MANO PREISNER- CASCAVEL: AGRONEGÓCIO E MST: TENSÃO NO OESTE

STED

”Fiz análise de grupo quando era jovem porque não podia pagar uma análise individual. Cheguei a ser capitão do time dos Paranóicos Latentes. Todos nós, os neuróticos, tirávamos o domingo de manhã para fazer algum esporte. Era sempre os Roedores de Unha contra os Mijões na Cama.”

                                 Woody Allen

AGRONEGÓCIO E MST: TENSÃO NO OESTE

Sem muito alarde, as lideranças do agronegócio se articulam para fazer frente às prováveis ações que serão desencadeadas pelo MST, anunciadas em diversas ocasiões pelo dirigente e principal mandatário dos sem-terra, João Pedro Stédile.

O Paraná viveu tempos tranqüilos neste setor, em especial quando Beto Richa teve a felicidade de nomear para mediar as relações entre o agronegócio e o MST, o petista Hamilton Serighelli, uma pessoa extremamente preparada e de bom senso, que usou muito o diálogo para evitar, com sucesso, situações de confronto.

Cida Borghetti e Ratinho Júnior surfaram em ondas tranqüilas até a vitória do Lula em 2022. Tendo recebido apoio radical do movimento, Lula emitiu sinais, ou firmou compromissos, com o MST, que se julga com direitos à proteção do governo nas suas ações. Estão acesos e mais agressivos os membros do MST, atualmente.

Proprietários rurais e os demais membros da cadeia produtiva do agronegócio sabem disso, e se estruturam para defender seus direitos. Um dos fatores que mais gera preocupações entre os produtores é a morosidade do judiciário, que em algumas ocasiões toma decisões ambíguas, dando margem a incontáveis recursos, como ocorre nas áreas da Araupel em Laranjeiras do Sul e Quedas do Iguaçu, que há décadas se digladiam na justiça.

O Brasil, na verdade, não é, ainda, um país. Republiqueta Banana é uma denominação que ainda não foi superada, a sua definição mais apropriada até hoje.

Em Brasília, as lideranças políticas que defendem o agronegócio do Oeste, lideradas pelo Dilceu Sperafico, fazem o possível, pressionando até o limite os diretores das instituições responsáveis, mas estes são nomeados pelo governo federal petista, que não tem coragem, ou condições, de descumprir os acordos com os sem-terra, eleitores fiéis.   

AGORA SE PREOCUPAM COM AS ESCOLAS

Vocês lembram-se da tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria? Depois de décadas em que as autoridades esqueceram que o risco de um problema grave era grande, que a concentração de pessoas num ambiente fechado era perigosa, 242 jovens perderam a vida e outros 636 tiveram ferimentos, alguns graves. Nos meses subseqüentes, todos os prefeitos do país deram entrevistas contando sobre as medidas que tomaram para impedir a repetição do episódio dantesco que machucou a alma de todos os brasileiros. Passados alguns meses, não se falou mais no assunto, e hoje ninguém sabe a situação das casas de shows, bares, baladas, que são freqüentados pelos nossos jovens.

A preocupação da moda é a segurança das nossas crianças nas escolas públicas, porque nas privadas os proprietários são mais conscientes e sempre tomaram os cuidados mínimos com as nossas preciosidades.

Em Blumenau o excelente prefeito Mário Hildebrandt tomou medidas efetivas. Falou diretamente com os guardas municipais, colocou-os na porta de todas as escolas, comprou equipamentos, etc…

No Brasil todo, prefeitos midiáticos anunciam que os aluninhos estão protegidos, blábláblá, mas medidas sérias, definitivas, não existem. Assim como nas boates, em breve as escolas ficarão novamente à mercê de monstros, como sempre ficaram. As medidas preventivas, no Brasil, duram o tempo da indignação popular. 

FELIZMENTE TEMOS A JANJA

Na segunda-feira (17), o economista e âncora principal dos noticiários da Rádio CBN, Carlos Alberto Sardenberg, comentava com uma das suas auxiliares sobre o anúncio meio aloprado da decisão do Lula de taxar as compras via internet dos produtos da China, abaixo de Cinquenta Dólares, quando recebeu ligação de quem manda no pedaço, esclarecendo o assunto.

Mesmo com o anuncio feito como que às pressas, demonstrando que o Haddad e seu time ainda não estão habituados aos ritos para mudança de normas legais, a decisão é, em minha opinião, louvável em todos os sentidos.

Esse negócio de abrir os mercados é muito bom, quando o país está com sua indústria produzindo a todo vapor, quando o comércio está vendendo bem, e a concorrência é leal. No caso das compras dos produtos ordinários da China, o prejuízo aos nossos comerciantes é enorme. Faz bem o governo federal ao tentar frear essa vigarice da pirataria chinesa.

