COLUNA DE OGIER BUCHI: ERA UMA VEZ UM PAÍS!

OGIER ADE

Como eu sou muito velho, tive a felicidade de na infância ser colocado para dormir com a presença de meu avô materno, o velho torcedor do Clube Atlético Ferroviário, Raul Alberge que, como era o hábito dos avôs de então, contava uma história para os netos como forma carinhosa de induzi-los ao sono.

Como é de conhecimento geral, tudo começava com “Era uma vez…”. Tivesse eu a oportunidade de colocar os meus netos para dormir, o que convenhamos tornou-se inviável com o advento do celular, iniciaria o momento de ternura familiar com “Era uma vez um país habitado por homens e mulheres patrióticos e do bem”. Haveria de ser uma história linda sobre uma terra já descrita como aquela em que “em se plantando, tudo dá” e habitada por gente de boa índole, como tão bem descrito no sucesso de Buarque de Hollanda.

Haveria, nessa abençoada terra, um sentimento de gratidão e, entre os jovens, certamente uma expectativa de que esta seria sim, a abençoada nação do futuro.

Todavia, não é só o invento tecnológico que interrompe o meu devaneio. Muito mais contundente do que o invento, é a realidade da civilização construída ao longo de cerca de 500 anos de revelação e de uma cidadania que se iniciou de fato em 1808.

A grande verdade, a inexorável, a irrefutável, é que esta mestiçagem que lastimavelmente compõe o tecido genético daquilo que se chama “povo brasileiro” está cada vez mais confrontado com a pujança, a beleza e a grandeza da terra, do meio ambiente.

Ora, escancaram-se as manchetes e me deparo com um Presidente ébrio, guiado por sua oportunista cuidadora de origem incerta e tão criticada – não se com razão ou não. Me aprofundo no manchetário e me assusto com a tragicômica figura de Alexandre, o Déspota de Toga, que se compraz em espancar furiosamente a obra que, em tese, ele mesmo construiu para didaticamente orientar os seus semelhantes, em relação ao comportamento adequado frente à Constituição pátria.

Mais um pouco, e assisto uma notícia do efeminado Presidente da Suprema Corte, que entre risos frouxos e pitadas filosóficas, demonstra seu desrespeito aos seus semelhantes. Na mesma página do hebdomadário, me defronto com o destaque social que é a festa da Dona Guiomar, patrocinada – hahaha – pelo seu marido, Ministro do Supremo Tribunal Federal, que ganha menos de sessenta por mês, e serve scotch de mais de quatro, o litro. Diria o povo da Jovem Guarda “festa de arromba”!

Ainda incrédulo, me deparo com o grande “crítico”, o Governador de Goiás, no meio dos rapapés. Ainda no mesmo ágape, cochichavam num canto, elaborando certamente um novo golpe contra o interesse dos habitantes da terra amada, o filho de ladrão da Paraíba, Presidente da Câmara Federal, e o Senador que tem entre os familiares, acusados de traficância, certamente traçando a estratégia para obedecer às ordens que Gilmar Mendes deu a Lulle, para que este as repetisse a ambos.

Esta, uma faceta da agressão que se consuma contra a Terra de Vera Cruz, pelos ávidos degenerados deste sub povo nominado Povo Brasileiro.

A OUTRA BANDA

Na outra banda, não existe aparentemente nem partitura e vários querem a função de maestro. Na opinião popular, a batuta deveria ficar nas mãos do Capitão, todavia, o Imperador Calvo já decidiu que sua missão de vida é levar ao calabouço Bolsonarus I.

Com efeito, o séquito bolsonariano não tem contribuído para uma unidade e, pior do que isso, tem trazido a público o rasgar das túnicas, com destaque para o Pajé Malafaia e para Eduardo da Broadway. Ora, as ações teatrais do Pajé ou do deputado federal têm trazido muito mais confusão do que a ambicionada união – e, mais do que a ambicionada união, uma efetiva proposta que sintetize o que o cidadão brasileiro deseja como enfrentamento da inépcia e da falta de patriotismo dos governantes que bajulam permanentemente os ditadores de esquerda.

Uma simples busca de um raciocínio cartesiano que possa nos conduzir a um futuro melhor, nos obriga a imaginar que realmente só uma terceira visão pode nos indicar uma solução para esta horda de tupiniquins que busca, tão somente, seus interesses e/ou de seus grupos e que não tem a menor capacidade de buscar união em prol do objetivo único de fazer voltar a crescer o nosso amado país.

DE ÚLTIMA HORA

Enquanto escrevo, sou informado de que o Centrão, sempre ele! busca encontrar um ponto de equilíbrio entre estes segmentos tão polarizados e desde logo sugere uma dupla que pode, face ao histórico e experiência, convencer parcela da população. O caciquismo que envolve Ciro Nogueira, Rueda, e similares, canta em prosa e verso a dupla do momento: Tarcísio e Ciro Gomes.

Se vem do Centrão, certamente tem suporte político indiscutível. Além do que, indica pessoas ligadas ao gigantesco fundo partidário, que sob o ponto de vista prático, dá suporte a qualquer candidatura. Muita gente perguntou aonde se encaixaram politicamente os citados. Ora, Tarcísio já é um homem do Republicanos, partido pragmático por excelência; e Ciro encontrará albergue onde o Centrão quiser.

 E OS OUTROS?

Como se sabe, o Novo deixou claro que vai de Zema e Caiado não abre mão de se posicionar como candidato. A dúvida, nesta etapa, é relativa ao senhor Ratinho Jr., que sem dúvida se posiciona como candidato viável ao pleito presidencial.

