Vice de Moro mais que dobrou gastos com viagens na Fiep, que chegaram a R$ 25 milhões em 2025

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A gestão de Edson Vasconcelos à frente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) registrou novo recorde de gastos com transportes e viagens em 2025, no momento em que o então presidente da entidade disputa a eleição como candidato a vice de Sergio Moro (PL). A despesa chegou a R$ 25,35 milhões, segundo o relatório anual da própria Fiep, mais que o dobro dos R$ 11,7 milhões registrados em 2022, último ano completo antes de Vasconcelos assumir a presidência.

O crescimento dos gastos ocorre paralelamente a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura suposto abuso de poder econômico envolvendo a chapa de Moro e Vasconcelos e a estrutura da Fiep. O TRE-PR determinou, neste mês, que a entidade preserve documentos fiscais e contábeis de eventos realizados entre 2024 e 2026 que estão no centro da investigação. A ação foi apresentada por Sandro Alex (PSD) e pela coligação A Mudança Continua, que alegam que a estrutura da Federação foi utilizada para dar visibilidade política à chapa.

O aumento das despesas é expressivo: em 2024, a Fiep já havia registrado o então maior gasto da série, de R$ 20,01 milhões. Em 2025, o valor subiu mais 26,7%, atingindo novo recorde. Na comparação com 2022, a alta chega a 116,6%.

Os gastos já estavam sob questionamento antes de a disputa eleitoral chegar à Justiça. Em março, reportagem da Veja apontou os gastos com viagens entre os pontos que levantavam questionamentos sobre a gestão de Vasconcelos e registrou que a Fiep havia alcançado, em 2024, seu então maior gasto histórico com viagens.

*Gastos contradizem discurso de austeridade*

O aumento das despesas na gestão de Vasconcelos entra em contraste com o discurso de austeridade e controle dos gastos públicos levado pela chapa de Moro para a campanha. Em evento com empresários em agosto, Moro e Vasconcelos apresentaram a proposta de uma administração pública mais enxuta, com redução da estrutura administrativa, menos burocracia e maior eficiência na utilização do dinheiro público.

A contradição aparece nos próprios números da gestão empresarial de Vasconcelos. Enquanto a chapa defende uma máquina pública mais enxuta e o controle das despesas, a entidade presidida por seu candidato a vice registrou dois recordes consecutivos de gastos com transportes e viagens, chegando a R$ 25,35 milhões em 2025.

O relatório mostra que, naquele ano, a Fiep ofereceu suporte à atuação de 54 diretores e fez a gestão da agenda do presidente, incluindo encontros, visitas oficiais e viagens nacionais e internacionais. Ao longo de 2025, foram registradas 475 participações em reuniões da Diretoria, sendo 321 presenciais.

A rubrica “Transportes e viagens” aparece no Demonstrativo do Valor Adicionado da Fiep, mas o documento não apresenta nesse quadro a abertura dos R$ 25,35 milhões entre passagens, hospedagens, deslocamentos terrestres e outras despesas.

Na área ambiental, o relatório afirma que as emissões relacionadas às viagens corporativas tiveram redução de 20%, mesmo com aumento dos quilômetros voados. Ao mesmo tempo, o consumo de gasolina da frota própria e locada passou de 146.260 litros em 2024 para 165.751 litros em 2025, alta de 13,3%. O consumo de diesel ficou praticamente estável e o de etanol caiu 4,3%.

*Falta de transparência também é questionada*

Vasconcelos também tem defendido transparência e responsabilidade na gestão pública, mas a própria administração que comandou na Fiep acumulou problemas na apresentação das informações sobre despesas. Durante sua gestão, o Portal da Transparência chegou a apresentar R$ 53 milhões sob a rubrica de jardinagem, contra R$ 13,7 milhões registrados anteriormente. O caso foi questionado publicamente e também apareceu na reportagem da Veja sobre a gestão de Vasconcelos.

Depois que os registros vieram a público, a Fiep informou que havia identificado uma inconsistência na classificação de parte dos serviços de facilities e anunciou a reclassificação das informações e uma revisão de todo o Portal da Transparência.

O episódio é revelador porque o problema estava no próprio sistema que deveria permitir o acompanhamento das despesas da entidade. A correção anunciada veio depois que os registros foram revelados e passaram a ser questionados publicamente.

Agora, o relatório de 2025 apresenta outro exemplo de informação que, embora publicada, não permite uma fiscalização detalhada. Os R$ 25,35 milhões aparecem concentrados na rubrica “Transportes e viagens”, sem abertura, no documento, de quanto foi gasto com cada tipo de deslocamento, destino ou finalidade.

Na prática, a gestão de Vasconcelos acumulou recordes de gastos ao mesmo tempo em que a Fiep apresentou informações incompletas ou inconsistentes sobre suas despesas — algumas delas posteriormente revistas após virem a público. O contraste se torna ainda mais evidente diante do discurso de transparência, austeridade e controle dos gastos levado por Vasconcelos para a disputa eleitoral.

É nesse contexto que os novos números da Fiep se cruzam com a investigação eleitoral. A Justiça Eleitoral determinou a preservação dos documentos que podem esclarecer as despesas de eventos realizados pela entidade e que estão sendo questionados na ação por suposto abuso de poder econômico. A medida não representa, por si só, uma conclusão sobre a existência do abuso, mas mantém sob análise os gastos e a utilização da estrutura da Federação no período eleitoral.

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