O TABU NO PARANÁ: GOVERNADORES SE REELEGEM, MAS NÃO ELEGEM O SUCESSOR

DFSGERYRE

A eleição de Sergio Moro (PL) para o Governo do Paraná, no primeiro turno das Eleições 2026, reforçou um fenômeno que atravessa quase três décadas da política estadual: desde que a reeleição para o Executivo passou a ser permitida, os governadores paranaenses que conseguiram conquistar um segundo mandato não conseguiram eleger o candidato escolhido para sucedê-los.

O resultado de 2026 colocou Ratinho Junior dentro desse mesmo capítulo da história política do Paraná.

Sergio Moro foi eleito com 3.127.911 votos, ou 50,10% dos votos válidos. Sandro Alex (PSD), candidato apoiado por Ratinho Junior, terminou em segundo, com 25,37%, enquanto Requião Filho (PDT) ficou em terceiro, com 23,47%. O resultado foi confirmado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.

Com isso, Ratinho Junior encerra seu segundo mandato sem conseguir fazer seu candidato assumir a continuidade do projeto político construído durante os oito anos de governo.

O fenômeno não é novo.

Jaime Lerner, Roberto Requião, Beto Richa e agora Ratinho Junior conseguiram vencer a própria reeleição, mas seus grupos políticos não conseguiram eleger o sucessor na eleição seguinte.

É o que pode ser chamado de tabu da sucessão no Paraná, pois tivemos cinco eleições consecutivas decididas no primeiro turno

Outro dado chama atenção na história recente.

 DESDE 2010 NÃO TEM SEGUNDO TURNO

Desde 2010, o Paraná não leva a disputa pelo governo para o segundo turno. A eleição de 2026 foi a quinta consecutiva decidida já na primeira votação.

A última vez em que o eleitor paranaense precisou voltar às urnas para escolher o governador foi em 2006, quando Roberto Requião venceu Osmar Dias no segundo turno.

Desde então, Beto Richa venceu em 2010 e foi reeleito em 2014; Ratinho Junior venceu em 2018 e também foi reeleito em 2022; e Sergio Moro venceu no primeiro turno de 2026. O TRE-PR mantém em seu acervo os resultados oficiais das eleições estaduais anteriores.

Mas o dado mais relevante não está apenas na quantidade de vitórias no primeiro turno.

Está na dificuldade dos governadores de transferir o poder para alguém escolhido por eles.

LERNER TAMBÉM NÃO CONSEGUIU FAZER O SUCESSOR

Jaime Lerner foi eleito governador em 1994 e reeleito em 1998.

Na eleição seguinte, em 2002, seu grupo não conseguiu permanecer no comando do Estado.

Beto Richa, então uma das principais lideranças do grupo político de Lerner, disputou a eleição, mas não chegou ao segundo turno. A disputa final ficou entre Roberto Requião e Álvaro Dias, com Requião vencendo a eleição.

O episódio mostrou que nem mesmo um governador reeleito e com forte influência política consegue garantir, por antecipação, a eleição de seu sucessor.

REQUIÃO TENTOU MANTER SEU GRUPO NO PODER

O primeiro caso emblemático dessa sequência ocorreu depois dos dois mandatos consecutivos de Roberto Requião.

Requião foi eleito em 2002 e reeleito em 2006. Em 2010, deixou o governo antes do término do mandato para disputar uma vaga no Senado. Seu vice, Orlando Pessuti, assumiu o Palácio Iguaçu.

Pessuti tentou permanecer no cargo pelas urnas, mas encontrou dificuldades dentro do próprio campo político.

A sucessão de Requião acabou sendo marcada por divisões partidárias e pela dificuldade de preservar a mesma coalizão que havia sustentado seus dois mandatos.

Na eleição de 2010, Beto Richa (PSDB) venceu ainda no primeiro turno, com 52,44% dos votos válidos, contra 45,63% de Osmar Dias (PDT).O resultado encerrou o ciclo de Requião no Executivo estadual e inaugurou uma nova fase da política paranaense.

BETO RICHA TAMBÉM ENFRENTOU O MESMO OBSTÁCULO

Beto Richa repetiu a trajetória de Lerner na década seguinte.

Eleito governador em 2010, Richa conquistou a reeleição em 2014, com 55,67% dos votos válidos.

Em 2018, porém, deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado, e seu grupo apresentou a então vice-governadora Cida Borghetti (PP) como candidata ao governo.

Cida tentou manter o projeto político em funcionamento, mas não conseguiu.

Ratinho Junior venceu a eleição ainda no primeiro turno e encerrou o ciclo político de Richa no Palácio Iguaçu.

A própria Justiça Eleitoral registra os resultados das eleições estaduais de 2018 e dos pleitos anteriores em seu acervo oficial.

RATINHO REPETE O ROTEIRO 16 ANOS DEPOIS

Dezesseis anos depois, a história apresenta semelhanças. Ratinho Junior foi eleito governador em 2018 e reeleito em 2022. Ao chegar a 2026, o governador tinha diante de si a possibilidade de construir uma sucessão política capaz de manter seu grupo no comando do Estado. Depois de abandonar a possibilidade de disputar a Presidência da República, Ratinho concentrou esforços na definição de um candidato ao governo. O escolhido foi Sandro Alex, do PSD.

A estratégia era apresentar o deputado federal e ex-secretário como o candidato capaz de preservar as políticas e o modelo administrativo dos dois mandatos de Ratinho não deu certo.

Na reeleição, o eleitor avalia diretamente o governador: sua administração, sua imagem, suas realizações e sua relação pessoal com o eleitorado. Na sucessão, a escolha recai sobre outra pessoa.

Agora é a vez de Ratinho entrar para a história…

UM TABU QUE ATRAVESSA QUATRO GOVERNADORES

O histórico pode ser resumido de forma simples:

Jaime Lerner
Eleito em 1994 → reeleito em 1998 → grupo derrotado na sucessão de 2002.

Roberto Requião
Eleito em 2002 → reeleito em 2006 → grupo derrotado na sucessão de 2010.

Beto Richa
Eleito em 2010 → reeleito em 2014 → grupo derrotado na sucessão de 2018.

Ratinho Junior
Eleito em 2018 → reeleito em 2022 → grupo derrotado na sucessão de 2026.

É esse o tabu que a vitória de Sergio Moro mantém vivo na política paranaense e deverá encarar a partir de 2027.

O FIM DE UM CICLO E A PERMANÊNCIA DO TABU…

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