Importa frisar que o Governador paranaense não abandonou a sua ofensiva regional, que é muito bem estruturada, tanto que vislumbra a manutenção da entrega das grandes obras estruturais, ao tempo em que não se descuida da popularidade, como a redução significativa do IPVA bem demonstra.

No estilo que consagrou as suas vitórias, o Sr. Ratinho Jr. é bastante cauteloso na construção da sua caminhada, e me parece que isto tem lhe dado respostas positivas, bastando para isto que revisitemos sua trajetória vitoriosa.

Às vezes penso que ele aprendeu com o avô paterno, lá em Monte Sião, que quem tem pressa come cru, e por isso ele espera o aipim ficar minimamente cozido, para que isso impeça um possível molar quebrado.

Vejo a caminhada do paranaense bem estruturada com alguns companheiros que têm posições estratégicas, e além da cautela, a experiência necessária para que o Governador não sofra uma solução de continuidade na sua brilhante carreira, por tentar um salto triplo sem o devido fortalecimento muscular.

Sempre deixo claro aqui que tenho o sonho de ver um paranaense candidato com viabilidade à Presidência da República. Insisto no meu ponto de vista que o Governador do Paraná é viável, e as pesquisas dão suporte ao raciocínio. Não conheço as figuras partidárias do PSD, e Kassab vi uma ou duas vezes na vida não tendo, portanto, nem base nem fundamento para confiar ou não nele.

Esta é uma decisão – confiar ou não – a Ratinho Jr., mas sempre imagino que o único pecado que o Governador do Paraná não pode cometer é o de tomar uma decisão açodada.

Coerente com o que escrevo acima, tenho convicção de que o aipim só sai da panela quando estiver no ponto.

REGIONAIS

E O GOVERNO?

Nesta semana recebi, no nosso Direto ao Ponto, o senhor Guto Silva. Não é segredo para ninguém que o Guto domina bem as questões do Estado do Paraná. Imaginar diferente seria subestimar o jovem professor, que já passou pela Assembleia, pela Casa Civil, pela Secretaria do Planejamento e ora ocupa a Secretaria das Cidades. Um triunvirato de órgãos estatais que dão indiscutível supedâneo ao seu ocupante, para ter uma visão bem aprofundada sobre o presente e o futuro de nosso estado.

É candidato, sim, e está no rol daqueles que poderão ter a unção de um Governador que tem uma aceitação avassaladora nas pesquisas de opinião. No mesmo escalão, está o Presidente da Assembleia, Alexandre Curi, que receberei no mesmo espaço, na segunda-feira (25), até para que se possa estabelecer comparação entre os dois jovens.

É preciso lembrar que Alexandre também está extremamente preparado, pois tem uma capacidade de trabalho indiscutível e reconhecida e, sem embargo, é o que se pode chamar de deputado municipalista. Ora, sei que existem outros pretendentes, entre eles, Secretários de Estados, como por exemplo o de Finanças, Ortigara, que é um homem público extremamente preparado e construiu ao lado do Ortega, o xadrez vencedor de Ratinho Jr.

Sempre que escrevo faço questão de mencionar o vice-governador, Darci Piana, que é uma unanimidade no que tange à dignidade e à respeitabilidade.

Por óbvio, quando se faz comentário de quadro político com antecedência de um ano, é plausível fazer o que popularmente se chama “dar o desconto”, o que humildemente seja feito em relação à opinião aqui expressa.

É óbvio que se o viés do nosso olhar pousar do lado esquerdo, somos obrigados a reconhecer que, neste momento, o lullismo teve uma sobrevida impulsionada pelo trompete anglo-saxônico. Os arroubos nacionalistas capitalizado com perícia pelo fantoche de Gilmar Mendes, o Lulle, ocasionam uma óbvia subida nas pesquisas, o que é incontestável. Neste aspecto, comparo essa subida na pesquisa à volta à tona do sujeito que está se afogando, o que é um fenômeno inexplicável cientificamente, mas irrefutável porque, de fato, acontece.

Dadas as circunstâncias da diatribe do atual governo e do mercado internacional, imaginar que Lulle chegue a 2026 com popularidade é acreditar que Haddad entende de economia, ou que o Ministro da Saúde é um homem honesto – ou seja, quimera.

Todavia, como a análise é a tempo e modo, portanto, aqui e agora, entendo que qualquer pesquisa regional, nesta etapa, ainda mantenha Moro como o vento que uiva, e um eventual candidato pelas forças progressistas, como plausível e ou palatável.

Ora, neste quadro, o único nome que enxergo possa pontear os progressistas, é Rafael Greca, que foi defenestrado em sede de primeiro olhar pelo Iguaçu, o que não me parece ter sido, aprioristicamente, um movimento inteligente.

Todavia, sempre bom lembrar que Rafael tem uma capacidade de exercitar mimetismo como só os muito cultos são capazes de o fazer. Assim, já figurou no PMDB, no PDT, no minúsculo PMN (onde ganhou eleição) ou no gigantesco PSD, onde se encontra. Sua capacidade intelectual e de comunicação lhe garante um porvir, por ora incerto. Mas descartá-lo nesta etapa seria tão obtuso quanto desconhecer a capacidade de agregação de Ricardo Barros e de sua nova confederação.

 ORAÇÃO DE OGIER BUCHI: Orei! E não é de ver que até tô achando aquele intragável do Roberto Justus, suportável? Também, tamo líder! Amém!

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