Levantamento da IRG Pesquisas mostra que 64% dos moradores da cidade afirmam conhecer as funções da Câmara Municipal de Curitiba (CMC). Dos entrevistados, 42,4% disseram conhecer um pouco o trabalho do Legislativo, 21,6% que conhecem bem, 19,2% que conhecem muito pouco e apenas 16,6% que não conhecem as atribuições dos vereadores da capital do Paraná.
A pesquisa ouviu 800 moradores de Curitiba, com mais de 16 anos, entre os dias 20 e 27 de maio. O levantamento da IRG Pesquisas avaliou conhecimento institucional, acesso à informação, confiança, atendimento, desempenho geral da Câmara, percepção sobre os vereadores e prioridades públicas para a cidade.
Para o presidente da Câmara de Curitiba, Tico Kuzma (PSD), a pesquisa é uma ferramenta de escuta pública e transparência institucional. “A Câmara precisa ouvir a população também quando a avaliação traz cobranças. Os dados obtidos ajudam a compreender como os curitibanos veem o Legislativo, o que reconhecem na nossa atuação e onde precisamos melhorar a comunicação, o atendimento e a relação com a cidade”, afirma.
Para o diretor de Comunicação Social da CMC, Diogo Dreyer, os resultados indicam que a Câmara não enfrenta um quadro de rejeição institucional, mas tem pela frente um desafio de qualificar o vínculo com a população. “Diferente do senso comum, a pesquisa mostra uma instituição reconhecida pelos curitibanos. Não é um problema de rejeição. A questão é transformar essa legitimidade em um relacionamento ativo e construtivo com a Câmara”, afirma.
Veja os principais números da pesquisa IRG:
- 38,3% avaliam o desempenho da Câmara como bom ou ótimo;
- 41,8% dizem que o desempenho é regular;
- 17,6% classificam o desempenho como ruim ou péssimo;
- 85,4% afirmam que a Câmara contribui para melhorar Curitiba;
- 70,4% dizem que os vereadores representam total ou parcialmente os interesses da população;
- 79,2% dos que tiveram contato direto com a CMC avaliam bem a experiência;
- 52,5% usam redes sociais para buscar informações sobre a Câmara;
- 32,9% apontam a saúde como principal prioridade para a atuação do Legislativo;
- 56,8% veem os vereadores atuando mais por interesses próprios ou políticos.

A Câmara e os curitibnos (Pesquisa IRG – Maio/2026)
Maior fatia da população não tem “opinião acabada” sobre a Câmara
A pesquisa mostrou que 38,3% dos curitibanos avaliam o desempenho da Câmara de Curitiba (CMC) como bom ou ótimo, enquanto 41,8% classificam a atuação do Legislativo como regular e apenas 17,6% veem negativamente a CMC. Isso significa dizer que a avaliação positiva da instituição é praticamente duas vezes maior que a negativa.
Na leitura de Diogo Dreyer, o dado da avaliação regular é tão importante quanto a comparação entre avaliação positiva e negativa. “A pesquisa mostra uma população que reconhece a existência e a relevância da Câmara, mas ainda não transformou esse reconhecimento em uma percepção mais clara de impacto institucional. Temos que falar com eles, trazê-los para as atividades da Câmara”, avalia o diretor de Comunicação.
Redes sociais são a principal fonte de informação
Entre os entrevistados que disseram buscar informações sobre a Câmara, as redes sociais aparecem como principal canal de interação, com 52,5%. Em seguida vêm a televisão, com 35,3%; os portais jornalísticos, com 30,1%; e o site oficial da Câmara, com 24,9%.
Apesar disso, a busca ativa por informações ainda é limitada. Segundo o levantamento, 47,5% dos entrevistados afirmaram nunca procurar informações sobre a Câmara. Outros 21,8% disseram fazer isso raramente, 22,4% às vezes e apenas 8,1% com frequência.
“Os números mostram que a comunicação institucional não pode depender apenas da iniciativa do cidadão de acessar os canais oficiais. A notícia publicada no site continua sendo importante como registro público, mas a distribuição da informação precisa considerar o comportamento real da população, especialmente nas redes sociais”, analisa Diogo Dreyer.
Para a coordenadora de redes sociais da CMC, Michelle Stival, o resultado confirma que a informação pública precisa ser pensada para circular em diferentes formatos. “As redes sociais se tornaram uma porta de entrada para o cidadão entender o que acontece na Câmara. Isso exige linguagem clara, conteúdo visual, vídeos curtos e capacidade de transformar temas legislativos complexos em informação acessível, sem perder precisão”, afirma.
População associa a Câmara às leis e à fiscalização
A pesquisa também perguntou quais funções os entrevistados associam à Câmara de Vereadores. As mais lembradas foram elaborar e votar leis municipais, com 56,7%, e fiscalizar o prefeito e os gastos públicos, com 53,2%. A aprovação do orçamento, do Plano Plurianual e da Lei de Diretrizes Orçamentárias foi citada por 38%.
