–ALEXANDRE CURI: Não surpreende a ninguém o crescimento do Alexandre Curi nas pesquisas. Com uma campanha absolutamente limpa, mostrando o que pretende para o Paraná, com muito respeito aos concorrentes, Curi está com o caminho bem pavimentado para representar o Paraná no Senado. É bem provável que, pela linha educada e propositiva que sempre manteve, Alexandre receba também o segundo voto de muitos eleitores da esquerda, de pessoas que estão cansadas da mesma baixaria repetida a cada eleição.
GLEISI: Um nome forte para a segunda vaga é Gleisi Hoffmann, que já era uma das mais viáveis pelo fato de concorrer sozinha pelas esquerdas. Com a escolha do cascavelense Assis Gurgacz Neto, de família tradicional e muito admirada em Cascavel para a primeira suplência, Gleisi certamente vai receber votos de setores que nunca votaram na esquerda.
DELTAN: Salvo mudanças de última hora, neste dia 27 de setembro o Tribunal Superior Eleitoral dará a última palavra sobre a inelegibilidade do Deltan Dallagnol. Em 2022, Deltan foi cassado por unanimidade de 7×0, pelos ministros Benedito, Alexandre Moraes, Carmen Lúcia, Raul Araújo, Sérgio Banhos, Carlos Horbach e Nunes Marques. Destes, apenas Nunes Marques permanece, o que pode mudar o rumo da votação do dia 25.
DELTAN II: Devem decidir o caso Deltan os atuais ministros Nunes Marques, Toffoli, André Mendonça, Antônio Carlos Ferreira, Villas Boas, Floriano Peixoto e Estela Aranha. Eu acredito que o Deltan não tem muita chance, porque, se passar pelo TSE, cai no STF, aquele.
-LEI DE MURPHY: Tudo que pode piorar, vai piorar. Falta menos de um ano para Alexandre de Moraes assumir a presidência do Supremo Tribunal.
-EXEMPLARES: Todas as pessoas que apoiam a direita consideraram que o Fachin, a Carmem Lúcia, o Fux e o Mendonça brilharam na votação. “Ainda existem juízes em Roma”, bradavam.
-HONESTOS: Já os lulistas estão ainda mais apaixonados pelo Alexandre de Moraes, pelo Flávio Dino, pelo Zanin e pelo espetacular Gilmar Mendes. “Acabaram as dúvidas em relação à honestidade do Moraes”, disse o meu amigo Laerson Matias.
-SOCIOLOGIA: Se perguntarem o motivo de tantos brasileiros sérios votarem em candidatos reconhecidamente, comprovadamente ladrões, cada um de nós possivelmente dará opiniões diferentes. E já que todo mundo está exercendo seu direito de opinar, lá vai a minha explicação para o estranho fenômeno desse masoquismo político: são tantas décadas de roubo do dinheiro público, é tamanha a impunidade no país, que o brasileiro, quando recebe a informação de flagrante de um cara pobre que pouco tempo após assumir um mandato está rico, acha normal. “Não era meu mesmo esse dinheiro…”, “bem que ele fez, fosse eu também cuidaria do meu futuro…”, “se ele não pegar, outro pega, melhor que seja dos nossos…”, e por aí afora.
SOCIOLOGIA II: Depois da sessão do STF do dia 15 de setembro, que envergonhou perto de 19.000 juízes e juízas que trabalham honestamente esparramados em 2.500 comarcas estaduais, mais os magistrados/as que trabalham nas outras esferas (Federal, Trabalho, Eleitoral, Militar), a cúpula do Judiciário mostrou aos brasileiros que é inútil alimentar qualquer tipo de esperança em um país mais justo, mais decente. O máximo que podemos esperar é que a imensa maioria dos nossos juízes não seja contaminada pela lama pútrida que escorre do STF.
ESTARRECEDOR: Não são apenas os brasileiros de direita e esquerda que estão estarrecidos com o que assistiram no dia 15. Os principais países do mundo acompanharam aquela sessão e constataram o padrão moral da nossa cúpula judiciária. Imagine quando souberem que 80 senadores são reféns do Alcolumbre e, mesmo que queiram, nada podem fazer. Se você for para o exterior, favor não contar esse detalhe para ninguém para não enlamear ainda mais o Brasil.
CHUMBO GROSSO: Se a pesquisa piorar, Lula tem último cartucho: aumenta o Bolsa Família. A galera, além do voto que já está garantido, vai se desdobrar para arrumar mais unzinho.
FUNDO ELEITORAL E FUNDO PARTIDÁRIO- BRIGA DE FOICE
O Fundo Partidário é distribuído aos 30 partidos de forma proporcional ao tamanho de suas bancadas no Congresso Nacional. É destinado à manutenção rotineira das legendas ao longo do ano (pagamento de funcionários, aluguel de sedes e manutenção de diretórios). Em 2026, o total vai ficar entre R$ 1,2 Bilhão a R$ 1,4 Bilhão.
Já o Fundo Eleitoral é distribuído apenas em anos eleitorais, sendo o critério principal a representatividade do partido na Câmara Federal (83% é dado pelos votos obtidos pela legenda na eleição anterior), e no Senado (15% pelo número de senadores que a sigla elegeu). Este ano, o Fundo Eleitoral chegará muito próximo de R$ 5 BILHÕES.
