Entre os candidatos ao governo do Estado não é possível dizer que a internet teve influência direta no resultado que deu a vitória a Ratinho Junior (PSD). Pelo contrário, o potencial de reverter a liderança do candidato ao longo da campanha é que foi inócuo, avaliam publicitários ouvidos pela reportagem. Coordenador de comunicação da campanha de Cida Borghetti (PP) à reeleição, Marcelo Cattani reconhece que não só ele próprio, mas as campanhas dos adversários não compreenderam como agregar resultado às plataformas disponíveis. “A gente apostou muito no impulsionamento. Mas neste ano nada teve impacto, nem emocional, nem racional. A gente tem que ter humildade de reconhecer”, admite. As informações são de Narley Resende no Bem Paraná.
Outro fenômeno observado foi a baixa influência do programa eleitoral. “Tivemos os índices mais baixos de audiência nos programas de rádio e TV. Todos os trackings (monitoramento) apontaram nada (de resultado)”, afirma Cattani.
Estudo de caso – As campanhas vêm uma derrota da campanha tradicional. Faltaria apenas que a teoria fosse adequada. “Com certeza muita gente vai fazer estudos técnicos e vai produzir literatura sobre isso. O próprio Whatsapp vai ter que se posicionar, mostrar os dados de tráfego, direcionamento. O TSE vai cobrar isso, até para poder entender como agir. As bancas jurídicas ficaram sem sabem como agir muitas vezes por falta de referência técnica”, avalia Cattani.
Em 2014, ano em que também houve uma atenção especial à internet nas campanhas, as redes sociais tinham seu potencial reconhecido, mas em relação ao desgaste da imagem e não ao potencial de convencimento. “Fosse assim uma campanha poderosa como a de Alckmin conseguiria desconstruir alguma coisa. Aqui, João Arruda (MDB) (candidato ao governo) atacou muito e caiu. Não adiantou nada”, aponta.
Outra constatação é de que o trabalho na internet não começa na campanha. Deve ser autêntico. “Agora, não adianta um candidato quadrado do nada querer ser o engajado na internet. Não é para qualquer um. Tem ainda os candidatos das causas. O Goura (PDT) (deputado estadual eleito) fez uma bela campanha nesse sentido. Flavio Arns (REDE) (senador eleito) é um bom exemplo também”, afirma.