O retorno das férias é sempre difícil para quem exerce uma vida pública tão exposta quanto a do governador Ratinho Jr., ainda mais em um ano eleitoral, em que ele coloca seu capital político em jogo ao tentar eleger um sucessor.
No Paraná, há mais de trinta anos um governador não consegue fazer o sucessor. Basta lembrar os casos mais recentes de Roberto Requião, Jaime Lerner e Beto Richa.
O caminhão de abacaxis já está carregado e pronto para começar a ser descascado a partir de segunda-feira (13). Nesse embalo, o governador deverá afiar bem as facas ao lado de seus principais aliados, como Sandro Alex e Alexandre Curi, para definir a estratégia que será levada às convenções do PSD, marcadas para o próximo dia 25 de julho, e tentar dar o famoso upgrade na campanha.
ABACAXIS
Um dos primeiros problemas surgiu nesta semana com o aviso do Podemos de que poderá abandonar a coligação e reabrir conversas com o candidato do PL ao Governo do Estado, Sergio Moro. O vice-presidente nacional do partido, Pastor Everaldo, já teria confidenciado a integrantes da legenda que promessas feitas pelo governo não teriam sido cumpridas. Com isso, estaria de malas prontas para mudar de lado, colocando em situação delicada Felipe Francischini, Lu Bonato e o deputado Do Carmo.
Outro grande abacaxi é a ansiedade dos prefeitos em relação ao pagamento das obras prometidas por Guto Silva e à garantia de que os recursos serão efetivamente liberados. O discurso de Norberto Ortigara na Assembleia Legislativa, ao afirmar que apenas os valores empenhados até o dia 5 de julho seriam honrados e que o restante ficaria para a próxima gestão, provocou apreensão entre os prefeitos de todo o Estado.
As alianças partidárias também serão um dos temas mais delicados para o futuro da candidatura de Sandro Alex. Até o momento, apenas os Republicanos, comandados por Alexandre Curi, asseguraram apoio. Já o MDB, que era considerado um aliado praticamente certo, deixou de ser favas contadas. Rafael Greca segue em voo solo na busca por um candidato a vice, que poderá ser Marcelo Belinati ou Cida Borghetti, do PP, fortalecendo a chapa com recursos do Fundo Eleitoral e maior tempo de televisão.
O enquadramento dos chamados “traíras” será outro assunto interno que promete provocar novos atritos. Há filiados e aliados com um pé em cada canoa, e muitos deverão receber um recado claro nos próximos dias sobre fidelidade partidária.
A definição do candidato a vice-governador, diante da situação envolvendo Cristina Graeml, também será um enorme abacaxi para descascar. Internamente, muitos prefeitos e lideranças do PSD — entre eles Eduardo Pimentel — ainda resistem à ideia e, como dizem nos bastidores, ainda não tomaram “Engov” suficiente para engolir a presença de Cristina na sigla.
Outro compromisso importante será a reunião decisiva com deputados estaduais e federais, que aguardam a volta do governador para definir qual será o rumo político de cada um nos cerca de 85 dias que restam até a eleição.
Nos bastidores, o que se comenta é que a carga de abacaxis é pesada. E há quem diga que muitos deles continuarão azedos até a hora da degustação.