas estão colocando uma lupa sobre os milionários repasses destinados pela Itaipu Binacional ao Itaipu Parquetec (antigo Parque Tecnológico Itaipu – PTI), inclusive uma revista de renome nacional. O motivo é simples: o elevado volume de recursos públicos envolvidos e os questionamentos sobre a repetição de contratações com as mesmas empresas repetitivamente com ligações societárias bem próximas, situação que, se confirmada, vai virar de ponta cabeça todos os repasses dentro da fundação. Ainda mais que este ano teremos eleições e muita gente ligada aos caciques da usina estarão nas urnas em busca de cargos.
A movimentação financeira impressiona se falando na quantidade de dólares investido pela binacional acima de U$ 38 bi. Apenas recentemente, o Itaipu Parquetec informou ter administrado cerca de R$ 198 milhões em projetos ligados à inovação, ciência e transição energética. Além disso, informações divulgadas pela própria instituição apontam que os repasses para manutenção e execução de projetos alcançam aproximadamente US$ 38,6 milhões por ano, montante que representa centenas de milhões de reais, dependendo da cotação do dólar.
QUEM FISCALIZA ESSES RECURSOS?
O interessante destes repasses é por ser uma fundação de direito privado mantida por recursos provenientes da Itaipu Binacional, o Itaipu Parquetec está sujeito a diferentes mecanismos de fiscalização. Entre eles estão o Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR), o Conselho Fiscal da própria entidade; auditorias externas independentes contratadas por valores absurdos e estranhamente os mecanismos internos de acompanhamento da Itaipu Binacional. Ou seja , será que o MP tem acesso a tudo que estes órgãos repassam ?
QUEM ESTÁ NO COMANDO?
A direção executiva do Itaipu Parquetec é exercida pelo diretor-superintendente Irineu Mario Colombo, indicado pelo diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri. O principal processo judicial de grande repercussão em que Irineu Mário Colombo esteve envolvido foi a Operação Sinapse, deflagrada pela Polícia Federal em 2013. O caso tratava de suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos na área de Educação a Distância (EaD) do Instituto Federal do Paraná (IFPR), época em que ele exercia o cargo de reitor da instituição e após o trâmite processual, a sentença proferida pela Justiça Federal em 2017 absolveu o atual diretor da Parquetec.
OLHOS VOLTADOS PARA OS CONTRATOS
Nos bastidores, aumenta a percepção de que novas representações e denúncias poderão chegar ao Ministério Público e a outros órgãos de controle pedindo a apuração de contratos e critérios de contratação, especialmente em casos que apontem eventual recorrência de fornecedores ou concentração de recursos aplicados em CNPJS diferentes mas com sócios iguais.