O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC 221/2019) que acaba com a escala de trabalho 6×1, uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Lula (PT). A declaração marca uma mudança de posição do candidato, que vinha criticando a medida e defendendo um modelo alternativo de contratação, com pagamento por hora trabalhada. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro, informou o site CONGRESSO EM FOCO.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, afirmou Flávio, após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília.
A PEC, cuja votação está prevista para quarta-feira (14) no Senado, reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, assegura dois dias de descanso por semana e proíbe a redução de salários.
Até então, Flávio vinha defendendo uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, que prevê maior flexibilidade na contratação e pagamento por hora trabalhada. O candidato chegou a classificar a proposta apoiada pelo governo Lula como oportunista.
Apesar de anunciar voto favorável à PEC, Flávio manteve críticas ao texto. Segundo ele, a proposta não contempla adequadamente trabalhadores que precisam de horários flexíveis, como mães com filhos pequenos e profissionais em regime de home office. “Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho”, afirmou.
O candidato também defendeu uma compensação financeira do governo às empresas, argumentando que a redução da jornada poderá exigir novas contratações e estimular a informalidade. “O governo é que vai ter que bancar essa compensação”, disse. “O meu voto vai ser conforme a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro.”
Visita ao pai após três meses
Flávio fez o anúncio depois de visitar Jair Bolsonaro pela primeira vez em três meses. Os encontros estavam suspensos desde julho, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, após o senador divulgar nas redes sociais uma carta do pai em apoio à sua candidatura presidencial.
Moraes autorizou a retomada das visitas na segunda-feira (12), após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A decisão manteve a proibição de encontros com finalidade político-eleitoral.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar desde março, por razões de saúde.