A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o Banco Master e empresas ligadas ao setor de crédito consignado.
Entre os alvos da operação está o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal. Policiais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.Na operação anterior o nome de Rui Costa já foi parte da investigação.
De acordo com documentos da investigação, Wagner é apontado como o principal beneficiário de vantagens econômicas consideradas indevidas. A Polícia Federal suspeita que o senador tenha recebido benefícios como utilização de aeronaves particulares, ingressos para shows internacionais, aquisição dissimulada de um apartamento de alto padrão em Salvador e repasses financeiros destinados a empresas ligadas ao seu núcleo familiar.
Segundo a PF, as vantagens teriam sido concedidas em troca de atuação parlamentar em pautas de interesse do grupo financeiro investigado. Entre os temas citados estão propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado e alterações legislativas envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
As investigações apontam como figura central do núcleo empresarial Augusto Ferreira Lima, gestor ligado ao Banco Master e apontado como responsável pela operacionalização das vantagens supostamente destinadas ao senador. Mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos em fases anteriores da operação teriam revelado detalhes da relação entre os investigados.
Outro foco da apuração envolve a compra de um apartamento no empreendimento Poème Residence, localizado no bairro Horto Florestal, área nobre de Salvador. A Polícia Federal suspeita que a aquisição tenha sido realizada por meio de pessoas e empresas interpostas para ocultar o verdadeiro beneficiário do imóvel.
Também são investigados familiares e pessoas próximas ao senador, incluindo seu enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins, gestor da BN Financeira Ltda. A empresa recebeu, segundo a PF, R$ 3,5 milhões de uma companhia ligada ao grupo empresarial investigado. Os investigadores suspeitam que a estrutura tenha sido utilizada para dar aparência de legalidade a pagamentos considerados ilícitos.
Além das pessoas físicas, diversas empresas tiveram suas atividades suspensas por decisão judicial. Entre elas estão a BN Financeira Ltda. e a BN Representações Tecnológicas Ltda., apontadas pela PF como integrantes do circuito de movimentação e ocultação de recursos.
A Operação Compliance Zero apura um esquema que, segundo estimativas dos investigadores, teria causado prejuízos bilionários ao sistema financeiro nacional. O caso também está relacionado à liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição vinculada ao empresário Augusto Lima.
A defesa dos investigados ainda não havia se manifestado oficialmente sobre as acusações até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações dos citados.
A investigação segue em andamento e não há, até o momento, condenações judiciais relacionadas aos fatos apurados nesta fase da operação.
OPERAÇÃO ANTERIOR COM RUI COSTA!
A associação de Rui Costa (atual Ministro da Casa Civil) com o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro tornou-se alvo de investigações e debates políticos, com críticas centradas na época em que foi governador da Bahia e na recente expansão nacional do banco.
As discussões políticas e investigações que envolvem o nome do ministro e a instituição incluem as seguintes frentes:
- Surgimento e Consignados: Opositores apontam que o relacionamento entre o grupo do Banco Master e líderes políticos baianos remonta à época em que Rui Costa era governador da Bahia, período em que o banco passou a explorar o crédito consignado de servidores (através do cartão CredCesta).
- Acusações de Tráfico de Influência: Investigações e delações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro levantaram suspeitas de blindagem institucional e aproximação do banco com membros do alto escalão do atual governo federal, o que gerou debates e pedidos de apuração sobre supostas facilidades concedidas ao grupo