Outras dimensões aparecem com menor frequência. A função de representar demandas da população foi mencionada por 20,6% dos entrevistados. Já o papel de debater temas da cidade em audiências públicas foi citado por 15,7%.
Na avaliação de Diogo Dreyer, esse é um dos achados centrais da pesquisa. Para ele, os curitibanos identificam melhor as funções formais da Câmara, como legislar e fiscalizar, do que sua dimensão participativa. Isso indica a necessidade de comunicar melhor a Câmara como espaço de representação, escuta pública e debate sobre problemas concretos da cidade.
Para o coordenador editorial da Diretoria de Comunicação Social, Marcio Silva, os dados apontam a necessidade de reforçar a cobertura institucional ligada às atividades representativas, como as audiências públicas, tribunas livres, consultas públicas e até mesmo os atendimentos realizados nos gabinetes. “A população já possui esses espaços de fala e representação na Câmara Municipal, mas muitas vezes não sabe como acessar ou participar”, emendou.
Para 85,4%, Câmara contribui para a cidade de Curitiba
Além da avaliação geral de desempenho, a pesquisa perguntou se a atuação da Câmara contribui para melhorar a cidade. Para 26,3% dos entrevistados, a instituição contribui muito. Outros 59,1% responderam que contribui um pouco. Somados, os dois grupos chegam a 85,4%.
Na outra ponta, 8,3% disseram que a Câmara não contribui para melhorar Curitiba, enquanto 3% afirmaram que a atuação da instituição prejudica a cidade. Outros 3,3% não souberam ou não responderam.
“O desafio é tornar mais visível o caminho entre a atuação parlamentar e os efeitos concretos para a população, especialmente em temas como fiscalização, orçamento, debates públicos e votação de projetos de lei”, destaca o presidente Tico Kuzma. Para o parlamentar, esse resultado reforça que a Câmara é percebida como uma instituição necessária ao funcionamento da cidade.
Representatividade é um dos alertas trazidos pela pesquisa
A pesquisa perguntou se os vereadores de Curitiba representam os interesses da população. A resposta mais frequente foi “em parte”, escolhida por 49,9% dos entrevistados. Outros 20,5% responderam que sim, enquanto 28,1% disseram que não.
Quando a pergunta foi sobre o que mais orienta a atuação dos vereadores, 56,8% afirmaram que eles atuam mais em função de interesses políticos ou próprios. Para 34,2%, há equilíbrio entre interesse público e interesse político. Já 6,5% disseram que os vereadores atuam mais em função do interesse público, revelando uma diferença entre a percepção sobre a Câmara como instituição e os vereadores como atores políticos.
As respostas sobre confiança na instituição foram: 2,2% confiam muito, 24,1% confiam, 29,4% confiam pouco, 28% não confiam nem desconfiam e 14,9% não confiam na Câmara de Curitiba.
Atendimento é bem avaliado, mas contato direto ainda é baixo
Nos últimos 12 meses, apenas 8,6% dos entrevistados disseram ter tido algum contato direto com a Câmara. Entre esse grupo, 55,7% afirmaram que o atendimento respondeu totalmente ao que precisavam, enquanto 32,9% disseram que a demanda foi atendida parcialmente.
A experiência geral também foi positiva entre os cidadãos que procuraram a instituição. Para 57,9%, o atendimento foi bom. Outros 21,3% classificaram a experiência como muito boa. Somadas, as avaliações boa e muito boa chegam a 79,2%.
Para o diretor de Comunicação Social, o dado indica um problema de alcance, não de qualidade da experiência. “A Câmara tem canais capazes de atender bem quem procura a instituição, mas precisa ampliar o conhecimento da população sobre quando, como e por quais canais recorrer ao Legislativo municipal”, avalia Dreyer.
Como a pesquisa foi feita
A pesquisa foi realizada pela IRG Pesquisas, no município de Curitiba, entre os dias 20 e 27 de maio de 2026. Foram ouvidos 800 moradores com mais de 16 anos, em amostra distribuída por sexo, faixa etária, renda, escolaridade e regionais da cidade. O grau de confiança é de 95% e a margem estimada de erro é de 2,2 pontos percentuais.
O levantamento foi feito no âmbito do Termo de Cooperação Técnica 038/2025, firmado entre a Câmara Municipal de Curitiba e a IRG Pesquisas. O acordo tem como objetivo avaliar a qualidade dos serviços públicos prestados pela Câmara, com base na Lei Federal 13.460/2017, que trata da participação, proteção e defesa dos direitos dos usuários dos serviços públicos. O termo não prevê repasse de recursos financeiros entre as partes.