É claro que os partidos têm dirigentes que respondem por essa distribuição. Como não acharam nenhuma fórmula melhor, e não existem obrigatoriedades claras desta distribuição interna em cada partido, os peixes grandes, já detentores de mandato, recebem os maiores valores, e os arraias miúdas recebem valores menores, que oscilam entre os termos “migalhas” e “ínfimos”.
Essa distribuição, mesmo dos menores valores, explica porque algumas “lançam” candidaturas com pouquíssima chance de vitória. O cara forja umas notas, recibos, fica com a grana e arruma um pinguinho de votos para somar na legenda.
Pausa. No Paraná, a previsão é de que o partido eleja um deputado federal a cada 315.000 votos. Para eleger um deputado estadual o partido precisa de 103.000 votos, aproximadamente. Como existem pouquíssimos candidatos com esse potencial de votos, os partidos precisam de muitos candidatos, mesmo com pouca chance, para ir somando na legenda. Fim da pausa.
Dois problemas nessa distribuição da grana:
1-Peixes grandes ficam cada vez “mais grandes” porque fazem campanha com mais dinheiro.
2-Entre as raias miúdas, existem bons nomes, que às vezes não são ricos, e ficam impedidos de fazer uma campanha decente por falta de verba. Por isso, neste 2026 acontece uma guerra nos bastidores, com acusações de favorecimento em quase todas as siglas.
CENSURA: LADRÃO NÃO PODE: TEM QUE DISFARÇAR
O PROGRAMA IMPACTO CASCAVEL, que vai ao ar aos sábados na Rádio 92.3 FM, da família Siliprandi, é apresentado pelo Dr. Fernando Hallberg, pelo ex-prefeito Edgar Bueno e por este que vos escreve. A ideia do programa segue a saudável linha da rádio: não aceita verba pública, para manter a independência nos seus comentários.
Eis que, no último sábado, 12 de setembro, após uma bela entrevista com o candidato à deputado, Delegado Federal Dr. Vagner Alamino, cuja trajetória é para lá de bonita, entrevistamos outro candidato, o ex-deputado federal Evandro Roman, que recentemente denunciou de forma contundente, com pilhas de documentos, o ex-prefeito Leonaldo Paranhos. Uma pergunta era obrigatória, do ponto de vista jornalístico, e foi feita pelo Edgar Bueno:
-Evandro, com responsabilidade, com respeito que devemos ter com o ouvinte, por favor responda: na sua opinião, o Leonaldo Paranhos é ladrão ou isso aí é “farofa” política?
-Não apenas ladrão: é o maior ladrão e corrupto da história de Cascavel, respondeu o Evandro Roman.
LADRÃO NÃO PODE II
Feitos os demais questionamentos, a produção do programa editou os trechos principais e colocou alguns diálogos nas redes sociais.
Imediatamente, o ex-prefeito Paranhos usou seus ótimos advogados e sua experiência em paralisar processos para pedir, com sucesso, ao Judiciário a retirada das redes da postagem.
OUTRA PAUSA: Paranhos foi condenado pela Justiça Federal por improbidade administrativa quando dirigiu o IPEM, no governo Requião. Conseguiu engavetar o processo por mais de uma década. Paranhos foi acusado de enriquecimento ilícito pelo Roman, com fartura de documentos, a Polícia e o MP abriram investigação e o Tribunal de Justiça do Paraná “trancou” a investigação. Não dava para inocentar, mas está dando para protelar, quem sabe levar à prescrição. A história começou com uma confissão, ao vivo em televisão local, a CaTV, do empresário Chico Simeão: “é claro que, se aprovarem o aumento do perímetro, vou financiar as autoridades que ajudaram…”. Paranhos está sendo acusado, com processo também andando a passos de tartaruga, por má gestão à frente da Secretaria de Turismo do Ratinho Jr., com grandes perspectivas de dar em nada. Ou seja: especialista em impunidade. Fim da pausa.
Voltando às postagens.
LADRÃO NÃO PODE II
A justiça eleitoral mandou tirar a postagem das redes. Citou especificamente os termos “ladrão” e “corrupto”. Isso não! Disse a sentença. Aí, liguei para um amigo que trabalha lá, e disse: “mas é uma entrevista. O entrevistado chamou o ex-prefeito de ladrão, qual o problema? ”
-É muito rude. Tem que ser mais leve. Usa um eufemismo, suaviza. Não usa roubo. Fala ”Agente de desvios. ” Ou “indivíduo de conduta ímproba”. “Envolvido em desconformidades financeiras”. Fica até bonito.
Aí falei: amigo, nós queremos nos expressar como os brasileiros normais, não com “juridiquês”, não usamos e nem sabemos direito o que é eufemismo…
-Calma. Eu explico: fala aí “confundiu o público com o privado…”. Ou “amigo do alheio…”. Se o programa for bem popular, vai de gíria, mas bem-humorada: mão-leve, marafo, ligeirinho…
Tentei argumentar: mas é muita grana. Patrimônio monstro.
-Dá para disfarçar. Falem “colarinho-branco”. Tenho que desligar. Espero ter ajudado.