O que ficou muito estranho foi que a ligação recebida pela CBN, diretamente do avião que estava transportando a comitiva do Lula e do Stédile à China, foi feito pela Janja. Ela garantiu ao Sardenberg que a taxação dos produtos seria cobrada das empresas, e não dos consumidores brasileiros. Não parece ser viável a medida, mas de qualquer forma é saudável ver que a própria primeira-dama está cuidando do caso.

Durou pouco a boa vontade governamental. Na terça, já veio o desmentido: alguém contou ao Lula e à Janja que tentar cobrar pequenos valores dos comerciantes chineses, além de impossível, seria cômico, um verdadeiro atestado de burrice. O Brasil iria –mais uma vez- virar chacota mundial. Alguma coisa parecida com comprar um aparelho eletrônico no Paraguai e perguntar ao vendedor se tem assistência técnica.

Então, ficamos como antes, e o assunto agora é o sofá de 65.000 mil que a Janja gostou, cheio de babados.

CURTAS

SILVA E LUNA CANDIDATO? O General Silva e Luna, que comandou a Itaipu por um curto período no governo Bolsonaro, sendo depois levado pelo Mito para a presidência da Petrobrás (onde ao invés de combater a corporação e os acionistas privados que recebiam dividendos espetaculares) aliou-se a eles, declarou em entrevista ao jornalista Rogério Bonatto que não descarta a possibilidade de tentar uma entrada direta na política, deixando aberta a chance de disputar a prefeitura de Foz do Iguaçu. Silva e Luna têm laços afetivos muito sólidos em Foz do Iguaçu.

JUSTIÇA DEVAGAR, QUASE PARANDO: De forma inacreditável, o judiciário ainda não determinou a devolução aos ex-corruptos dos valores que eles (os ex-corruptos) foram forçados a “devolver” aos cofres públicos, e que, erroneamente, o Judiciário considerou que teriam sido surrupiados da Petrobrás. Após isso, veio a constatação –ouvi no Jornal Nacional, então deve ser verdade- de que os desvios foram cometidos não pelos diretores da Petrobrás e pelas Odebrecht da vida, e sim pelo Sérgio Moro e pelos procuradores do Ministério Público Federal, chefiados pelo Deltan Dallagnol. Os caras acusados eram todos inocentes, ex-corruptos. Então, seria de se esperar que o STF mandaria devolver os valores que o Pedro Barusco e o Renato Duque entregaram ao Judiciário, em torno de CEM MILHÕES DE DÓLARES, fruto de anos de economia dos seus salários- eles ganhavam bem, poupavam tudo, viviam a pão e água, investiam de forma genial, juntaram essa bela grana. Mas até agora, nada: as famílias do Barusco e do Duque estão com seu padrão de vida rebaixado, Lula ainda não recebeu indenização pelo período em que ficou preso injustamente, os delatores mentirosos estão numa boa, e o Moro e o Deltan, autores do assalto à Petrobrás, continuam soltos.

São tímidas as reações dos injustiçados, até agora. “Não tem como não ficarmos indignados”, disse o ex-corrupto Luiz Fernando Pezão, ex-governador do Rio, injustamente condenado em 24 ações a 99 anos de cadeia. “É muito difícil ser ex-corrupto no Brasil”, disse a vovó do Barusco à Rede Globo.

A gente é paciente, mas uma hora tem que apelar: até quando o Judiciário vai reter o dinheiro dos coitados?

COMEÇA BEM A DIRETORIA DA ITAIPU: Os números da Itaipu são fechados ao distinto público, mas os lucros da Binacional, certamente, são estratosféricos. Com a quitação total, neste ano, da dívida contratada para a construção de usina, esses lucros serão ainda maiores, obviamente. E aí decidiu-se nesta segunda-feira, em reunião online das diretorias brasileiras e paraguaias, que as tarifas que a Itaipu cobra pela energia serão reduzidas imediatamente em 19,5%%. Essa redução vai se perder, em parte, nos intermediários entre a produtora da energia e o consumidor final, mas alguma coisinha vai abaixar.

EM BAIXA: A decadência da qualidade dos serviços da Copel e da Sanepar é de arrepiar. Tidas até poucos anos como modelos de gestão, competentes, eram admiradas pela população. Hoje, com os serviços muito abaixo do esperado, e com os anúncios dos lucros estratosféricos, à custa do bolso de milhões de paranaenses, são uma pálida imagem das empresas que eram até poucos anos. Seria por acaso?

Compartilhe